Cuiabá
Sonho antigo: técnicas passam a ser professoras da educação infantil
Cuiabá
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, sancionou a lei que promove uma transformação histórica na educação infantil do município ao reconhecer, de forma definitiva, as antigas Técnicas em Desenvolvimento Infantil (TDI) como Professoras de Ensino Infantil. A medida representa o encerramento de uma luta antiga da categoria por reconhecimento profissional e valorização do papel exercido diariamente nas creches e unidades de educação infantil.
A sanção da Lei Complementar nº 592 foi marcada por um gesto simbólico. O prefeito fez questão de convidar três antigas TDIs para assinarem o documento como testemunhas do ato, representando as primeiras professoras do município. “Esse é um momento de justiça histórica. Fiz questão de que elas estivessem aqui para simbolizar todas as mulheres que construíram a educação infantil de Cuiabá com dedicação e amor”, afirmou Abilio Brunini.
A luta pelo reconhecimento se arrastava há anos. Embora exercessem funções pedagógicas, de cuidado e educação integral das crianças de zero a quatro anos, as profissionais não tinham o título oficialmente reconhecido como professoras. Com a nova lei, essa distorção é corrigida, alinhando a legislação municipal às diretrizes nacionais da educação.
A emoção tomou conta das novas professoras no momento da sanção. Abraços, lágrimas e sorrisos marcaram o ato. O sentimento de realização de um sonho foi evidente, e muitas não conseguiram conter a emoção diante do reconhecimento tão aguardado.
Uma das testemunhas, a professora Rosileni Soares da Costa, não conteve as lágrimas de emoção e foi amparada por colegas igualmente sensibilizadas. “Essa assinatura não é só por mim. Ela realiza o sonho de muitas profissionais que já se aposentaram e daquelas que não tiveram a chance de viver esse momento em vida. Hoje, todas nós somos reconhecidas”, declarou, emocionada. Ao lado dela estavam as novas professoras, Carla Aparecida, Josileni Rosa e Miriam de Campos.
A lei foi assinada também pelos vereadores Sargento Joelson e Samantha Iris, que tiveram papel fundamental na construção e aprovação do projeto. Para Samantha, o reconhecimento vai além da nomenclatura. “Essas profissionais cuidam do bem mais precioso de todas as famílias, que são seus filhos. Valorizar quem está nas creches é valorizar o futuro da nossa cidade e das nossas famílias”, destacou.
Já o vereador Sargento Joelson ressaltou o alcance histórico da medida. “Essa lei traz reconhecimento e valorização histórica, inclusive financeira, para todas as novas professoras da educação infantil, corrigindo uma injustiça antiga”, afirmou.
De forma prática, a lei altera a denominação do cargo de Técnico em Desenvolvimento Infantil para Professor de Ensino Infantil, sem prejuízo de direitos adquiridos. A mudança organiza os níveis do cargo conforme a formação, garante acesso às mesmas vantagens concedidas aos demais professores da rede e assegura o reconhecimento legal da função exercida, promovendo mais dignidade, valorização profissional, financeira e justiça às educadoras que cuidam e educam as crianças de Cuiabá.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
Cuiabá
Competição de tiro com arco abre caminho para Bolsa Atleta de Mato Grosso
Atletas de 10 a 16 anos disputaram vagas para concorrer à Bolsa Atleta de Mato Grosso durante a etapa mato-grossense do Campeonato Brasileiro Escolar de Tiro com Arco, realizada na Associação Arco e Flecha Cuiabá (AAFC), no bairro Parque Geórgia, em Cuiabá. Durante a competição, cada participante efetuou 30 disparos para somar o maior número de pontos. Os dez melhores colocados do país, em cada categoria, poderão pleitear o benefício, destinado ao desenvolvimento esportivo. A etapa foi realizada na última sexta-feira (17).
A competição acontece simultaneamente em vários estados brasileiros. Cada federação estadual é responsável pela arbitragem e pelo envio dos resultados à Confederação Brasileira de Tiro com Arco, que fará a classificação nacional. Mato Grosso realiza a etapa pelo segundo ano consecutivo. Em 2025, o estudante João, de 13 anos, terminou na sétima colocação nacional e, nesta edição, busca novamente uma vaga entre os melhores do país.
Na etapa estadual, João Carlos da Silva Ferreira, da Escola Estadual Cívico Militar Hemerlinda de Figueiredo, conquistou o primeiro lugar na categoria Infantil Masculino, com 215 pontos. No Infantil Feminino, Ludmylla Roberta Santos, da mesma escola, venceu com 149 pontos, seguida por Gabrielle Erica Silva Martins, do Colégio Edificando o Futuro, com 141 pontos. Já na categoria Cadete Feminino, Anna Clara da Silva Ferreira, da EE Cívico Militar Hemerlinda de Figueiredo, ficou em primeiro lugar ao somar 188 pontos, enquanto Nicolly Mayume Batista de Carvalho, da EECM Malik Didier Namer Zahafi, terminou na segunda colocação, com 78 pontos.
Além da disputa por classificação, o evento evidenciou o fortalecimento do tiro com arco em Cuiabá, resultado do trabalho desenvolvido pela Associação Arco e Flecha Cuiabá em parceria com a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer e do apoio oferecido pelo Centro de Referência Paralímpico, administrado pela Secretaria Municipal de Educação. O centro amplia o acesso de pessoas com deficiência ao esporte e cria oportunidades para que novos atletas descubram e desenvolvam talentos em diferentes modalidades.
Centro Paralímpico revela novos talentos no tiro com arco
O coordenador da modalidade, professor Erison Ronaldo Martins, destacou que o campeonato representa uma importante porta de entrada para jovens atletas e reforça o crescimento do tiro com arco no Estado.
“Os atletas que ficarem entre os dez melhores do Brasil, em suas respectivas categorias, vão concorrer à Bolsa Atleta de Mato Grosso. Isso é um incentivo importante para quem está começando e sonha em evoluir no esporte”, explicou.
Segundo ele, a modalidade vive um momento de expansão em Cuiabá.
“O tiro com arco está evoluindo aqui em Cuiabá e em Mato Grosso. Estamos dando os primeiros passos e descobrindo muita gente talentosa, principalmente nas categorias de base”, afirmou.
Erison também chamou a atenção para a participação da atleta paralímpica Nicolly Mayume Batista de Carvalho, de apenas 14 anos.
“Ela veio do Centro de Referência Paralímpico, é atleta do atletismo e, em menos de 24 horas após conhecer o esporte, já está disputando uma competição nacional. No aquecimento, ela já demonstrou ter muita habilidade para a modalidade”, ressaltou.
Nicolly, que é deficiente visual e já conquistou medalhas de ouro no atletismo, contou que encontrou no Centro de Referência Paralímpico um ambiente acolhedor e que o contato com o tiro com arco despertou uma nova paixão.
“Eu me reconheci muito como atleta ali. As pessoas são muito carismáticas, me senti muito acolhida e amei.”
Ela explicou que já tinha interesse pela modalidade, mas nunca havia tido oportunidade de praticá-la.
“Eu não tinha muita confiança por muito tempo, mas já gostava muito do tiro com arco. Agora, com o professor Erison, estou em boas mãos. Tenho muita expectativa de continuar e me desenvolver mais.”
A jovem também fez questão de destacar o apoio recebido em casa.
“Minha mãe, minha irmã e minha avó estão me apoiando muito. Sou muito grata a elas.”
Esporte fortalece autoestima e mobiliza famílias
Para a dona de casa Jaqueline dos Carvalho, mãe de Nicolly, a convocação para uma competição nacional logo após o primeiro contato com a modalidade foi motivo de emoção para toda a família.
“Foi tudo muito rápido. Descobriram o talento dela ontem e hoje ela já está competindo em nível nacional. Para nós é uma honra. Ela já é medalhista no atletismo e agora está descobrindo mais um esporte.”
Jaqueline acredita que o esporte tem fortalecido a confiança da filha.
“Ela está se superando a cada dia e acreditando mais nela mesma, sem deixar que a deficiência visual limite seus sonhos.”
A mãe também destacou o papel desempenhado pelo Centro de Referência Paralímpico.
“É muito importante porque oferece oportunidades, aumenta a autoestima, fortalece a confiança e pode abrir portas para o futuro dessas crianças e adolescentes.”
Outra mãe presente na competição, Maria Lucinete de Oliveira, relatou os avanços observados na filha desde o início da prática do tiro com arco.
“Eu percebi uma melhora muito grande na coordenação motora e na concentração. No começo era muito difícil para ela, mas hoje é emocionante ver como consegue atirar.”
Segundo Maria Lucinete, o atendimento gratuito foi determinante para que a filha pudesse praticar o esporte.
“Nós não temos condições de pagar uma mensalidade. O Centro de Referência Paralímpico significa tudo para a nossa família. Além do esporte, ele promove desenvolvimento e inclusão.”
Ela ressaltou ainda que o envolvimento da família é essencial para a evolução das crianças com deficiência.
“O apoio da família, a paciência e o entendimento fazem toda a diferença no desenvolvimento delas.”
O crescimento da modalidade também tem atraído universitários. A estudante de Jornalismo da UFMT, Aline Velasco Dambros, contou que descobriu o tiro com arco por meio dos Jogos Universitários e se encantou com a experiência.
“Eu já sou apaixonada por esportes individuais e não imaginava que existia tiro com arco em Cuiabá. Vir aqui e viver essa experiência está sendo muito especial.”
Já o estudante de Publicidade e Propaganda Gabriel Souza afirmou que encontrou na modalidade uma forma de desenvolver concentração e equilíbrio emocional.
“O tiro com arco exige calma e organização dos pensamentos. Isso tem me ajudado não só no esporte, mas também na vida.”
Além dos atletas escolares, o evento reuniu universitários classificados para os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), que utilizaram a estrutura para treinamento, e a arqueira Gabrielly Karoliny, representante de Mato Grosso nos Jogos da Juventude, reforçando o crescimento da modalidade em diferentes categorias e a consolidação do trabalho de formação esportiva desenvolvido em Cuiabá.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
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