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Morre escritor Luis Fernando Verissimo, aos 88 anos, em Porto Alegre

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O escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo morreu neste sábado (30), aos 88 anos, em Porto Alegre. Ele estava internado em estado grave na UTI do Hospital Moinhos de Vento, na capital gaúcha, para tratamento de uma pneumonia.

O cronista apresentava ainda mal de Parkinson, problemas cardíacos e já tinha sofrido um AVC em 2021. Um ano depois, recebeu um marcapasso no coração.

Múltiplos talentos

Luis Fernando Verissimo teve uma carreira profissional dinâmica como cartunista, tradutor, roteirista, publicitário, revisor, dramaturgo e romancista. Sua obra é marcada pelo bom humor, assertividade e crítica.

Além das palavras, foi um amante da música, se dedicando à prática do saxofone, pela qual ele gostaria também de ser lembrado, como ele revelou em uma entrevista à TV Brasil em maio de 2017.

Eu gostaria de ser lembrado pelo que eu fiz, pela minha obra, né? Se é que pode se chamar de obra, os meus livros e talvez por um solo de saxofone, um blues de saxofone bem acabado. Eu acho que é um blues. Qualquer blues. Se tu me lembrasse pelo saxofone, eu estaria satisfeito. Se eu fizesse escolher hoje entre escrever ou ser um músico profissional, eu acho que eu escolheria a música. É o que me dá mais prazer, mas agora é tarde. Com 80 anos eu posso me aperfeiçoar na música.”


Escritor Luis Fernando Veríssimo. Foto: Lindomar Cruz/Agência Brasil
Escritor Luis Fernando Veríssimo. Foto: Lindomar Cruz/Agência Brasil

Escritor Luis Fernando Veríssimo. Foto: Lindomar Cruz/Agência Brasil – Lindomar Cruz/Agência Brasil

Obras publicadas

Filho do escritor Érico Verissimo, Luis Fernando Verissimo publicou mais de 80 títulos. Entre eles:

  • As Mentiras que os Homens Contam;
  • O Popular: Crônicas ou Coisa Parecida;
  • A Grande Mulher Nua; e
  • Ed Mort e Outras Histórias.

O Analista de Bagé, lançado em 1981, teve a primeira edição esgotada em uma semana. Um resultado impressionante para qualquer um, ainda mais para quem quis ser aviador ou arquiteto e nunca pensou em ser escritor, explica Verissimo.

“Eu nunca tive ideia de ser escritor e muito menos jornalista, né? Eu comecei a escrever depois dos 30 anos. Era até então a convivência com o pai, com a biblioteca dele… Me influenciaram diretamente, né? Quando eu comecei a escrever, eu já sabia como é que se fazia. Quando eu comecei a trabalhar no jornal Zero Hora, aqui de Porto Alegre, né? Naquele tempo não precisava ter diploma de jornalista. Eventualmente, quando o cronista principal do jornal saiu, me pediram então para substituí-lo. Foi uma coisa meio acidental. Não foi mais iniciativa minha, não.”

Prêmios e homenagens

Entre prêmios, homenagens, medalhas e títulos que recebeu ao logo da carreira, estão o Prêmio Jabuti de 2013, pela obra Diálogos Impossíveis, e o Prêmio Juca Pato de Intelectual do ano de 1996.

Em 2014, Verissimo foi homenageado no Carnaval de Porto Alegre pela Escola de Samba do Grupo Especial Imperadores do Samba. A agremiação ficou em 1º lugar.

Luis Fernando Verissimo recebeu ainda o Prêmio Francês Dois Oceanos de 2004, reconhecimento internacional, que prestigia autores que levam a cultura latino-americana para além do continente.

Veríssimo deixa três filhos e a esposa Lúcia Helena Massa, com quem foi casado por mais de 60 anos.


Fonte: EBC Cultura

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90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo

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A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.

Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes. 

“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje,  a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”. 

 

Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência. 

“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.

Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.

Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.

São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.

Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.

  A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.

“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.

O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.

*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.


Fonte: EBC Cultura

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