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Autodefesa feminina é debatida na Câmara de Cuiabá

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A tribuna da Câmara de Cuiabá foi “ocupada”, nesta quinta-feira (19), por um tema sensível e urgente: a segurança das mulheres. Durante o grande expediente da sessão ordinária, a vereadora Katiuscia Manteli (PSB) apresentou e defendeu o projeto de lei que autoriza, no município à comercialização, aquisição, posse e porte de spray de pimenta para fins de defesa pessoal.

Logo no início da fala, a parlamentar destacou a repercussão da proposta. “Aproveito o grande expediente para trazer à tribuna um projeto de lei que apresentamos e que teve uma repercussão muito positiva, até maior do que imaginávamos. A proposta trata da regulamentação da comercialização, aquisição e porte do spray de pimenta por mulheres para fins de defesa pessoal”, afirmou.

Ela explicou que a ideia já existia desde o início do mandato, mas esbarrava em questionamentos jurídicos. “Nós tínhamos essa proposta prevista desde o começo, mas havia uma discussão sobre inconstitucionalidade, já que a comercialização é monitorada pelo Exército Brasileiro e, em tese, caberia à União legislar sobre isso”, pontuou.

Segundo a vereadora, decisões recentes em estados como o Paraná e o Rio de Janeiro abriram espaço para o debate em âmbito local. Ela também mencionou que o tema já tramita no Congresso Nacional, com uma proposta em análise na Câmara dos Deputados para a regulamentação em todo o país.

A proposta prevê autorização automática para mulheres maiores de 18 anos e, no caso de adolescentes entre 16 e 18 anos, mediante autorização expressa dos responsáveis legais.

Sensação de segurança

Durante o discurso, Katiuscia reforçou que o projeto não incentiva o confronto, mas busca oferecer uma alternativa não letal de proteção. “Parece loucura? Não é! Quando a gente pesquisa, vê mulheres caminhando nas grandes capitais com spray de pimenta na bolsa. Muitas nunca precisaram usar, mas carregam pela sensação de segurança”, disse.

Ela citou o artigo 25 do Código Penal, que trata da legítima defesa, para fundamentar a proposta. “O Código Penal prevê o uso moderado dos meios necessários para repelir uma agressão injusta. Entendemos que o spray de pimenta pode ser um desses meios, principalmente diante de crimes como feminicídio, assédio e importunação sexual”, argumentou.

A vereadora ressaltou que o dispositivo não deve ser utilizado em situações como assaltos com arma de fogo. “Se a pessoa estiver armada, com ou sem spray, você não vai reagir. Vai entregar o celular, a bolsa. O projeto não é para incentivar reação em assalto, mas para dar uma chance à mulher diante de uma agressão física iminente”, explicou.

Números alarmantes

Ao defender a proposta, a parlamentar chamou a atenção para o aumento dos casos de feminicídio. “Em 2025, tivemos em Mato Grosso o maior índice de feminicídios dos últimos cinco anos. Nunca se falou tanto em campanhas de combate à violência contra a mulher e mesmo assim os números continuam crescendo”, lamentou.

Segundo ela, mudanças estruturais no Código Penal não dependem do Legislativo municipal, mas isso não impede a busca por medidas complementares. “A única forma de mudar esse cenário de forma ampla é alterando a legislação penal, e isso não está ao nosso alcance. Então, enquanto vereadores, vamos buscando meios possíveis, dentro da nossa competência, para, pelo menos, ampliar o debate e oferecer alternativas”, destacou.

Regras e penalidades

O projeto estabelece critérios rigorosos para a aquisição do spray, como a comprovação de idade, apresentação de documento com foto, comprovante de residência, autodeclaração de inexistência de condenação por crime doloso violento e, no caso de menores de 18 anos, autorização formal dos responsáveis.

Também determina que o uso só será considerado lícito em caso de agressão injusta, atual ou iminente, de forma proporcional e moderada. O uso indevido poderá gerar advertência, multa, apreensão do dispositivo e até responsabilização penal.

“A gente não está falando de banalizar o uso. Há requisitos, controle, rastreabilidade e penalidades para quem o usar de forma indevida. O objetivo é a proteção, não a ofensiva”, frisou.

Ao encerrar, Katiuscia reforçou que o debate é, acima de tudo, sobre dar às mulheres uma possibilidade de reação diante do risco. “Não sabemos se o spray vai salvar vidas. Mas sabemos que pode dar à mulher a chance de tentar lutar pela própria vida. E, diante da realidade que vivemos, essa chance já faz diferença”, concluiu.

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Cuiabá

Prefeitura e ALMT se unem para buscar solução para famílias ameaçadas de despejo

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A atuação conjunta do prefeito Abilio Brunini e do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi, marcou a mediação do conflito envolvendo moradores do Residencial Villas das Minas e dos condomínios Lavras do Sul I e II, em Cuiabá. A mobilização ocorreu diante da ameaça de despejo que atingia centenas de famílias em um impasse jurídico que se arrasta há décadas.

Durante encontro com os moradores, o prefeito Abilio Brunini adotou um tom de cautela e orientação, pedindo tranquilidade diante da situação. Ele reforçou que não haveria ações abruptas e que todas as medidas seriam conduzidas dentro da legalidade. “O que joga contra vocês é o pânico. Ninguém vai arrancar vocês de uma hora para outra. Tudo será feito dentro da lei, com os instrumentos legais que temos”, afirmou.

O prefeito também destacou que a Procuradoria do Município estava mobilizada para atuar no caso, com medidas judiciais e pedido de urgência para tentar suspender a ordem de despejo, além de alertar os moradores sobre possíveis oportunistas oferecendo soluções irregulares.

A articulação institucional teve resultado direto. Após atuação do deputado Max Russi e do prefeito junto à Corregedoria-Geral da Justiça, foi recomendada nesta sexta-feira (17) a suspensão do despejo de 656 famílias dos condomínios Villas das Minas e Villas das Lavras do Sutil I e II, localizados na região do Porto. A medida foi encaminhada pelo desembargador José Luiz Leite Lindote ao juiz da 1ª Vara Cível de Cuiabá, responsável pelo caso.

A decisão determina o envio do processo à Comissão Regional de Soluções Fundiárias e orienta a suspensão de qualquer medida de desocupação coletiva até análise técnica detalhada. O encaminhamento segue diretrizes do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, que preveem tratamento humanizado em situações de grande impacto social.

Max Russi destacou o alívio imediato para os moradores e a importância da resposta institucional. “Saiu a decisão que tanto queríamos. Entramos com a nossa procuradoria e o pedido foi acolhido. Isso traz tranquilidade para as famílias que estavam angustiadas”, afirmou.

Com a recomendação, o caso passará por avaliação socioeconômica das famílias, articulação com órgãos públicos e busca por alternativas à desocupação. A expectativa é de que, com a atuação conjunta entre Prefeitura e Assembleia Legislativa, o impasse avance para uma solução conciliatória, evitando a retirada em massa e reduzindo os impactos sociais em Cuiabá.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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