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Cuidados Paliativos: um compromisso com a dignidade humana

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Neste domingo (12.10), celebramos o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, uma data que nos convida a refletir sobre o cuidado com aqueles que enfrentam doenças graves e incuráveis.

Na quarta-feira (08), apresentei à Assembleia Legislativa de Mato Grosso o Projeto de Lei nº 1148/2025, que aprimora o Programa Estadual de Assistência Paliativa, alinhando-o à Política Nacional instituída pelo Ministério da Saúde em 2024. Esta não é apenas uma atualização legislativa – é um compromisso com a dignidade humana em seus momentos mais vulneráveis.

Falar sobre cuidados paliativos é falar sobre respeito, dignidade e compaixão. É reconhecer que a saúde pública deve também aliviar o sofrimento, acolher a dor e garantir que cada pessoa tenha o direito de receber o melhor cuidado ao fim da vida.

O projeto traz inovações significativas: reconhecimento das diversidades étnicas, culturais, sociais e religiosas; diretrizes claras desde a identificação precoce das necessidades até o apoio ao luto; indicadores de qualidade e capacitação profissional continuada; leitos específicos, incentivo à pesquisa e campanhas de conscientização.

Na quinta-feira (9), Mato Grosso foi impactado por um caso doloroso em Cuiabá: uma idosa de 88 anos em cuidados paliativos domiciliares foi encontrada morta em sua residência, ao lado do corpo do filho, que havia falecido dias antes. A mãe permaneceu sozinha, por dias, no mesmo quarto onde jazia o corpo de seu filho.

Esta tragédia nos mostra que precisamos urgentemente de políticas públicas mais robustas, fiscalização efetiva, equipes capacitadas e uma rede de apoio que funcione de verdade. Nenhuma pessoa deveria viver seus últimos dias em tamanha solidão e sofrimento.
O Projeto de Lei nº 1148/2025 deve ser votado na próxima quarta-feira (15). Convido cada mato-grossense a conhecer a proposta e a nos ajudar a construir um Estado onde ninguém precise enfrentar sozinho o momento mais delicado da existência.

Cuidar de quem já não pode ser curado é um dos maiores gestos de humanidade que podemos oferecer. É sobre isso que estamos legislando. É sobre isso que Mato Grosso merece avançar.

Max Russi, deputado estadual e atual presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

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Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.

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