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O amor de mãe é o que nos inspira a cuidar de pessoas

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Paula Calil

Ser mãe é a missão mais transformadora da minha vida. Antes de qualquer cargo público, da política e das responsabilidades institucionais, eu sou mãe de três filhos: Maria Paula, Luis Faissal e Carlos Roberto. Também sou filha de uma mulher que sempre foi minha maior referência de força, amor e fé: dona Marizete Calil.

Foi observando minha mãe que aprendi o verdadeiro significado de cuidado, dedicação e coragem. Com ela, entendi que ser mãe é, muitas vezes, silenciar a própria dor para proteger os filhos, seguir firme diante das dificuldades e jamais desistir da família. Muito do que carrego na vida pessoal e pública nasceu dentro de casa, por meio dos ensinamentos e, principalmente, do exemplo dela.

Neste Dia das Mães, meu coração se volta para todas as mulheres que vivem diariamente os desafios e as alegrias da maternidade. Mulheres que trabalham, cuidam da casa, enfrentam dificuldades silenciosas, protegem seus filhos e seguem em frente mesmo quando tudo parece difícil.

Conheço essa realidade porque também vivo a maternidade todos os dias.

Ser mãe transforma nossa forma de enxergar o mundo. Passamos a pensar ainda mais no futuro, nas oportunidades que queremos deixar para nossos filhos e na sociedade que estamos ajudando a construir. E foi justamente esse sentimento que fortaleceu em mim o desejo de trabalhar por uma Cuiabá mais humana, acolhedora e comprometida com as famílias.

Na presidência da Câmara Municipal de Cuiabá, tenho buscado incentivar ações que aproximem o poder público das necessidades reais das mulheres cuiabanas. Porque acredito que política também deve ser sinônimo de acolhimento, cuidado e transformação social.

Nos últimos anos, a Câmara avançou em pautas importantes voltadas às mães, às gestantes e à valorização feminina. Projetos como a Semana da Maternidade Atípica, o Dia Municipal da Mãe Enlutada e o Maio Furta-Cor, campanha de conscientização sobre a saúde mental materna e os direitos emocionais e sociais da mulher, representam mais do que leis: simbolizam reconhecimento, respeito e empatia com mulheres que enfrentam batalhas silenciosas diariamente.

Também tive a oportunidade de defender iniciativas voltadas à proteção e ao fortalecimento das mulheres cuiabanas. Entre elas, projetos ligados ao combate à violência contra a mulher, à prioridade de transferência escolar para filhos de vítimas de violência doméstica, além de ações de incentivo ao empreendedorismo feminino, promovendo mais autonomia e dignidade para tantas mães que sustentam seus lares.

Outro avanço importante foi a implantação da Procuradoria Especial da Mulher na Câmara Municipal de Cuiabá, fortalecendo a defesa dos direitos femininos e ampliando os canais de acolhimento, orientação e proteção dentro do Legislativo.

Também tenho muito orgulho da reabertura da Sala de Amamentação da Câmara de Cuiabá, um espaço de apoio às mães trabalhadoras, símbolo de respeito à maternidade e incentivo ao aleitamento materno.

Esse compromisso com o acolhimento feminino também esteve presente nas ações desenvolvidas pela Sala da Mulher da Câmara ao longo de 2025. Promovemos palestras sobre saúde mental materna, rodas de conversa, campanhas de valorização da vida, atendimento jurídico gratuito para mulheres e iniciativas de apoio emocional e social.

Também realizamos ações voltadas ao fortalecimento feminino, valorização da autoestima, bem-estar e apoio social, sempre buscando aproximar o poder público das necessidades reais das mulheres cuiabanas.

Como mulher, cristã e vereadora do Partido Liberal (PL), acredito que governar é também servir. É olhar para as pessoas com humanidade, ouvir suas necessidades e trabalhar para transformar vidas.

O legado que quero deixar para Cuiabá vai muito além de obras ou decisões administrativas. Quero contribuir para a construção de uma cidade mais acolhedora, onde as mães sejam respeitadas, valorizadas e apoiadas não apenas em datas comemorativas, mas todos os dias.

Quero que as mulheres cuiabanas sintam que têm voz, apoio e esperança. Que saibam que não estão sozinhas diante das dificuldades da vida.

Porque mães fortes constroem famílias fortes. E famílias fortes constroem uma cidade melhor para todos.

Neste Dia das Mães, deixo minha gratidão, meu respeito e minha homenagem a todas as mães cuiabanas: às mães solo, às mães atípicas, às mães trabalhadoras, às mães empreendedoras, às que enfrentam batalhas silenciosas diariamente e às mulheres que fazem do amor sua maior força.

Que Deus abençoe cada mãe de Cuiabá com saúde, sabedoria e esperança.

Paula Calil é vereadora pelo Partido Liberal (PL), presidente da 1ª Mesa Diretora 100% feminina do Brasil da Câmara Municipal de Cuiabá, mãe e empreendedora.

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ESTRUTURAS VIRAIS

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Considero pouco representativo, ou até mesmo um pouco inexpressivo, dizer-se existir um racismo estrutural. Adjetivar quase que em exclusivo uma única característica de nós próprios, suaviza demais a real dimensão estrutural da nossa sociedade. Entendo que essa adjetivação estrutural deva também ser feita sempre que falamos de impunidade, medo ou do desconhecimento que nos assolam. Procurando não ser interpretado como preconceituoso ou generalista, alego-me a desenvolver o assunto primeiramente na minha pessoa em particular. 

Eu sou estruturalmente racista? Não sei… Talvez nos genes, talvez por ter nascido em África, onde de imediato fui diagnosticado com essa terrível doença. Há vários anos que a combato diariamente aplicando um raciocínio dialético que me tranquiliza, mas que por si só não elimina o aparecimento de sintomas na minha área circundante. Com o seu elevado grau de agressividade a doença causa também em mim um sofrimento crônico com o qual, infelizmente, poderei ter de conviver até o final dos meus dias. 

Eu vivencio impunidade estrutural? Sim, vivencio. Em grande medida por nunca ter sido punido pelos meus progenitores que me educaram, de dentro para fora, em todas as oportunidades que tiveram ou criaram para esse efeito. Não obstante o fervor da impunidade fruto da juventude, a minha subversidade e o meu olhar sobre o alheio permitiu-me não ser excluído do convívio humano que tanto prezo. Hoje, sem o abrigo de qualquer organização, sigo impune igual a muitos outros bem diferentes de mim. 

Eu sofro de desconhecimento estrutural? Claro que sofro. Sofro em virtude de limitações cognitivas, sofro por ausência do chão da sala de aula e também pela imensidão de conteúdos desinteressantíssimos com que o meu espaço/tempo coletivo é sistematicamente desfocado. E suspeito que vá continuar a sofrer por inadaptabilidade congênita, por um ecletismo bem adubado e pelas desastrosas políticas de educação que se concretizam atabalhoadamente na lógica de que o conhecimento é um privilégio. 

Eu tenho medo estrutural? Tenho vários. Um deles é de que há semelhança do que acontece com o trabalho que perde direitos para um empreendedorismo de obrigação, a educação venha também ela a perder direitos para uma expressividade artificial. Outro medo estrutural é que possa não ser mais licito eu aprimorar-me e que dessa forma tenha de me substituir compulsoriamente. Não escondo tratar-se de dois receios recentes que adoraria conseguir repassar a terceiros em virtude deles me instigarem a critica e a liberdade. 

É-me agora mais fácil dizer que a esmagadora maioria dos cidadãos conhece na pele, o quanto nosso corpo ainda nos representa, vestido ou despido, bem como quanto também ainda toleramos escoar as nossas violências através da impunidade. Arrisco-me até a dizer que conseguimos entender que o desconhecimento e o medo caminham juntos desde os primórdios da humanidade e que agora os utilizamos como uma poderosa arma de subjugação. 

Pior que não se trata somente de racismo, impunidade, medo ou desconhecimento. O machismo, a displicência, a economia a que servimos, entre outros aspectos que materializamos num contexto sócio biológico, são todos eles resultado inequívoco de nós mesmos. Produto revelador do vírus autodestrutivo que somos e que se extingue sem exceder a sua singularidade. Esperando agora também não ser interpretado como apocalíptico, entendo oportuno dizer o quanto considero urgente chamar-se os jovens para mais perto de nós. Eles podem ajudar-nos a aliviar o que estamos a fazer para com eles. 

Rui Perdigão – Administrador, Geógrafo, Presidente da Associação Cultural Portugueses de Mato Grosso.
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