Mato Grosso
Pardal já registra mais de 130 denúncias de propaganda eleitoral irregular em MT
Mato Grosso
Desde o início do funcionamento do Pardal, ferramenta de denúncias de propaganda eleitoral irregular, em 16 de agosto deste ano, já foram feitos 132 registros com abrangência em Mato Grosso. O tipo mais frequente de denúncia, até o momento, é relacionado à propaganda na internet, e o cargo mais denunciado é de deputado(a) estadual.
As denúncias são relativas às Eleições Gerais de 2026, e foram feitas em 27 municípios mato-grossenses, sendo que o maior número de registros é proveniente de Cuiabá (48); seguida da cidade de Sinop (25); de Rondonópolis (11); Tapurah (5); Poto dos Gaúchos, Tangará da Serra, Sapezal e Primavera do Leste (4 em cada um); Campo Novo do Parecis (3); Várzea Grande, Juína, Barra do Bugres, Poxoréu, Sorriso (2 em cada um); Chapada dos Guimarães, General Carneiro, Barra do Garças, Alto Garças, Alto Araguaia, Cáceres, Diamantino, Nova Mutum, Nobres e Cláudia (1 em cada um).
Já com relação ao tipo de irregularidade, o maior número de denúncias é de propaganda na internet (31); seguida de bens públicos (19); vias públicas (18); carro de som, minitrio e trio elétrico (11); outdoors e outdoors eletrônicos, distribuição de material gráfico e adesivos em automóveis (7 de cada); envio de mensagens, confecção, utilização ou distribuição de brindes, bens particulares (6 de cada); comícios e showmícios (5); alto-falantes e amplificadores de som (3); propaganda eleitoral em jornais e revistas, não informado e emissoras de rádio e televisão (2 de cada).
Entre os cargos em disputa, o de deputado(a) estadual lidera o ranking de denúncias, com 86 registros. Logo em seguida, há 26 denúncias envolvendo candidatos ao cargo de deputado(a) estadual, 9 relacionadas a partido/coligação/federação, 5 envolvendo o cargo de governador(a), enquanto os cargos de senador(a) e presidente possuem 3 registros, cada.
A ferramenta
O Pardal é uma importante ferramenta de denúncias relacionadas à propaganda eleitoral irregular, por meio da qual o cidadão ou cidadã consegue comunicar possíveis irregularidades durante as campanhas eleitorais. Basta baixar o app no dispositivo móvel (celular ou tablet), nas extensões iOS ou Android. A iniciativa contribui para fortalecer a participação popular, a transparência e a lisura do processo eleitoral.
Segundo o secretário de Tecnologia da Informação, Leon Manoel Santos, a versão 2026 do Pardal ganhou uma inovação: a incorporação de uma aplicação de Inteligência Artificial (IA), que faz a classificação das denúncias recebidas. “A tecnologia será aplicada na categorização das denúncias de acordo com o tipo de ocorrência registrada.
Ao registrar a denúncia, conforme a descrição apontada pelo cidadão ou cidadã, a ferramenta sugere a categoria da ocorrência, para que a pessoa denunciante confirme. Com isso, a Justiça Eleitoral espera otimizar o trabalho de analistas e tornar mais ágil o direcionamento dos relatos aos órgãos responsáveis pela apuração”, explica.
Como registrar uma denúncia
Para registrar uma denúncia no Pardal, a pessoa deverá se identificar por meio do e-Título ou pelo Gov.br. O registro deverá conter informações que permitam a identificação e a apuração da possível irregularidade e poderá ser acompanhada de fotos, vídeos ou áudios que contribuam para demonstrar a ocorrência relatada. Os dados fornecidos são resguardados, seguindo diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e o(a) denunciante consegue acompanhar, pelo próprio aplicativo, o andamento da denúncia.
Mato Grosso
Wanderley confronta Rogerinho sobre contrato de R$ 3,8 milhões e manda cortar microfone durante bate-boca
O presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), e o líder da prefeita Flávia Moretti (PL) no Legislativo, Rogerinho da Dakar (PSDB), protagonizaram um bate-boca durante a sessão desta terça-feira (1), em meio à discussão sobre a situação financeira do município e um projeto relacionado ao Departamento de Água e Esgoto (DAE-VG). O confronto terminou com Wanderley determinando o desligamento do microfone do colega.
O episódio ocorreu um dia antes de Wanderley encaminhar à Comissão de Ética Parlamentar uma recomendação do Ministério Público Estadual (MPE) para que sejam apurados os fatos relacionados a um vídeo em que Rogerinho aparece manuseando maços de dinheiro e colocando os valores em uma sacola, quando ainda presidia o DAE.
O documento deverá ser analisado pelo colegiado, que deve convocar uma reunião para definir as providências. Entre as possibilidades está a abertura de um procedimento para verificar eventual quebra de decoro parlamentar.
Na sessão, porém, o embate começou quando Rogerinho usou a tribuna para defender a gestão de Flávia Moretti e afirmou que a Prefeitura enfrenta dificuldades financeiras em razão de bloqueios judiciais e de dívidas acumuladas por administrações anteriores. Segundo ele, o passivo ultrapassa R$ 700 milhões.
“Quero aqui só esclarecer, como líder, que realmente a saúde financeira do município está no vermelho. O Poder Executivo não está tendo dinheiro para investimento”, afirmou. O vereador também disse que a Prefeitura chegou a enfrentar dificuldades para pagar a folha salarial após novos bloqueios judiciais.
Wanderley rebateu o discurso e puxou a discussão para o DAE. O presidente lembrou que havia levado ao plenário um projeto de suplementação para a autarquia após o próprio líder da prefeita ter solicitado a inclusão da proposta.
“Eu trouxe ele, mas aí já está retirando. Eu levei pau na imprensa. Está aqui, R$ 16 milhões que eu deixei de incluir e eu incluí hoje”, afirmou Wanderley, em referência ao projeto.
O emedebista questionou ainda a demora na tramitação e afirmou que a situação havia provocado críticas contra a Câmara, apesar de, segundo ele, o projeto ter sido incluído a pedido de Rogerinho.
A discussão subiu de tom quando Wanderley passou a questionar um
do DAE firmado durante o período em que Rogerinho esteve à frente da autarquia. Segundo o presidente, o valor teria saltado de aproximadamente R$ 800 mil para R$ 3,8 milhões, o que representaria um aumento de cerca de 500%.
“O contrato do DAE de R$ 800 mil que, vossa Excelência, passou para R$ 3,8 milhões. Você pensou no povo? Você pensou no povo, vereador? De oitocentos mil, passou para três milhões e oitocentos. Assim que pensa no povo?”, questionou.
Rogerinho reagiu afirmando que o projeto estava na Câmara desde março e que a suplementação era necessária diante da crise no abastecimento de água enfrentada pela população de Várzea Grande. Ele acusou Wanderley de não tratar a proposta como uma prioridade.
“O senhor não pensou na população, porque, se o senhor pensasse na população, o senhor colocava de forma emergencial. O senhor não pensou na família várzea-grandense, que não tem água na torneira. Vou falar que nem o senhor. Seja transparente”, rebateu.
Wanderley também citou a devolução de R$ 854 mil feita pela Câmara à Prefeitura, recurso que seria destinado à reforma da sede do Legislativo. Segundo ele, mesmo a empresa responsável pelo serviço não estaria recebendo os pagamentos.
“Não tem dinheiro, porque nem a reforma da Câmara deste ano, que eu devolvi R$ 854 mil, não está pagando a empresa. E o dinheiro da Câmara? Cadê o dinheiro da Câmara que eu devolvi no final do ano?”, afirmou.
Rogerinho voltou a defender a gestão municipal e disse que os bloqueios nas contas da Prefeitura haviam começado apenas no mês anterior, enquanto o projeto do DAE, segundo ele, já estava na Câmara desde março.
O bate-boca prosseguiu até que Wanderley determinou o corte do microfone de Rogerinho.
Rogerinho deixou a presidência do DAE-VG em agosto, após a repercussão do vídeo em que aparece pegando dinheiro em espécie e colocando os valores em uma sacola. Na ocasião, o vereador afirmou que colocaria o sigilo bancário dele e da família à disposição e pediu que o Ministério Público e o Tribunal de Contas investigassem sua atuação na autarquia para comprovar a “lisura” do trabalho realizado.
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