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Treinar em jejum faz bem para o coração e ajuda a emagrecer?

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O treino em jejum ganhou popularidade entre pessoas que desejam emagrecer, melhorar o metabolismo ou aumentar o uso de gordura durante o exercício. No entanto, apesar das promessas frequentemente divulgadas nas redes sociais, essa estratégia não é obrigatória para obter bons resultados e não é adequada para todos.

Antes de tudo, é importante diferenciar duas práticas. O jejum intermitente organiza os horários das refeições, alternando períodos de alimentação e jejum. Já o treino em jejum ocorre quando a pessoa se exercita várias horas após a última refeição, geralmente pela manhã, antes do café da manhã.

O corpo queima mais gordura durante o treino em jejum?

Durante exercícios aeróbicos realizados em jejum, o organismo tende a utilizar proporcionalmente mais gordura como fonte de energia. Isso, porém, não significa necessariamente maior perda de gordura corporal ao longo das semanas.

O emagrecimento depende principalmente do equilíbrio energético total, da qualidade da alimentação, da regularidade dos exercícios, do sono e da capacidade de manter o planejamento por um período prolongado. Portanto, queimar mais gordura durante uma sessão específica não garante que a pessoa emagrecerá mais ao final do processo.

Além disso, alimentar-se antes do exercício pode melhorar o desempenho em atividades aeróbicas prolongadas ou de maior intensidade. Para exercícios mais curtos, a diferença entre treinar alimentado ou em jejum costuma ser menor.

E no treinamento de força?

As evidências disponíveis indicam que realizar musculação após um jejum noturno pode produzir resultados semelhantes aos do treino alimentado em relação à força, à hipertrofia e à composição corporal, desde que a ingestão diária de energia e proteínas seja suficiente.

Na prática, o ponto mais importante não é apenas estar ou não em jejum, mas garantir uma alimentação adequada ao longo do dia, boa recuperação, sono de qualidade e progressão correta do treinamento.

Pessoas que percebem queda de rendimento, fraqueza ou dificuldade para aumentar cargas provavelmente se beneficiarão de uma refeição leve antes do exercício.

O jejum intermitente protege o coração?

O jejum intermitente pode favorecer a redução do peso, da circunferência abdominal e de alguns marcadores cardiometabólicos, especialmente em pessoas com sobrepeso ou obesidade. Entretanto, revisões recentes mostram que seus resultados geralmente são semelhantes aos obtidos com uma restrição calórica convencional. Em outras palavras, o jejum pode funcionar, mas não parece ser uma estratégia metabolicamente superior para todas as pessoas.

Combinar exercício e jejum pode ajudar na redução de peso e gordura corporal, mas os estudos ainda não demonstram uma vantagem consistente dessa combinação sobre o exercício ou a estratégia alimentar realizados separadamente para todos os indicadores cardiometabólicos.

Também não existem evidências clínicas suficientes para afirmar que o jejum previne diretamente infartos, AVC ou morte cardiovascular. Muitos dos efeitos protetores observados em animais e em estudos experimentais ainda precisam ser confirmados em grandes pesquisas de longo prazo com seres humanos.

Alguns estudos observacionais chegaram a levantar dúvidas sobre janelas alimentares muito restritas. Esses resultados, porém, não comprovam que o jejum tenha causado maior risco cardiovascular, pois podem sofrer influência da qualidade da alimentação, das doenças preexistentes e de outros hábitos dos participantes.

Quem precisa ter mais cuidado?

Treinar em jejum pode causar tontura, fraqueza, náusea, dor de cabeça, irritabilidade, redução do desempenho e, em algumas situações, hipoglicemia.

A estratégia exige avaliação individual, principalmente em pessoas que:

  • utilizam insulina ou medicamentos que podem provocar hipoglicemia;
  • têm diabetes;
  • apresentam pressão arterial muito baixa;
  • possuem doença cardiovascular;
  • estão grávidas ou amamentando;
  • são idosas ou têm risco de perda de massa muscular;
  • apresentam histórico de transtorno alimentar;
  • realizam treinos longos, intensos ou competições;
  • usam medicamentos que precisam ser ingeridos com alimentos.

Ao surgirem dor no peito, falta de ar desproporcional, palpitações persistentes, desmaio, confusão, suor frio ou tontura intensa, o exercício deve ser interrompido e a pessoa precisa ser avaliada.

Como fazer de maneira mais segura?

Para quem está saudável, bem avaliado e se sente confortável treinando em jejum, algumas medidas podem tornar a prática mais segura:

  1. Comece com atividades leves ou moderadas e observe a resposta do organismo. Mantenha boa hidratação, evite testar o jejum pela primeira vez em treinos intensos e programe uma refeição adequada após o exercício, com proteínas, carboidratos, fibras e alimentos pouco processados.
  2. Em treinos de longa duração, exercícios intervalados intensos, musculação de alto volume ou atividades voltadas ao máximo desempenho, alimentar-se previamente pode proporcionar mais energia e melhor qualidade de treinamento.

Também é preciso evitar um erro frequente: passar muitas horas sem comer e, depois, compensar com uma refeição excessiva, pobre em nutrientes e rica em produtos ultraprocessados. O horário da alimentação não neutraliza uma dieta de baixa qualidade.

A mensagem mais importante

O treino em jejum não é um atalho metabólico nem uma condição necessária para emagrecer. Ele pode ser uma opção conveniente para algumas pessoas e inadequada para outras.

Para a saúde cardiovascular, o que mais importa continua sendo a regularidade da atividade física, a preservação da massa muscular, a alimentação de qualidade, o controle da pressão, da glicemia e do colesterol, o sono adequado e a ausência de tabagismo.

A melhor estratégia não é a mais radical ou a mais popular. É aquela que respeita a condição clínica, melhora o desempenho, preserva músculos e pode ser mantida com segurança ao longo do tempo.

 

Dr. Max Wagner de Lima

Cardiologista
CRM-MT 6194 | RQE 2308

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Ossos humanos expostos, produtos vencidos e falta de água levam CRM a interditar IML em MT

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O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) oficializou, na última sexta-feira (31), a interdição ética do Instituto Médico Legal (IML) de Barra do Garças após uma fiscalização identificar graves irregularidades na unidade. Com a medida, nenhum ato médico poderá ser realizado no local até que as inadequações sejam sanadas.

A decisão havia sido aprovada por unanimidade pelo plenário do CRM-MT no fim de maio, com base em um relatório técnico que apontou condições incompatíveis com o funcionamento de um serviço de medicina legal. A equipe do Departamento de Fiscalização do Conselho esteve no IML para comunicar oficialmente a direção sobre a interdição.

Entre as irregularidades encontradas estão produtos químicos vencidos há mais de dez anos, materiais utilizados em procedimentos com prazo de validade expirado e falhas na estrutura física, como ausência de condições adequadas de higiene e de itens essenciais para o funcionamento seguro da unidade.

A inspeção também constatou a falta de água potável para consumo, inexistência de banheiro e de espaço de descanso destinado aos médicos, além do armazenamento irregular de ossos humanos em um recipiente aberto, dentro de uma sala utilizada para guardar materiais de limpeza.

O relatório ainda aponta a ausência de equipamentos obrigatórios, problemas de acessibilidade, falta de alvarás atualizados da Vigilância Sanitária e do Corpo de Bombeiros, inexistência de registro da unidade junto ao CRM-MT e a ausência de um diretor técnico formalmente designado.

Segundo o presidente do CRM-MT, Adriano Pinho, a interdição ética é aplicada apenas em situações excepcionais, quando as condições verificadas representam risco à segurança dos profissionais, dos pacientes e da população atendida.

A medida segue normas do Conselho Federal de Medicina e permanecerá em vigor até que todas as irregularidades sejam corrigidas e o IML apresente condições adequadas para retomar os serviços médicos.

Além da unidade de Barra do Garças, outros núcleos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) em Mato Grosso também passaram por fiscalização. Os relatórios dessas inspeções ainda estão em análise pelo plenário do CRM-MT e poderão resultar na adoção de novas medidas, caso outras irregularidades sejam confirmadas.

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