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A ECONOMIA DE MATO GROSSO EM 2025

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A ECONOMIA DE MATO GROSSO EM 2025

Vivaldo Lopes

A economia de Mato Grosso vai finalizar o ano de 2025 com crescimento bem acima do PIB nacional.

Enquanto as estimativas mais otimistas indicam que o PIB nacional crescerá 2,5%, a Coordenadoria de Estudos Socioeconômicos da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Mato Grosso estima que o PIB do estado crescerá 6,8%. Esse mesmo indicador de crescimento da economia em 2025 consta no projeto de lei do orçamento do estado para 2026, elaborado pela Secretaria de Estado de Fazenda e sob análise dos deputados estaduais.

O IBGE é a instituição responsável pelo cálculo do PIB do país, dos estados e municípios. Mas os dados da atividade econômica dos estados e municípios são calculados e divulgados com dois anos de defasagem. Devido ao atraso ocasionado pela pandemia da covid-19, os dados disponíveis mais recentes são de 2022. Assim, a Secretaria Estadual de Planejamento é a única instituição local que levanta os dados preliminares do desempenho do PIB estadual a cada trimestre, permitindo análises do comportamento da economia do estado até que o IBGE divulgue os dados definitivos.

A agropecuária, novamente, será a locomotiva impulsionadora do forte crescimento. Os dados dos três primeiros trimestres indicam que a agropecuária crescerá 15,5%, seguido da indústria (6,7%). O setor de serviços crescerá menos (3,8%).

Outro relatório divulgado pelo departamento de estudos econômicos do Banco do Brasil estima o mesmo crescimento da economia de Mato Grosso (6,6%) e acrescenta que a região centro oeste crescerá acima da média nacional. O motor do alto desempenho da região é a excelente dinâmica da cadeia produtiva da agropecuária de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Além desses estados, a atividade econômica de Tocantins e Rondônia também terão desempenho bem acima do PIB do país.

O bom desempenho da economia mato-grossense é explicado pela grande safra de 2025, a maior da histórica, boa oferta de crédito público e privado, estabilidade de preços agrícolas e demanda interna e externa aquecidas.

O mercado de trabalho em alta contribuiu de forma significativa para a boa performance econômica estadual. Mato Grosso tem taxa de desemprego de 3%, bem abaixo da média nacional de 5,6% (Pnad-C/IBGE) e registrou aumento da renda do trabalho em 2025. Esses fatores atuaram para aumentar o consumo das famílias, confirmando o ciclo de aceleração da atividade econômica, mesmo em um ambiente de aumento do custo do crédito, em razão da exagerada taxa de juros.

As incertezas da economia mundial, aumentadas pela insana sobretaxação das exportações brasileiras pelo governo dos Estados Unidos, não afetaram a economia do estado. O câmbio se manteve estável, não impactando os custos da importação de fertilizantes, maquinários agrícolas e industriais. As exportações de carnes que eram embarcadas para os EUA foram redirecionadas para Uruguai, Paraguai, México e outros países. As compras de soja pela China aumentaram exponencialmente após o país asiático suspender todas as importações de soja dos fazendeiros americanos. Setores que sofreram mais com o aumento das tarifárias alfandegárias, como a indústria madeireira e gordura bovina (sebo), receberam apoio e crédito dos governos federal e estadual para enfrentar a queda de faturamento.

A indústria apresenta crescimento histórico, puxado pelo setor alimentício, de biodiesel e de processamento de etanol de milho. Houve expansão da produção em plantas já existentes e novas fábricas entraram em operação.

O setor de serviços foi impulsionado pela construção civil nas áreas de infraestrutura pesada com a construção de novas pontes de concreto, pavimentações, concessões rodoviárias, serviços especializados e avanço das obras da ferrovia senador Vicente Vuolo no trecho Rondonópolis-Lucas do Rio Verde e ramal de Cuiabá.

A expansão da construção residencial para o público de baixa renda, beneficiado pelo programa Minha Casa Minha Vida e o aumento da construção de imóveis corporativos e residenciais de alto padrão, tiveram expressiva contribuição para o crescimento. A longa cadeia produtiva da agropecuária também ajudou a aquecer a contratação de serviços.

Os dados registrados até o terceiro trimestre indicam que Mato Grosso será campeão de crescimento da atividade econômica em 2025.

Quando a economia cresce de forma sustentada, há melhora no ambiente de negócios, ajuda a atrair novos investimentos e retroalimenta o ciclo econômico virtuoso de mais investimentos, mais empregos, mais renda e, quiçá, mais qualidade de vida aos seus habitantes.

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ESTRUTURAS VIRAIS

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Considero pouco representativo, ou até mesmo um pouco inexpressivo, dizer-se existir um racismo estrutural. Adjetivar quase que em exclusivo uma única característica de nós próprios, suaviza demais a real dimensão estrutural da nossa sociedade. Entendo que essa adjetivação estrutural deva também ser feita sempre que falamos de impunidade, medo ou do desconhecimento que nos assolam. Procurando não ser interpretado como preconceituoso ou generalista, alego-me a desenvolver o assunto primeiramente na minha pessoa em particular. 

Eu sou estruturalmente racista? Não sei… Talvez nos genes, talvez por ter nascido em África, onde de imediato fui diagnosticado com essa terrível doença. Há vários anos que a combato diariamente aplicando um raciocínio dialético que me tranquiliza, mas que por si só não elimina o aparecimento de sintomas na minha área circundante. Com o seu elevado grau de agressividade a doença causa também em mim um sofrimento crônico com o qual, infelizmente, poderei ter de conviver até o final dos meus dias. 

Eu vivencio impunidade estrutural? Sim, vivencio. Em grande medida por nunca ter sido punido pelos meus progenitores que me educaram, de dentro para fora, em todas as oportunidades que tiveram ou criaram para esse efeito. Não obstante o fervor da impunidade fruto da juventude, a minha subversidade e o meu olhar sobre o alheio permitiu-me não ser excluído do convívio humano que tanto prezo. Hoje, sem o abrigo de qualquer organização, sigo impune igual a muitos outros bem diferentes de mim. 

Eu sofro de desconhecimento estrutural? Claro que sofro. Sofro em virtude de limitações cognitivas, sofro por ausência do chão da sala de aula e também pela imensidão de conteúdos desinteressantíssimos com que o meu espaço/tempo coletivo é sistematicamente desfocado. E suspeito que vá continuar a sofrer por inadaptabilidade congênita, por um ecletismo bem adubado e pelas desastrosas políticas de educação que se concretizam atabalhoadamente na lógica de que o conhecimento é um privilégio. 

Eu tenho medo estrutural? Tenho vários. Um deles é de que há semelhança do que acontece com o trabalho que perde direitos para um empreendedorismo de obrigação, a educação venha também ela a perder direitos para uma expressividade artificial. Outro medo estrutural é que possa não ser mais licito eu aprimorar-me e que dessa forma tenha de me substituir compulsoriamente. Não escondo tratar-se de dois receios recentes que adoraria conseguir repassar a terceiros em virtude deles me instigarem a critica e a liberdade. 

É-me agora mais fácil dizer que a esmagadora maioria dos cidadãos conhece na pele, o quanto nosso corpo ainda nos representa, vestido ou despido, bem como quanto também ainda toleramos escoar as nossas violências através da impunidade. Arrisco-me até a dizer que conseguimos entender que o desconhecimento e o medo caminham juntos desde os primórdios da humanidade e que agora os utilizamos como uma poderosa arma de subjugação. 

Pior que não se trata somente de racismo, impunidade, medo ou desconhecimento. O machismo, a displicência, a economia a que servimos, entre outros aspectos que materializamos num contexto sócio biológico, são todos eles resultado inequívoco de nós mesmos. Produto revelador do vírus autodestrutivo que somos e que se extingue sem exceder a sua singularidade. Esperando agora também não ser interpretado como apocalíptico, entendo oportuno dizer o quanto considero urgente chamar-se os jovens para mais perto de nós. Eles podem ajudar-nos a aliviar o que estamos a fazer para com eles. 

Rui Perdigão – Administrador, Geógrafo, Presidente da Associação Cultural Portugueses de Mato Grosso.
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