Opinião
Realidade virtual, IA e o futuro do design corporativo
Opinião
*Márcia Oliveira
Que a realidade virtual é um fato e veio pra ficar, é inegável. Recentemente tive a oportunidade de estar por quatro dias em uma feira de negócios focada no agro, a GreenFarm, e percebi o quanto a tecnologia já deixou de ser uma tendência distante para se tornar uma realidade concreta.
Durante estes dias, visitantes e clientes passaram pelo estande e puderam ver, de perto, como a inovação está cada vez mais presente no agronegócio. Um setor que, embora tenha suas raízes no campo, hoje se conecta a diversos segmentos da cadeia produtiva – inclusive o design corporativo.
O que quisemos mostrar é que o agro não acontece apenas na lavoura, mas também dentro dos escritórios, nas salas de reunião, nos espaços de convivência e nas estações de trabalho. É nesses ambientes que muitas decisões estratégicas são tomadas e o design tem papel essencial para estimular produtividade, bem-estar e criatividade.
A grande novidade da Neomóbile foi a utilização da realidade virtual como ferramenta de apresentação. Quem visitou nosso estande pôde caminhar por projetos em escala real antes mesmo de eles saírem do papel. O impacto foi imediato: a experiência imersiva não só encantou os visitantes, mas também mostrou como a tecnologia se torna uma aliada do nosso processo comercial, oferecendo mais segurança e clareza na tomada de decisão.
E isso é apenas o começo. A inteligência artificial e as tecnologias imersivas vieram para ficar. No design corporativo, elas vão transformar desde a concepção até a entrega dos projetos. Vejo a IA como uma parceira estratégica: com ela, será possível otimizar processos, personalizar ainda mais as soluções e antecipar cenários que antes dependiam apenas da imaginação.
Outro ponto que me marcou na GreenFarm foi a presença feminina. Na sexta-feira, penúltimo dia do evento, praticamente todas as palestras foram conduzidas por mulheres, um reflexo da força e da representatividade que conquistamos dentro de um setor historicamente masculino. É inspirador ver como o agro se abre para novas vozes, olhares e lideranças.
Posso dizer que saí da feira com a certeza de que estamos alinhados ao futuro. O agronegócio já é sinônimo de inovação e tecnologia – e o design corporativo faz parte dessa transformação. Investir em soluções que unam funcionalidade, estética e tecnologia já eram marcas de quem quer se destacar, mas depois do que eu vi, vejo que são necessidades. A lição aprendida é que é precisamos estar prontos hoje para o amanhã.
*Márcia Oliveira é empresária e diretora da Neomóbile.
Opinião
A liberação do spray de pimenta não substitui o dever do Estado de proteger as mulheres
A publicação da Lei nº 15.474, de 23 de julho de 2026, que autoriza o uso de spray de pimenta por mulheres em situação de perigo, trouxe um importante debate sobre a proteção feminina. Reconheço que qualquer ferramenta que possa ampliar as possibilidades de defesa merece ser analisada. No entanto, é preciso compreender que essa medida, por si só, não resolve o problema da violência contra a mulher.
Na prática, vejo essa iniciativa como uma alternativa paliativa. A maioria dos crimes de violência doméstica acontece dentro de casa, de forma repentina, quando a vítima é surpreendida pelo agressor. Nesses momentos, dificilmente haverá tempo para procurar um spray de pimenta, manuseá-lo e conseguir utilizá-lo de forma eficaz. A realidade vivenciada diariamente pelas vítimas demonstra que a violência nem sempre permite qualquer reação.
Minha preocupação é que, mais uma vez, estejamos transferindo para a mulher a responsabilidade pela própria proteção. O dever de protegê-la continua sendo do Estado e esse compromisso é indeclinável. Não podemos permitir que a existência de um instrumento de defesa pessoal seja interpretada como solução para um problema que exige políticas públicas permanentes e eficazes.
Precisamos fortalecer o monitoramento das medidas protetivas de urgência, garantindo que elas sejam realmente cumpridas e que o agressor seja fiscalizado. Também é indispensável investir em ações preventivas, educação, acolhimento e no funcionamento efetivo da rede de proteção, permitindo que as mulheres encontrem apoio antes que a violência alcance níveis extremos.
Da mesma forma, é essencial que o sistema de Justiça atue com rapidez e eficiência na investigação e na responsabilização dos crimes de violência contra a mulher. A impunidade alimenta novos episódios de violência, enquanto a certeza da punição contribui para a prevenção e para a proteção das vítimas.
O spray de pimenta pode representar uma alternativa em situações específicas e, eventualmente, salvar vidas. Contudo, ele jamais poderá substituir a presença do Estado. A verdadeira proteção nasce de políticas públicas eficientes, do cumprimento rigoroso das medidas protetivas, da atuação integrada das instituições e do compromisso permanente com a segurança e a dignidade das mulheres. Somente assim deixaremos de responsabilizar a vítima por sua própria proteção e assumiremos, como sociedade, o dever coletivo de combater a violência de forma efetiva.
Jannira Laranjeira é Delegada de Polícia | Especialista em Enfrentamento à Violência contra Mulheres e Vulneráveis
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