Opinião
Por uma Justiça mais célere e eficiente
Opinião
*Paola Fernandes
A morosidade judicial é um dos maiores desafios do sistema de Justiça brasileiro. Cada processo que se arrasta representa mais do que números: são vidas impactadas, direitos postergados, expectativas frustradas e, em última análise, a confiança da sociedade nas instituições comprometida. O atraso nas decisões gera custos adicionais, desgaste emocional e aumenta a percepção de injustiça.
Esse cenário mostra que a celeridade não é apenas um objetivo administrativo, mas uma exigência social. A sociedade demanda respostas rápidas e confiáveis, e a efetividade do Judiciário depende diretamente da capacidade de entregar decisões em tempo adequado. O desafio é grande, mas não intransponível. Diversos tribunais têm demonstrado que a modernização, aliada à gestão eficiente, pode transformar significativamente o funcionamento da Justiça.
O uso inteligente da tecnologia é um dos caminhos mais promissores. Ferramentas de automação de processos, digitalização de documentos, inteligência para gestão de acervos e análise de dados podem reduzir gargalos e aumentar a produtividade sem comprometer a qualidade das decisões. Experiências nacionais mostram que tribunais que apostaram em inovação conseguiram diminuir prazos médios de processos e melhorar a experiência do cidadão com a Justiça.
No entanto, a tecnologia sozinha não resolve o problema. É necessário repensar a gestão interna, otimizar fluxos e procedimentos e estimular a cultura de produtividade aliada à qualidade. A advocacia tem papel essencial nesse processo. Advogados e advogadas contribuem diretamente para a eficácia da Justiça, sugerindo soluções, promovendo mediação e conciliando interesses de forma eficiente, sem abrir mão da segurança jurídica. O diálogo entre magistratura e advocacia é, portanto, fundamental para o sucesso das iniciativas de modernização.
Outro ponto relevante é a necessidade de políticas públicas e iniciativas institucionais que valorizem a inovação e a eficiência. Incentivar a capacitação, reconhecer boas práticas e integrar diferentes áreas do Judiciário contribui para reduzir o acúmulo de processos e criar um ambiente de trabalho mais produtivo e ético. A inovação, nesse sentido, não se limita a ferramentas digitais, mas se estende à gestão de pessoas, processos e conhecimento.
A busca por uma Justiça mais ágil não deve ser vista como um desafio apenas operacional, mas como uma missão social. Uma Justiça eficiente é também uma Justiça que protege direitos, fortalece a cidadania e reconstrói a confiança da população em suas instituições. A transformação do Judiciário exige coragem, planejamento e compromisso com a transparência, mas os resultados impactam diretamente a vida de milhões de brasileiros e brasileiras.
O caminho para a eficiência não é simples, mas é possível. Ao combinar tecnologia, gestão estratégica e colaboração com a advocacia, é viável construir um Judiciário capaz de responder às demandas atuais da sociedade sem comprometer a segurança e a qualidade das decisões. Um Judiciário ágil é, ao mesmo tempo, confiável, democrático e próximo das necessidades do cidadão.
*Advogada há mais de 20 anos no Direito Empresarial, Cível e Recuperação de Empresas e, atualmente, no Núcleo de Estratégia Jurídica da Caixa Econômica Federal e ex-vogal suplente da OAB-MT na Junta Comercial de Mato Grosso.
Opinião
Biocombustíveis: o Antídoto Brasileiro frente à Crise Energética Global
A história mostra que grandes crises energéticas costumam abrir caminhos para mudanças estruturais. Foi assim na década de 1970, quando o Brasil, pressionado pelo choque do petróleo, criou o Pró-Álcool e deu início a uma das cadeias produtivas mais eficientes do mundo. Agora, diante das incertezas no tabuleiro geopolítico e de uma nova escalada global dos combustíveis fósseis, o Brasil se encontra em uma posição singular, com a oportunidade de ampliar, avançar e consolidar uma maior participação dos biocombustíveis na matriz energética nacional.
O mundo vive um cenário de instabilidade energética. Enquanto os tambores de guerra ecoam no Oriente Médio e as tensões escalam em regiões vitais para o suprimento de energia, o preço do barril de petróleo voltou a assombrar as economias globais, superando os US$ 100, impulsionado pelo risco de interrupções no fornecimento global. Isso impacta diretamente o custo do diesel, do transporte, dos fertilizantes e, consequentemente, de toda a cadeia produtiva.
No Brasil, esse efeito já é sentido no campo. O diesel mais caro pressiona o frete, encarece a produção, diminui a margem e reduz a competitividade. Mas, ao contrário de muitos países, temos uma vantagem estratégica clara, que ameniza estes impactos e pode ganhar muito mais protagonismo, passando a ser um verdadeiro triunfo contra a volatilidade do mercado internacional: os biocombustíveis.
Esse não é um ativo trivial. É, hoje, um diferencial competitivo e um escudo econômico.
O Brasil construiu, ao longo de décadas, com visão e persistência, a indústria de biocombustíveis mais sofisticada do mundo. Dispomos de matéria prima abundante, integração da cadeia produtiva, alta tecnologia de processamento e capacidade de escala como poucos países, sendo ambientalmente mais responsáveis, despontando ainda na vanguarda da descarbonização.
O etanol e o biodiesel, por exemplo, deixaram de ser apostas para se tornarem pilares da matriz energética nacional, com misturas obrigatórias entre as mais significativas do planeta. Além disso, a maior parte da frota nacional está preparada para utilizar diferentes combinações de combustíveis, o que dá flexibilidade ao sistema. Contudo, precisamos avançar muito mais para não sermos vítimas da subutilização do nosso potencial.
Mato Grosso é um exemplo claro disso. O estado é líder na produção de grãos e maior produtor de etanol de milho do País. Para se ter uma ideia, na produção total de etanol, saímos de 2,44 bilhões de litros na safra 19/20 – com equilíbrio de produção de etanol de cana de açúcar e de milho e devemos alcançar na safra 26/27, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) cerca de 8,44 bilhões de litros, sendo 86% desse montante oriundo da produção de etanol de milho, o que representa um aumento exponencial de 500% somente deste produto, no período. Nesse ínterim, o estado também praticamente dobrou sua produção de biodiesel, alcançando um recorde de 2,30 bilhões de litros em 2025, consolidando-se como segundo maior produtor do Brasil. Ou seja, temos matéria-prima, escala e tecnologia para ampliar ainda mais nossa participação na matriz energética nacional. O que falta, portanto, não é capacidade produtiva, mas decisão política.
Nesse contexto, a necessidade da ampliação agora da mistura de biodiesel ao diesel para 20% – o chamado B20 e do etanol na gasolina para 35% (E35), deixa de ser apenas uma agenda setorial e passa a ser uma decisão estratégica de Estado. Elevar a mistura de biocombustíveis aos combustíveis fósseis é uma medida concreta, de impacto imediato. Isso reduz a dependência de combustíveis fósseis importados, protege a economia das oscilações internacionais e ainda fortalece a cadeia produtiva nacional, gerando emprego e renda, atraindo investimentos e promovendo o desenvolvimento regional.
Diante de um cenário internacional marcado por incertezas, o Brasil não pode hesitar. Ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética não é apenas desejável — é necessário. Sem contar que neste momento, por exemplo, o preço do óleo diesel A S10 importado está em R$ 6,40/litro, valor mais alto que o biodiesel, comercializado a R$ 5,15/litro, segundo dados oficiais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o que reafirma mais um benefício direto, com redução do valor final para o consumidor. Ou seja, precisamos fazer escolhas que fortaleçam a produção interna, reduzam as nossas vulnerabilidades, protejam o consumidor e reafirmem a autonomia do país em um mundo cada vez mais volátil.
Se há uma lição a ser tirada da atual crise energética global é que: depender excessivamente de fontes externas e concentradas de energia é um risco estratégico.
Nosso país é um gigante energético que ainda não despertou completamente para o seu próprio potencial. Temos todas as condições de estabelecer alternativas reais ao petróleo, com competitividade de mercado e produção 100% nacional. O que falta é transformar isso em política de Estado, com previsibilidade e regulamentação, que garantam segurança aos investimentos para ampliação da capacidade produtiva com confiança e estabilidade.
O futuro da energia está sendo disputado agora. E, graças à sua trajetória, o Brasil já saiu na frente nesta competição. Temos o remédio nas mãos. Temos biocombustíveis. É hora de usar essa vantagem estratégica para proteger nossa economia e mostrar que o futuro, além de verde, é produzido em solo brasileiro!
• Por: Cidinho Santos, ex-senador por MT, empresário do agronegócio e CEO do Grupo MC Empreendimentos e Participações
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