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Dois anticorpos monoclonais anti-amiloide redefinem tratamento do Alzheimer

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Dois anticorpos monoclonais anti-amiloide (MABs) — lecanemab (Leqembi® ) e aducanumab (Kisunla)® ) — foram aprovados nos EUA para o tratamento da doença de Alzheimer (DA), e apenas o aducanumab aprovado pela Anvisa, e já disponível no Brasil. Os anticorpos monoclonais anti-amiloide são as primeiras terapias modificadoras da doença para DA que conseguem retardar a deterioração clínica ao intervir nos processos biológicos básicos da doença.

Até então, o tratamento disponível há mais de 20 anos, eram os   anticolinesterasicos  (rivastigmina, donepezila e galantamina) com resultado pratico extremamente limitado, tendo eficácia muito limitada, levando ao termo de tratamento meramente paliativo.

Esses agentes inovadores podem retardar a progressão inevitável da DA para um comprometimento cognitivo mais grave.

Os resultados dos ensaios clínicos com MABs anti-amiloide corroboram a hipótese amiloide e a proteína amiloide como alvo para o desenvolvimento de medicamentos para DA. O sucesso dos MABs reflete a aplicação incansável do conhecimento em neurociência para solucionar os principais desafios enfrentados pela humanidade. O sucesso desses agentes transformadores fomentará o desenvolvimento de mais MABs anti-amiloide, outros tipos de terapias anti-amiloide, tratamentos para outros alvos da biologia da DA e novas abordagens terapêuticas para uma série de doenças neurodegenerativas.

Os anticorpos monoclonais apresentam efeitos colaterais e, durante o período de início do tratamento, os pacientes devem ser monitorados de perto quanto à ocorrência de anormalidades de imagem relacionadas ao amiloide (ARIA) e reações à infusão.

Um primeiro passo bem-sucedido no desenvolvimento de uma terapia modificadora da doença de Alzheimer define características desejáveis para a próxima fase do desenvolvimento terapêutico, incluindo menor frequência de ARIA, administração mais conveniente e maior eficácia.

Agentes sem precedentes impõem novas exigências a pacientes e seus cuidadores, médicos, planos de saúde e sistemas de saúde. A colaboração entre as partes interessadas é essencial para aproveitar os benefícios terapêuticos oferecidos por esses agentes e torná-los amplamente disponíveis. Os anticorpos monoclonais inauguram uma nova era na terapia da doença de Alzheimer e definem um novo panorama do que é possível para o desenvolvimento terapêutico de doenças neurodegenerativas.

O desafio para tratamento dessa doença tão prevalente na população idosa, e que causa um transtorno para paciente e toda sua família, poderá enfim, começar a ter uma solução.

Porém, o desafio ainda continua, uma vez que o preço desse tratamento, e muito elevado, e o SUS ainda não incorporou o mesmo em seu sistema.

O que é questão de tempo.

Luiz Gustavo Castro Marques – é médico geriatra CRM-MT 3696

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ESTRUTURAS VIRAIS

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Considero pouco representativo, ou até mesmo um pouco inexpressivo, dizer-se existir um racismo estrutural. Adjetivar quase que em exclusivo uma única característica de nós próprios, suaviza demais a real dimensão estrutural da nossa sociedade. Entendo que essa adjetivação estrutural deva também ser feita sempre que falamos de impunidade, medo ou do desconhecimento que nos assolam. Procurando não ser interpretado como preconceituoso ou generalista, alego-me a desenvolver o assunto primeiramente na minha pessoa em particular. 

Eu sou estruturalmente racista? Não sei… Talvez nos genes, talvez por ter nascido em África, onde de imediato fui diagnosticado com essa terrível doença. Há vários anos que a combato diariamente aplicando um raciocínio dialético que me tranquiliza, mas que por si só não elimina o aparecimento de sintomas na minha área circundante. Com o seu elevado grau de agressividade a doença causa também em mim um sofrimento crônico com o qual, infelizmente, poderei ter de conviver até o final dos meus dias. 

Eu vivencio impunidade estrutural? Sim, vivencio. Em grande medida por nunca ter sido punido pelos meus progenitores que me educaram, de dentro para fora, em todas as oportunidades que tiveram ou criaram para esse efeito. Não obstante o fervor da impunidade fruto da juventude, a minha subversidade e o meu olhar sobre o alheio permitiu-me não ser excluído do convívio humano que tanto prezo. Hoje, sem o abrigo de qualquer organização, sigo impune igual a muitos outros bem diferentes de mim. 

Eu sofro de desconhecimento estrutural? Claro que sofro. Sofro em virtude de limitações cognitivas, sofro por ausência do chão da sala de aula e também pela imensidão de conteúdos desinteressantíssimos com que o meu espaço/tempo coletivo é sistematicamente desfocado. E suspeito que vá continuar a sofrer por inadaptabilidade congênita, por um ecletismo bem adubado e pelas desastrosas políticas de educação que se concretizam atabalhoadamente na lógica de que o conhecimento é um privilégio. 

Eu tenho medo estrutural? Tenho vários. Um deles é de que há semelhança do que acontece com o trabalho que perde direitos para um empreendedorismo de obrigação, a educação venha também ela a perder direitos para uma expressividade artificial. Outro medo estrutural é que possa não ser mais licito eu aprimorar-me e que dessa forma tenha de me substituir compulsoriamente. Não escondo tratar-se de dois receios recentes que adoraria conseguir repassar a terceiros em virtude deles me instigarem a critica e a liberdade. 

É-me agora mais fácil dizer que a esmagadora maioria dos cidadãos conhece na pele, o quanto nosso corpo ainda nos representa, vestido ou despido, bem como quanto também ainda toleramos escoar as nossas violências através da impunidade. Arrisco-me até a dizer que conseguimos entender que o desconhecimento e o medo caminham juntos desde os primórdios da humanidade e que agora os utilizamos como uma poderosa arma de subjugação. 

Pior que não se trata somente de racismo, impunidade, medo ou desconhecimento. O machismo, a displicência, a economia a que servimos, entre outros aspectos que materializamos num contexto sócio biológico, são todos eles resultado inequívoco de nós mesmos. Produto revelador do vírus autodestrutivo que somos e que se extingue sem exceder a sua singularidade. Esperando agora também não ser interpretado como apocalíptico, entendo oportuno dizer o quanto considero urgente chamar-se os jovens para mais perto de nós. Eles podem ajudar-nos a aliviar o que estamos a fazer para com eles. 

Rui Perdigão – Administrador, Geógrafo, Presidente da Associação Cultural Portugueses de Mato Grosso.
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