Saúde
Saúde mental ganha espaço na medicina e expõe novos desafios
Saúde
*UNICAST*
Psiquiatra Antônio Carlos Reiners explica avanço dos diagnósticos, limites dos medicamentos e impactos da tecnologia sobre ansiedade, depressão e burnout
Ansiedade, depressão e burnout deixaram de ser temas restritos aos consultórios psiquiátricos e passaram a fazer parte das conversas em empresas, escolas e famílias. Mas o aumento da visibilidade desses transtornos não significa necessariamente que a sociedade esteja adoecendo mais. Para o psiquiatra Antônio Carlos de Carvalho Reiners, o cenário atual combina maior capacidade de diagnóstico, redução do estigma e mudanças no ambiente em que as pessoas vivem.
Em entrevista ao Unicast, da Unimed Cuiabá, o especialista explicou que transtornos depressivos, psicóticos e de humor sempre existiram. A diferença está, principalmente, na capacidade atual da medicina de identificá-los com maior precisão e no fato de que mais pessoas se sentem à vontade para procurar atendimento.
Ao mesmo tempo, Reiners chama atenção para fatores contemporâneos que aumentam a pressão emocional. O uso permanente de tecnologia, a exposição às redes sociais e o excesso de informações criam um ambiente de estímulos constantes, associado a quadros de ansiedade e angústia.
Um dos pontos destacados pelo psiquiatra é o contato cada vez mais precoce das crianças com telas. Segundo ele, esse processo pode interferir no desenvolvimento de habilidades emocionais importantes, entre elas a capacidade de lidar com limites, negativas e frustrações.
Ao abordar o tema, o médico citou uma máxima atribuída a Carl Jung para resumir a relação entre frustração e busca por alívio: quem não aprende a lidar com as dificuldades da vida tende a procurar esse alívio na farmácia.
A reflexão também ajuda a explicar por que o tratamento da saúde mental não pode ser reduzido ao uso de medicamentos.
De acordo com Reiners, a psiquiatria dispõe atualmente de medicamentos capazes de controlar sintomas de ansiedade e depressão. A medicação, porém, não substitui o trabalho de compreender os conflitos e experiências que estão por trás do sofrimento.
Nesse processo, a psicoterapia tem papel complementar ao tratamento médico, permitindo investigar questões emocionais e padrões de comportamento que não são resolvidos apenas pela ação dos medicamentos. O acompanhamento também pode envolver psicólogos, grupos de apoio e outras formas de suporte.
O especialista também chama atenção para a necessidade de diferenciar sofrimento psicológico de transtornos psiquiátricos. Uma perda, por exemplo, pode provocar um processo natural de luto e não necessariamente representa uma doença.
A avaliação profissional passa a ser especialmente importante quando os sintomas persistem, comprometem a rotina ou aparecem associados a fatores de risco, incluindo predisposição genética.
Outro fenômeno citado pelo médico é a somatização. Pessoas com ansiedade ou depressão podem apresentar insônia, cansaço, dores e outros sintomas físicos e, por isso, procurar diferentes especialidades médicas em busca de uma causa orgânica.
Quando exames e avaliações não identificam alterações físicas que expliquem os sintomas, a investigação psiquiátrica pode ajudar a compreender a origem do quadro.
Assista completo pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=ofJhAV8C5Vk&t=262s
Saúde
Cirurgiões-dentistas de MT participam de novo módulo sobre odontologia inclusiva
Prática”, voltado a cirurgiões-dentistas, estudantes de Odontologia e pesquisadores. A capacitação será realizada das 8h às 17h, no auditório do Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso (CRO-MT), com foco em protocolos de acolhimento e manejo de pacientes com necessidades especiais.
O módulo desta edição tem como tema “Protocolos de acolhimento e manejo seguro para pacientes com necessidades especiais” e será conduzido pela professora Márcia Cançado, titular da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e presidente da Câmara Técnica Gaúcha de Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais, do Conselho Regional de Odontologia do Rio Grande do Sul (CRO-RS).
Durante a capacitação, a professora abordará técnicas práticas de acolhimento e manejo de pacientes neurodivergentes e de pessoas com outras deficiências. A programação inclui, ainda, apresentação e discussão de pesquisas e experiências científicas, ampliando o espaço para troca de conhecimentos entre profissionais, estudiosos e acadêmicos.

As vagas são limitadas e as inscrições podem ser realizadas pelo site do CRO-MT.
A ação de educação continuada é promovida pelo CRO-MT em parceria com o Instituto Iglesias, dirigido pelas cirurgiãs-dentistas Norma e Adriane Iglesias. A instituição é pioneira no atendimento odontológico de pessoas com deficiência em Mato Grosso.
Para a dentista Norma Iglesias, o atendimento a pacientes com necessidades especiais exige uma abordagem que considere também as particularidades de suas famílias. “Cuidar de pacientes especiais exige acolhimento diferenciado, afinal, não se promove apenas o cuidado odontológico, mas também a recepção a uma família atípica. O manejo dentro e fora da clínica deve ser integrado para que o cuidado seja completo e eficaz”, afirma Norma, que há mais de 40 anos atua no atendimento desse público.
A dentista Adriane Iglesias destaca que a atualização profissional é fundamental diante dos avanços nas técnicas de atendimento e das diferentes necessidades dos pacientes. “A formação continuada nos traz novos e importantes insights para promover melhorias no manejo, nas formas de tratamento e no acolhimento. Em um cenário cada vez mais dinâmico, estar atento às novas tendências é necessário. Por isso, trazer eventos como este é tão desafiador. A cada novo módulo, promovemos a integração entre profissionais, acadêmicos e estudiosos renomados de várias partes do país”, destaca.
Programação
A programação começa pela manhã com a palestra “Odontologia Inclusiva na Prática”, que abordará protocolos de acolhimento e manejo seguro na Odontopediatria e no atendimento a pacientes com necessidades especiais.
A partir das 13h, será realizada uma Mesa Redonda, seguida de Rodas de Conversa com participação das Comissões Técnicas do CRO-MT e dos demais participantes.
Segundo a organização, o momento será dedicado à troca de experiências, discussão de desafios e construção conjunta de estratégias para a atuação em Odontopediatria e no atendimento de pessoas com necessidades especiais. A atividade terá mediação da professora Márcia Cançado. “Este será um espaço para troca de experiências, discussão de desafios e construção conjunta de estratégias para a atuação em Odontopediatria e pessoas com necessidades especiais”, explica Wania Dantas, presidente do CRO-MT.
Outro destaque da programação será o hands-on, atividade prática com apresentação de materiais sensoriais e odontológicos voltados à Odontopediatria e ao atendimento de pacientes com necessidades especiais. A atividade permitirá aos participantes conhecer e aplicar materiais e estratégias que podem contribuir para o condicionamento, ampliar a comunicação e fortalecer a relação entre dentista e paciente, além de auxiliar na avaliação e no diagnóstico comportamental.
Serviço
Evento: Odontologia Inclusiva na Prática – Educação Permanente
Data: 9 de outubro de 2026
Horário: das 8h às 17h
Local: Auditório do CRO-MT – Cuiabá/MT
Inscrições: vagas limitadas, pelo site do CRO-MT
(Com informações da Assessoria)
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