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STF reconhece acordo entre MT e PA e encerra recurso sobre terras na divisa entre os estados

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu julgar prejudicado, por perda de objeto, o recurso de proprietário que objetivava regularização de terras particulares afetadas pela histórica disputa de divisas entre os estados de Mato Grosso e Pará.

A decisão, assinada em 2 de julho de 2026, reconhece que o tema não será mais analisado de forma isolada, já que passou a integrar o acordo conduzido pelo relator, ministro Flávio Dino, por meio da Ação Rescisória (AR) 2.964 que contou com participação direta da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, por meio do presidente Max Russi (Pode).

A conciliação, articulada pelo deputado, representa um avanço importante para Mato Grosso ao abrir caminho para uma solução definitiva da situação. O parlamentar destaca que, embora as áreas tenham sido reconhecidas como pertencentes ao Pará, é Mato Grosso que continua garantindo serviços essenciais à população local, como segurança pública e atendimento na área da saúde.

Por enquanto, conforme definido em reunião no STF, realizada no dia 10 de junho deste ano, a discussão sobre uma nova definição dos limites territoriais permanece suspensa.

Agora, cabe aos governos de Mato Grosso e do Pará construir soluções para o impasse, especialmente para reduzir os impactos enfrentados por Mato Grosso, que continua arcando com serviços essenciais à população residente na área de divisa diante da ausência de assistência por parte do estado vizinho. Além disso, o acordo também deve enfrentar as questões fundiárias que ainda geram insegurança jurídica para os moradores da região.

Em relação à determinação de André Mendonça, essa está vinculada à Ação Cível Originária (ACO) 714, transitou em julgado em maio de 2021 e definiu, de forma definitiva, os limites territoriais entre Mato Grosso e Pará.

Após a conclusão do processo, no entanto, proprietários de terras da região passaram a enfrentar problemas relacionados à insegurança jurídica. Um dos casos chegou ao STF por meio de um produtor rural que possui três áreas registradas em cartório de Vila Rica (1.162 km de Cuiabá), mas que, com a redefinição das divisas, passaram a ficar em território paraense. Segundo ele, a falta de regras para essa transição impedia a transferência das matrículas para o Pará e dificultava até mesmo o acesso a financiamentos.

Inicialmente, o magistrado determinou que os governos de Mato Grosso e do Pará adotassem as medidas necessárias para transferir os registros dos imóveis atingidos pela mudança da linha divisória. O governo paraense, porém, recorreu da decisão, argumentando, entre outros pontos, que o STF não teria competência para tratar de registros imobiliários de particulares e que a questão fundiária deveria ser conduzida pelo Instituto de Terras do Pará (Iterpa), e não diretamente pelo Estado.

Ao analisar o recurso, o ministro observou que o cenário havia mudado após a audiência de conciliação realizada em junho, no âmbito da Ação Rescisória, sob relatoria do ministro Flávio Dino, em que Mato Grosso reivindica uma área de mais de 22 mil quilômetros quadrados, incluindo o marco geográfico da região conhecida como Cachoeira das Sete Quedas.

Na audiência, que contou com forte participação de Max, os governos de Mato Grosso e Pará firmaram um acordo para solucionar, de forma conjunta, a situação de todos os proprietários atingidos pela redefinição das divisas. Entre os compromissos assumidos está a realização de um mapeamento cartográfico conjunto de todas as áreas tituladas pelo Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) que, após a decisão da ACO 714, passaram a integrar o território paraense.

Diante desse novo cenário, André Mendonça reconsiderou sua decisão anterior e julgou prejudicado o recurso. Na prática, o caso específico que originou a ação passou a ser abrangido pelo acordo coletivo firmado entre os estados, que busca uma solução única para todos os proprietários afetados.

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Cuiabá

Abilio resume primeiros 18 meses de mandato: “Foi tudo muito intenso”

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O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL) fez um balanço dos primeiros 18 meses de administração e definiu o período como “muito intenso”. Em entrevista ao PodOlhar, videocast do Olhar Direto, o prefeito afirmou que a expectativa da população por resultados imediatos nem sempre corresponde às limitações orçamentárias e à estrutura encontrada pela atual gestão

Segundo Abilio, as redes sociais ampliam a percepção de tempo de governo e fazem com que parte da população espere soluções para problemas acumulados ao longo de anos. “Um ano e meio de gestão, mas para muitas pessoas é como se já tivesse um bom tempo de governo. Isso gera uma expectativa muito grande de resultados que demorariam mais tempo para acontecer”, afirmou.

Como exemplo, o prefeito citou a situação da rede municipal de educação. De acordo com ele, das 172 unidades de ensino da Capital, cerca de 80 necessitam de reformas estruturais.

“Para recuperar todas essas escolas seria necessário praticamente um orçamento inteiro da Educação. Nós não temos esse recurso. Hoje temos cerca de R$ 2,5 milhões por mês para manutenção predial”, disse.

Abilio também afirmou que a rede municipal de saúde enfrenta problemas semelhantes. Segundo ele, aproximadamente 30 das 72 unidades de saúde precisam de intervenções estruturais, enquanto a cidade ainda possui cerca de 430 quilômetros de vias sem pavimentação e outros 600 quilômetros que necessitam de reparos.

Apesar das dificuldades, o prefeito afirmou que a prioridade da administração foi reorganizar as finanças do município para ampliar a capacidade de investimento. “Nossa prioridade foi colocar o orçamento em ordem para termos condições de recuperar a cidade”, afirmou.

Entre as ações destacadas, Abilio citou a entrega do Centro Médico Infantil, a inauguração de dois Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), reformas em unidades básicas de saúde, regularização do abastecimento de medicamentos, recuperação fiscal do município e redução do endividamento da Prefeitura.

Segundo o prefeito, Cuiabá recebeu a atual gestão com aproximadamente R$ 2 bilhões em dívidas, valor que teria sido reduzido para cerca de R$ 800 milhões após renegociações e pagamentos realizados ao longo do mandato. Também destacou a evolução da classificação da capacidade de pagamento (Capag), que passou de “ausente” para nota C, com expectativa de alcançar a nota B.

Na educação, Abilio mencionou a criação do café da manhã para os alunos da rede municipal, a ampliação da alimentação aos profissionais das escolas, a transformação dos Técnicos de Desenvolvimento Infantil (TDIs) em professores, a realização de processo seletivo para Cuidadoras de Alunos com Deficiência (CADs) e melhorias nas condições de trabalho da categoria.

O prefeito também ressaltou investimentos em infraestrutura esportiva, com reforma de mais de 60 quadras, implantação de campos de grama sintética, iluminação em espaços esportivos e fortalecimento da saúde bucal nas unidades municipais. Citou ainda a implantação do CuiabáCard, programa de assinatura do transporte coletivo, e o andamento das discussões do novo Plano Diretor e das regras para habitação de interesse social.

Ao avaliar o ritmo da administração, Abilio afirmou que a divulgação constante das ações nas redes sociais contribui para a percepção de uma gestão acelerada. “Tivemos uma mudança muito significativa em um ano e meio. Tudo muito intenso. E claro que é intenso por causa das redes sociais. A quantidade de informações acaba trazendo essa intensidade toda”, declarou.

O prefeito reconheceu que ainda há demandas pendentes, mas afirmou que pretende aproveitar o restante do mandato para avançar em obras de mobilidade urbana, pavimentação e requalificação de vias estruturantes da Capital.

“Dá para melhorar? Claro que sim. Em um ano e meio a gente fez muito, mas ainda tem dois anos e meio para o pessoal me aturar. Tem muito chão pela frente”, concluiu.

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