Política
ALMT reúne autoridades e especialistas para debater impactos e oportunidades da ferrovia no Araguaia
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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou, nesta sexta-feira (27), uma audiência pública no município de Água Boa (cerca de 630 km de Cuiabá) para discutir os impactos econômicos e acompanhar o andamento das obras da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico). A cidade se consolida como ponto estratégico no traçado da ferrovia, que ligará Mara Rosa (GO) a Lucas do Rio Verde (MT), em um percurso de 888 km.
Com papel fundamental no escoamento da produção agrícola, a Fico representa um novo ciclo de desenvolvimento para a região do Araguaia. Autor do requerimento da audiência, o deputado estadual Dr. Eugênio (PSB) destacou que a ferrovia, há décadas sonhada pela população do Araguaia, está prestes a se tornar realidade, com 39% das obras já executadas. Ele reforçou a importância de preparar a região para as transformações que a Fico trará.
“Estamos falando de uma transformação social e econômica profunda, que vai desde a geração de empregos até a expansão urbana e o aumento da demanda por serviços públicos como saúde, educação e transporte”, afirmou.
Segundo o parlamentar, Água Boa pode atingir 70 mil habitantes nos próximos 10 anos, impulsionada pela chegada da ferrovia. Ele ressaltou ainda que o empreendimento, viabilizado por meio de investimento cruzado da iniciativa privada, abre múltiplas oportunidades de negócios e atrai grandes indústrias para a região. “Quem tem visão empreendedora sabe: o momento de investir no Araguaia é agora”, completou.
O gerente de Regulação Ferroviária da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Fernando Feitosa, assegurou que as obras seguem dentro do cronograma, com entrega prevista para 2028. “A ANTT realiza fiscalizações mensais e pontos de controle técnico em todo o trecho. O compromisso é garantir que a entrega aconteça dentro dos prazos estabelecidos”, explicou.
Foto: ANGELO VARELA / ALMT
Feitosa também mencionou que a ponte ferroviária sobre o Rio Araguaia é uma das estruturas mais desafiadoras da obra, mas está sendo conduzida com rigor técnico. O consultor da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (AMPA) e ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Luiz Antônio Pagot, afirmou que a Fico é um vetor estratégico para o desenvolvimento do estado.
Segundo ele, além de aumentar a competitividade no escoamento de safras, a ferrovia atrai indústrias ao longo de seu percurso. “A ferrovia conectará o Araguaia a importantes portos como Santos (SP), Itaqui (MA) e Vitória (ES), ampliando o acesso a mercados internacionais e impulsionando exportações”, frisou.
Pagot defendeu ainda a criação de um distrito industrial em Água Boa para receber novas indústrias e consolidar a região como polo logístico e produtivo. O senador Jaime Campos (União Brasil) reforçou a importância da obra na reconfiguração logística da região.
“Essa é uma obra de redenção para o Araguaia. Com solo fértil, povo trabalhador e clima favorável, temos tudo para transformar esta região em uma das mais prósperas do Brasil: uma nova Califórnia brasileira”, afirmou.
O prefeito de Água Boa, Dr. Mariano Filho (MDB), também destacou os impactos já perceptíveis da ferrovia na economia local. “Com quase 40% da obra concluída e a construção da ponte sobre o Rio Araguaia prestes a iniciar, já sentimos os primeiros sinais de crescimento. Por isso, temos trabalhado nos últimos anos para antecipar demandas em áreas como habitação, saúde, educação, saneamento e segurança pública, assegurando qualidade de vida para a população”, pontuou.
A Fico também passará pelos municípios de Cocalinho e Nova Nazaré, que serão interligados por uma ponte ferroviária sobre o Rio das Mortes. Para os prefeitos Márcio Baco (Cocalinho) e Reginaldo Martins (Nova Nazaré), a obra representa um divisor de águas no desenvolvimento regional.
“A ferrovia já é uma realidade em Cocalinho. Empresas estão se instalando, a demanda por moradia e serviços cresceu e precisamos acelerar os investimentos em infraestrutura para acompanhar esse ritmo”, disse Baco.
“Nova Nazaré tem um dos menores IDHs econômicos do estado. A Fico representa uma oportunidade concreta de transformação e geração de novas perspectivas para a população”, afirmou Martins.
Participação expressiva e programação técnica
O evento, realizado na Câmara Municipal de Água Boa, reuniu mais de 200 pessoas, entre elas 78 vereadores, 18 prefeitos, 8 vice-prefeitos e 5 ex-prefeitos da região. Além das autoridades já citadas, também participaram o vice-governador do estado, Otaviano Pivetta; os senadores Jaime Campos e Wellington Fagundes; os deputados estaduais Wilson Santos (PSD) e Baiano Filho (União); o secretário-chefe da Casa Civil, Fábio Garcia; e o secretário de Estado de Fazenda, Rogério Gallo.
Estiveram presentes ainda o representante do Ministério Público Estadual, Luis Alexandre Lima Lentisco; o diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Pereira; a primeira-dama de Água Boa, Juliana Kolankiewicz; o presidente da Câmara Municipal de Água Boa e a vereadora Jocasta Porto, presidente da Câmara de Canarana.
A programação incluiu palestras técnicas que enriqueceram o debate. O gerente da ANTT, Fernando Feitosa, ministrou a palestra “Andamento das obras da Fico”; o diretor do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Pereira, apresentou “Logística, gargalos e tendências de melhorias”; e o consultor Luiz Antônio Pagot encerrou com a exposição “Perspectivas e oportunidades”, abordando o potencial de industrialização e desenvolvimento que a ferrovia pode trazer para o Araguaia e todo o estado.
Fonte: ALMT – MT
Política
CAS discute projeto de fiscalização de políticas sociais do governo federal
A Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS) discute nesta terça (25) o projeto que estabelece agosto como o mês em que o Congresso Nacional deve dar atenção especial à análise e à fiscalização das políticas públicas do governo federal na área social.
Entre os convidados para o debate estão dois ministros de Estado. A reunião terá início às 10h.
O projeto (PL 4.035/2023) também cria uma campanha de conscientização, determinando que agosto será o Mês Nacional de Combate à Desigualdade Social e de Enfrentamento à Pobreza.
A proposta foi apresentada em 2023 pelo então deputado federal Guilherme Boulos, que se licenciou do cargo em 2025 para assumir a chefia da Secretaria-Geral da Presidência da República. Ele deve participar do encontro.
O debate, que acontecerá sob a forma de audiência pública interativa, foi solicitado pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que é o relator do projeto.
No requerimento que apresentou para solicitar o debate (REQ 84/2026 – CAS), Paim ressalta que “o Brasil permanece entre os países mais desiguais do mundo. Essa realidade não se restringe aos indicadores econômicos: manifesta-se nas profundas diferenças de acesso à saúde, à educação, ao trabalho digno, à moradia, à segurança alimentar, ao saneamento básico e à própria expectativa de vida entre diferentes grupos sociais e territórios”.
Convidados
Entre os convidados que já confirmaram a participação na audiência estão:
- o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos;
- o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias;
- a diretora de Promoção dos Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Luana Medeiros;
- a integrante da diretoria do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Adriana Marcolino;
- a coordenadora da Ação Brasileira de Combate às Desigualdades, Renata Boulos;
- o coordenador nacional do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Rud Rafael.
A reunião será realizada na sala 3 da ala Alexandre Costa.
Como participarO evento será interativo: qualquer pessoa pode enviar perguntas e comentários pelo telefone da Ouvidoria do Senado (0800 061 2211) ou pelo Portal e‑Cidadania. As mensagens podem ser lidas e respondidas pelos senadores e debatedores ao vivo. O Senado oferece uma declaração de participação, que pode ser usada como atividade complementar em curso universitário, por exemplo. Pelo Portal e‑Cidadania também é possível opinar sobre projetos e até sugerir novas leis. |
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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