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Com todo meu amor!

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Por Kamila Garcia

Dia desses, fiquei pensando numa coisa: qual é o maior desafio do ser humano? A gente pode dizer que é estudar, trabalhar, criar coragem pra encarar a vida. Mas, pensando bem, acho que é aprender. E, em seguida, amar.

Porque amar não vem com manual. É um aprendizado diário: olhar para o outro, respeitar, ouvir, segurar a língua quando dá vontade de responder atravessado. Amar é um curso sem fim, daqueles que a gente nunca se forma, só vai acumulando experiência.

E é curioso, porque desde pequenos já recebemos uma prévia disso. Um colo de mãe, um olhar de pai, um abraço de avó — tudo isso é aula de amor. E, quando a gente cresce, repete o ciclo sem nem perceber: cuida de alguém, que vai cuidar de outro alguém, e assim o amor vai passando de mão em mão, como receita de família.

É claro que nem sempre é assim. Tem gente que cresce em solo seco, sem muito carinho por perto. Mas o amor é danado de teimoso: aparece em um amigo que liga na hora certa, em um vizinho que empresta açúcar sem reclamar, até num sorriso no ponto de ônibus. O amor não precisa ser grandioso, ele se esconde nos detalhes.

E não falo só de romance, viu? Amor é amizade, é família, é comunidade, é fé. É aquele fio invisível que nos lembra que viver sozinho pode até ser possível, mas é infinitamente mais pesado.

No fim das contas, todo mundo gosta de ser ouvido, respeitado e bem tratado. Todo mundo precisa, mesmo que não admita, de um pouco de amor.

Talvez seja esse o grande segredo da vida: aprender, ensinar e reaprender a amar. Sem pressa, sem fórmulas, só vivendo.

E é por isso que hoje, sem complicação nenhuma, deixo aqui o meu recado: com todo meu amor, desejo que a sua vida seja leve, feliz e cheia dessas pequenas doses de amor que fazem tudo valer a pena.

*Kamila Garcia é bacharel em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, com pós-graduação em Psicanálise. Atualmente é estudante de Psicologia.

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A liberação do spray de pimenta não substitui o dever do Estado de proteger as mulheres

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A publicação da Lei nº 15.474, de 23 de julho de 2026, que autoriza o uso de spray de pimenta por mulheres em situação de perigo, trouxe um importante debate sobre a proteção feminina. Reconheço que qualquer ferramenta que possa ampliar as possibilidades de defesa merece ser analisada. No entanto, é preciso compreender que essa medida, por si só, não resolve o problema da violência contra a mulher.

Na prática, vejo essa iniciativa como uma alternativa paliativa. A maioria dos crimes de violência doméstica acontece dentro de casa, de forma repentina, quando a vítima é surpreendida pelo agressor. Nesses momentos, dificilmente haverá tempo para procurar um spray de pimenta, manuseá-lo e conseguir utilizá-lo de forma eficaz. A realidade vivenciada diariamente pelas vítimas demonstra que a violência nem sempre permite qualquer reação.

Minha preocupação é que, mais uma vez, estejamos transferindo para a mulher a responsabilidade pela própria proteção. O dever de protegê-la continua sendo do Estado e esse compromisso é indeclinável. Não podemos permitir que a existência de um instrumento de defesa pessoal seja interpretada como solução para um problema que exige políticas públicas permanentes e eficazes.

Precisamos fortalecer o monitoramento das medidas protetivas de urgência, garantindo que elas sejam realmente cumpridas e que o agressor seja fiscalizado. Também é indispensável investir em ações preventivas, educação, acolhimento e no funcionamento efetivo da rede de proteção, permitindo que as mulheres encontrem apoio antes que a violência alcance níveis extremos.

Da mesma forma, é essencial que o sistema de Justiça atue com rapidez e eficiência na investigação e na responsabilização dos crimes de violência contra a mulher. A impunidade alimenta novos episódios de violência, enquanto a certeza da punição contribui para a prevenção e para a proteção das vítimas.

O spray de pimenta pode representar uma alternativa em situações específicas e, eventualmente, salvar vidas. Contudo, ele jamais poderá substituir a presença do Estado. A verdadeira proteção nasce de políticas públicas eficientes, do cumprimento rigoroso das medidas protetivas, da atuação integrada das instituições e do compromisso permanente com a segurança e a dignidade das mulheres. Somente assim deixaremos de responsabilizar a vítima por sua própria proteção e assumiremos, como sociedade, o dever coletivo de combater a violência de forma efetiva.

Jannira Laranjeira é Delegada de Polícia | Especialista em Enfrentamento à Violência contra Mulheres e Vulneráveis

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