Política
ALMT homenageia personalidades da cultura mato-grossense envolvidas em exposição em Brasília
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Em sessão especial na noite desta segunda-feira (14), a Assembleia Legislativa (ALMT) reconheceu a colaboração de artistas, colecionadores, curadores, escritores e personalidades da cultura mato-grossense envolvidos na exposição “Lírica, crítica e solar: artes visuais em Mato Grosso”, montada pelo Sebrae Mato Grosso no Museu Nacional da República, em Brasília. De 18 de março a 11 de maio deste ano, mais de 57 mil pessoas conferiram 200 obras de 50 artistas do estado. A solenidade com entrega de moções de aplausos foi requerida pelo deputado Diego Guimarães (Republicanos).
“Mato Grosso possui uma rica história artística no Brasil. É um estado que conseguiu construir um conjunto muito expressivo de artistas e de obras, sem necessariamente que aqui tivesse uma escola de nível superior. A arte local foi desenvolvida através da labuta dos artistas e dos ateliês livres, apoiados pela Fundação Cultural do Estado e depois pela Universidade Federal do Mato Grosso. As obras trazem poéticas ligadas à religião, à natureza, à história da cidade de Cuiabá e aos indígenas”, ressaltou o curador da mostra e um dos homenageados, Divino Sobral.
“São artistas da capital e do interior do estado, com obras de alta qualidade que raramente são vistas pelo público. A exposição ofereceu uma oportunidade única para que o público de Brasília e de outras regiões do Brasil e do mundo pudessem apreciar a riqueza artística de Mato Grosso”, continuou Sobral.
Ele também destacou o protagonismo feminino na produção apresentada. “Aqui no estado, as mulheres lideram o processo tanto do ponto de vista da gestão quanto do ponto de vista da criação e do pensamento sobre a arte”, frisou. A mostra prestou homenagens a quatro personalidades femininas de grande relevância para a história da arte em Mato Grosso: Aline Figueiredo, Dalva de Barros, Maria Lygia de Borges Garcia e Magna Domingos.
Parte significativa das obras expostas, pinturas e esculturas fazem parte de acervos particulares. O galerista José Guilherme Ribeiro é um dos colecionadores que emprestaram obras de arte para a iniciativa. “Foi uma oportunidade fantástica para nós. A arte mato-grossense há muitos anos é considerada uma das melhores do país, mas precisa também de uma vitrine para que seja mostrado. E Brasília é muito importante, não só porque o poder está lá, por lá passam várias pessoas com muita representatividade no país, mas é importante dizer que lá estão todas as embaixadas, ou seja, o mundo está presente”, afirmou.
Também agraciada com moção de aplausos, Aline Figueiredo se descreve como uma “animadora cultural” e lembrou de outros palcos importantes já ocupados pela arte produzida em Mato Grosso. “A arte mato-grossense nós já apresentamos desde os anos 70, 80. Fizemos exposição no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, no Museu de Arte Moderna de São Paulo e na Fundação Cultural do Brasília. Mato Grosso descentralizou a arte brasileira, tirou a arte brasileira do eixo Rio-São Paulo e até de Minas Gerais”, disse.
Entre os artistas homenageados na sessão está Andreia Zelenski, responsável por cinco obras da exposição no Museu Nacional da República. Foi apenas a segunda mostra da pintora, já dividindo espaço com artistas consagrados. “Foi uma surpresa ser convidada e foi muito gratificante. Lá estavam obras de artistas que admiro e são referência para mim, como Marcelo Velasco e Ruth Albernaz. Essa participação já abriu portas para outras exposições. É muito importante para a gente”, revelou.
A gerente de Comunicação e Marketing do Sebrae MT, Marta Torrezan, mostrou-se muito contente com os aplausos concedidos pela Casa de Leis. “Acredito que a melhor forma de fechar esse ciclo da exposição é tendo o reconhecimento político desse trabalho, porque cultura é um instrumento de movimento político. Estar aqui recebendo essa homenagem, o Sebrae, os artistas, significa que nós fizemos certo e que estamos fazendo por merecer”, declarou a gerente de Comunicação e Marketing do Sebrae MT, Marta Torrezan.
“Eu fico muito feliz que o Sebrae completando 50 anos, escolheu 50 artistas que falam dos quatro cantos do estado de Mato Grosso. Tem gente de Rondonópolis, Nobres, Guiratinga, Cuiabá, Rosário. Então, é muito bom saber que a gente preserva nossa cultura pela arte, é uma das formas mais bonitas e corretas de se representar a essência de um povo”, declarou o deputado Diego Guimarães.
Veja abaixo a lista de homenageados:
Aline Figueiredo – Crítica de Arte e Escritora
Adão Domiciano – Artista
Adriano Figueiredo Ferreira – Artista
Almira Reuter de Miranda – Artista
Andreia Zelenski – Artista
Antônio Ferreira – Artista
Aleixo Cortez – Artista
Dalva de Barros – Artista
Djair Careta – Artista
Eugênia Vieira – Artista
Gervane de Paula – Artista
Gonçalo Arruda – Artista
Gustavo Caboco – Artista
Helena Corezomaé – Artista
Humberto Espíndola – Artista
Jonas Barros – Artista
José Luiz Medeiros – Artista/Fotógrafo
José Pereira – Artista
Liberio Boe – Artista
Marcelo Velasco – Artista
Maria Lygia de Borges Garcia – ex 1ª dama do estado
Mari Gema de la Cruz – Artista
Mário Friedlander – Artista
Miguel Penha – Artista
Mike Bueno – Artista
Paty Wolf – Artista
Paulo Pires – Artista
Rai Reis – Artista/Fotógrafo
Ruth Albernaz – Artista
Sebastião Silva – Artista
Turuza Waurá – Artista
Wander Melo – Artista
Zeilton Mattos – Artista
Curadores da Exposição:
Divino Sobral
Laudenir Gonçalves
Curadora Assistente – Rosana Schmitt
O Cenógrafo – Guilherme Isnard
Colecionadores:
Antônio de Pádua Nogueira Nobre
Bárbara Lopes Bussik
Hermélio Nicolau da Silva
Jandeivid Lourenço Moura
João Nunes da Cunha Neto
José Guilherme Barbosa Ribeiro
Júlia Mazzuti
Luiz Mauro
Luiz Felipe Weissheimer
Márcia Roque Rodrigues
Marcos Granado Martins
Murillo Espínola de Oliveira Lima
Ronaldo Rodrigues
Memorial dos Povos Indígenas – Rep. por Sara Seilert
Museu de Arte e Cultura – Silvano Macedo Galvão
Homenageados pelo Sebrae/MT:
Presidente do Conselho – Jonas Alves de Souza
Diretora-superintendente – Lelia Rocha Abadio Brun
Diretor técnico – André Luiz Spinelli Schelini
Diretor de Administração e Finanças – Roberto Henrique Dahmer
Fran Faveiro – Diretora do Museu Nacional da República de Brasília
Felipe Ramón Moro Rodriguez – Subsecretário de Patrimônio Cultural do Governo do Distrito Federal
Homenagens Póstumas:
Adir Sodré
Alcides Pereira dos Santos
Benedito Nunes
Clínio Moura
Clovis Irigaray
Conceição Freitas da Silva
Ilton da Silva
Inês Correa da Costa
Jared de Aguiar
João Pedro de Arruda
João Sebastião Costa
Marco Aurélio
Nilson Pimenta
Osvaldina dos Santos
Regina Penna
Roberto Almeida
Sitó
Valdivino Miranda
Vitória Basaia
Fonte: ALMT – MT
Política
Debate aponta avanços e desafios nos 20 anos da Lei Maria da Penha
Especialistas defenderam o aperfeiçoamento permanente da Lei Maria da Penha durante o debate “Diálogos sobre a Lei Maria da Penha: 20 anos de avanços e desafios“, promovido pelo Senado nesta quinta-feira (6). O encontro discutiu os avanços da legislação nas últimas duas décadas e os desafios para fortalecer as políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher.
A consultora legislativa do Senado Natália Sobestiansky destacou a inclusão da violência vicária (quando o agressor utiliza uma terceira pessoa, como um filho ou familiar, para atingir a mulher) entre as formas de violência previstas na Lei Maria da Penha como um avanço recente da legislação. A tipificação do vicaricídio foi aprovada pelo Senado em março e se tornou lei em abril.
— Uma das grandes modificações de 2026 foi trazer a violência vicária entre os tipos de violência contra a mulher no âmbito doméstico e familiar. O que é a violência vicária? É quando o agressor se vale de uma terceira pessoa para atingir a mulher. Muitas vezes o agressor não alcança aquela mulher que já está protegida com medidas protetivas, mas continua acessando os filhos em comum, a sogra. O direito tradicional olhava para isso — quando um pai matava o filho para atingir a mulher — como uma violência que se esgotava no filho. Mas foi preciso perguntar para a mulher para nós vermos uma vítima que estava sendo negligenciada e não estava sendo vista — afirmou.
A consultora também alertou para os índices de violência contra a mulher que ainda são alarmantes no Brasil, mesmo passados 20 anos da sanção da Lei Maria da Penha. Ao comentar a construção histórica do direito, Natália afirmou que parte das leis brasileiras incorporou perspectivas masculinas como padrão.
— Se foram os homens que estabeleceram os pressupostos do que hoje nós entendemos como a base do direito, será que não foram as experiências masculinas aquelas alçadas à categoria de regra geral e aplicada a todas as demais experiências?
Interesse público
Segundo a advogada-geral do Senado, Gabrielle Tatih Pereira, dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram queda nas mortes intencionais no Brasil, mas também indicam que a violência de gênero continua crescendo “em patamares assustadores”.
Para ela, a Lei Maria da Penha ajudou na compreensão de que a violência doméstica e familiar não é uma questão privada, mas sim de interesse público e de direitos humanos, o que a torna uma questão fundamental para a democracia no país.
— A Lei Maria da Penha institucionaliza um sistema integrado de proteção, que envolve não só um arcabouço jurídico e normativo, mas também instrumentos institucionais de ação, que envolve também a assistência social e a saúde. É preciso reconhecer que nós tivemos grandes avanços nesses 20 anos de institucionalização, de implementação de políticas públicas, mas temos também que compreender que são necessários muitos avanços, ainda — disse.
Desafios
A diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, afirmou que o sistema de proteção à mulher no país é fruto da Lei Maria da Penha.
— Esse sistema começa com a Lei Maria da Penha. Infelizmente, ele não termina com a Lei Maria da Penha, porque as violências se modificam, se modernizam. E por isso essa lei é o pontapé inicial de um sistema que segue se robustecendo. É um sistema que nós podemos nos orgulhar. Não de precisar dele, mas de ter um Estado que tem o melhor sistema de proteção à mulher do mundo — afirmou.
Ilana acrescentou que a lei ainda não é o suficiente para proteger todas as mulheres, porque a sociedade não amadureceu em 20 anos para entender que “o machismo, o patriarcado e a misoginia são reflexos de uma sociedade que não trata a mulher como um igual”.
— No momento em que todos e todas se enxergarem como iguais, se enxergarem como pessoas que têm o mesmo direito ao respeito e à integridade, aí, quem sabe, quando a gente for comemorar os 40 anos da Lei Maria da Penha, a gente possa falar de um texto legal que foi muito necessário, mas que terá caído em desuso. Que seja esse o nosso desejo para o futuro — disse Ilana.
As consultoras legislativas Luísa Sabioni, Aiana Dias dos Santos e Fernanda Rocha de Moraes também abordaram temas como direitos trabalhistas, violência doméstica na era digital e medidas protetivas de urgência.
Durante o encontro, também foram debatidos temas como proteção legal, promoção da autonomia, perspectiva interseccional de gênero e raça, novas formas de violência contra a mulher, orçamento da proteção e acesso à Justiça. Veja aqui a íntegra do evento.
Agosto Lilás
A iniciativa integra as ações programadas para o Agosto Lilás, campanha de âmbito nacional que tem o objetivo de alertar a população sobre a importância da prevenção e do enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, com foco na Lei Maria da Penha, batizada em homenagem à farmacêutica cearense que buscou por justiça após sofrer duas tentativas de homicídio.
O evento é uma parceria entre a Consultoria Legislativa e o Núcleo de Diversidade do Senado.
A programação do Agosto Lilás no Senado inclui diversas ações durante todo o mês:
- Na quarta (5) e nesta quinta (6), o Congresso Nacional recebe a iluminação na cor roxa;
- Na sexta (7), haverá uma projeção sobre o tema no Palácio do Congresso Nacional, a partir das 19h; e
- Na quinta (13), às 15h, será realizada sessão especial no Plenário do Senado para celebrar os 20 anos da Lei Maria da Penha.
Também está previsto o lançamento da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher – dados estaduais. A pesquisa é feita a cada dois anos pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV) e o Instituto DataSenado. Desde 2005, o trabalho acompanha a percepção das mulheres brasileiras sobre a violência doméstica e familiar.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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