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Diagnóstico tardio prejudica vítimas de hipertensão pulmonar, aponta audiência

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A hipertensão pulmonar (HP) é grave e sobrecarrega o coração. Por isso, o diagnóstico tardio e a dificuldade em acessar tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) podem levar à redução do período de vida. A situação preocupa senadores e especialistas que participaram nesta segunda-feira (22) de audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT).

Presidente da CCT, o senador Flávio Arns (PSB-PR) salientou a difícil realidade imposta aos pacientes e famílias. Ele lembrou que, em 2003, no seu primeiro mandato, o Senado se debruçou bastante sobre o tema. Arns reforçou que essa é uma área que conta com o apoio dos parlamentares.

— A gente tem que olhar para a pesquisa, a inovação, o trabalho mundial nesta área, não só em relação à hipertensão, à produção de medicamentos, pesquisas, acompanhamento, mas inclusive todas as pesquisas que apontam para a estabilização, para a cura, como acontece com muitas doenças raras também no mundo inteiro — disse Flávio Arns.

Diagnóstico

Vice-presidente da Associação Brasileira de Apoio à Família com Hipertensão Pulmonar e Doenças Correlatas (Abraf), Débora Lima disse que o diagnóstico é assustador e que os pacientes não sabem onde pedir socorro. Também diagnosticada com a hipertensão pulmonar após sete anos de investigação, ela salientou que o diagnóstico de HP atinge o paciente de várias formas.

— As dimensões do sofrimento são diversas. A gente fala muito sobre a perspectiva daquilo que acontece dentro da jornada do paciente no sistema de saúde, mas ela te acomete por várias áreas. Ela te acomete dentro da sua saúde, das suas questões físicas, dentro do ponto de vista econômico, social, psicológico, espiritual, familiar e do cuidador.

Análise sobre quem são os pacientes com hipertensão pulmonar no Brasil, conduzida pela Abraf em 2019, identificou que entre os pacientes, 86% eram mulheres, a maioria entre 30 e 49 anos, em plena idade ativa e reprodutiva, mas que 56% desses pacientes estavam fora do mercado de trabalho. A doença retira completamente as pessoas da vida produtiva, mas esses pacientes não são considerados pessoas com deficiência e têm uma dificuldade imensa de acesso a direitos e benefícios previdenciários. E 51% desses pacientes viviam com uma renda familiar de até R$ 2 mil. 59% dos pacientes se sentem deprimidos na maior parte do tempo e 86% sofrem de angústia ou ansiedade.

Sintomas

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Ricardo de Amorim Corrêa, a maioria dos pacientes tem pelo menos dois anos de sintomas antes de ter o diagnóstico, “o que é uma tragédia do ponto de vista do tratamento”. Na hipertensão pulmonar, as artérias ficam engrossadas, escurecidas, tornando muito difícil a passagem do sangue para o coração. O paciente sente muita falta de ar e limitação no esforço. Várias doenças cardíacas e pulmonares causam a hipertensão pulmonar. A esquistossomose é causa significativa no Brasil e provavelmente subestimada, de acordo com o médico.

Entre as principais lacunas epidemiológicas e de saúde pública na hipertensão pulmonar está a falta de registros multicêntricos prospectivos que representem a heterogeneidade da população brasileira, limitando estimativas precisas de prevalência e incidência nacional. Ainda, o diagnóstico é tardio e há acesso desigual ao tratamento.

Transplantes

A presidente do Grupo de Estudos de Circulação Pulmonar do Departamento de Cardiopatias Congênitas e Cardiologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Flavia Navarro disse que de janeiro de 2019 a junho 2025, houve 315 transplantes pulmonares bilaterais e 116 unilateriais pelo DataSUS no Brasil. Mas de Cid [Classificação Internacional de Doençase Problemas Realcionados à Saúde] de DataSUS são apenas 18 transplantes nesse período, sendo a maioria em São Paulo.

— O valor aproximado pago pelo SUS é de R$ 110 mil. Mas na rede privada, o valor estimado é de R$ 2,5 milhões. E aí, o paciente que está na região Norte do Brasil tem acesso ao transplante pulmonar? Não tem. […] Diferente de outros países, o transplante não é uma realidade para o Brasil — disse Flávia Navarro.

Protocolo clínico

Tecnologista da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Cecília Menezes Farinasso explicou que em 2023 foi aprovado o novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da hipertensão pulmonar, um marco legal que coloca o protocolo estruturado com base nas mais recentes evidências clinicas e científicas.

— [O protocolo] ampliou o escopo no que se refere ao tratamento da doença e focou também no cuidado integral do paciente, consolidando práticas, fluxos atualizados e uma visão mais ampla do paciente no âmbito do SUS — expôs Cecília.

Segundo a coordenadora-geral de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Carmen Cristina Moura dos Santos, pela primeira vez foi instituída a Política Nacional de Atenção Especializada, que pretende ampliar e garantir o acesso da população a serviços especializados.

Ela lembrou que a incidência da doença é de dois a cinco pacientes a cada milhão de adultos por ano e que a sobrevida mediana é de apenas 2,8 anos na ausência de tratamento especifico.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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GAFFFF 2026: diferentes olhares apontam os desafios que movem o agronegócio brasileiro

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Nos dias 1º e 2 de outubro de 2026, São Paulo recebeu mais uma edição do Global Agribusiness Festival (GAFFFF), considerado o maior festival mundial de conteúdo e cultura do agronegócio. 

Com uma programação que combina conteúdo, negócios, entretenimento e gastronomia, o GAFFFF é estruturado a partir de quatro pilares, representados pelos quatro “Fs” do nome: Forum, Fair, Fun e Food. O Forum concentra debates, palestras e painéis com especialistas e autoridades; o Fair promove a aproximação entre empresas, startups e produtores; o Fun leva entretenimento ao público; e o Food apresenta experiências relacionadas à gastronomia.

Mais do que apresentar tendências e tecnologias, o evento também se tornou um espaço para ouvir diferentes perspectivas sobre os desafios enfrentados pelo agronegócio brasileiro.

Para Gilvania Rufino, Líder Regional de Mato Grosso da XP Investimentos, “o grande desafio do agro hoje é transformar a complexidade do agronegócio em planejamento financeiro.” É justamente nesse ponto que, para ela, eventos como o GAFFFF ganham importância. Ao colocar lado a lado produtores, instituições financeiras, empresas e especialistas, o festival possibilita que diferentes partes da cadeia se aproximem e compreendam melhor as necessidades umas das outras.

A dimensão do potencial brasileiro esteve presente na avaliação de José Luiz Tejon, jornalista, publicitário, professor, escritor e conferencista atuante no agronegócio. Ao analisar o cenário atual, Tejon chama atenção para uma característica que acompanha o Brasil há décadas: a capacidade de produção e a posição estratégica que o país ocupa no agronegócio mundial. No entanto, “Para mim, o maior desafio do agro hoje é transformar todas as possibilidades em realidade”, afirma José Tejon. 

A reflexão parte da própria trajetória do agronegócio brasileiro. Tejon ressalta que o país construiu, ao longo dos últimos 50 anos, conhecimento, tecnologia e capacidade produtiva que permitiram ao Brasil alcançar uma posição de destaque no mercado internacional.

Na visão do especialista, entretanto, ter potencial não é suficiente. É preciso transformar aquilo que o país possui em oportunidades efetivas, não apenas para o produtor e para as empresas, mas também para o desenvolvimento do Brasil e para sua participação no cenário mundial.

Enquanto alguns dos desafios estão relacionados à gestão e à capacidade de transformar oportunidades em resultados, Romeu Ciochetta, produtor rural, chama atenção para uma questão que está cada vez mais presente no debate sobre o setor: a comunicação.

Para ele, o agronegócio precisa comunicar melhor à sociedade o que produz, como trabalha e a importância de sua atividade. Mais do que falar sobre o tamanho do setor, é necessário mostrar o trabalho realizado diariamente por produtores e profissionais que integram toda a cadeia. “Para mim, o maior desafio do agro hoje é a comunicação. Comunicar a todos sobre o que o agro faz, e que faz bem feito”, afirmou Ciochetta.

A percepção do produtor aponta para a necessidade de aproximar o consumidor e a sociedade da realidade do campo. Em um momento em que o agronegócio está presente em discussões econômicas, ambientais e sociais, comunicar de maneira clara aquilo que é produzido e como esse processo acontece se torna uma ferramenta importante.

A realidade do agronegócio, entretanto, não se limita àquilo que acontece dentro das propriedades rurais. Para Antonielly Rottoli, idealizadora do Mulheres do Agro de Rondônia, existem desafios estruturais que precisam ser enfrentados para que o setor continue crescendo.

Entre eles, ela destaca três pontos: logística, infraestrutura e empregabilidade. Nesse contexto, Antonielly vê o GAFFFF como um ambiente que vai além dos grandes debates. Para ela, o evento representa uma oportunidade de acesso a informações, tecnologias e, principalmente, de construção de relacionamentos.

O agro brasileiro já demonstrou sua capacidade de crescer e conquistar espaço no mundo. O desafio agora, como apontaram os participantes, é transformar todo esse potencial em realidade, fazendo com que o desenvolvimento do setor seja acompanhado por mais conexão, informação, planejamento e oportunidades.

Andreia Azevedo

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