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Educação que se fortalece em rede

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Por Márcia Amorim Pedr’Angelo

Nenhuma trajetória educacional se constrói de forma solitária. A escola, espaço vivo de aprendizagem, encontra nas parcerias a sustentação para consolidar práticas, renovar caminhos e ampliar horizontes.

Em eventos recentes, reencontrei profissionais que caminham há anos ao lado da educação brasileira. Esses momentos me lembram que, mais do que trocas ocasionais, as conexões de longa data são pilares para a consolidação de metodologias que nascem no dia a dia escolar. São também a oportunidade de revisitar ideias, reavaliar percursos e fortalecer a confiança de que estamos trilhando uma mesma missão.

Na rotina escolar, cada prática precisa ser constantemente revisitada. É no diálogo com outros educadores e especialistas que teorias encontram aplicabilidade, que ideias ganham consistência e que a inovação se transforma em cultura pedagógica.

Escolher parceiros também é um ato estratégico. São eles que expandem fronteiras, conectam diferentes áreas do conhecimento e oferecem caminhos de inovação que unem ciência e tecnologia. Há aqueles que aproximam famílias e comunidades, os que trazem práticas pedagógicas transformadoras e os que, vindos de outros países, permitem imersão em culturas distintas e ampliam a compreensão do mundo. Essa diversidade de olhares é o que garante que a escola se mantenha atual, relevante e capaz de formar cidadãos preparados para realidades complexas.

Há um aspecto fundamentalmente humano nesse processo. Parceiros educacionais não são apenas colaboradores eventuais, mas companheiros de missão, que lembram que educar exige coragem e renovam a confiança de que seguimos juntos, mesmo em contextos diferentes.

Educar é partilhar propósitos. É ter clareza de que o futuro da escola depende dessa rede de relações que sustenta, questiona e inspira. Caminhar juntos é transformar experiências em aprendizado coletivo e manter viva a convicção de que a educação, mais do que nunca, é feita a muitas mãos.

*Márcia Amorim Pedr’Angelo é psicopedagoga, fundadora das escolas Toque de Mãe e Unicus, e coordenadora da Unesco para a Educação em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

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O varejo não quebrou, mas a cabeça do cliente mudou

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Voltei da Omni Varejo 2026, em João Pessoa, com a cabeça fervendo. Não foi por causa do calor nordestino, mas de uma palestra do publicitário Walter Longo, que me fez repensar quase tudo o que fazemos no comércio cuiabano.

O varejo não está em crise. O que está acontecendo é uma mudança brutal na cabeça do consumidor. Como disse Longo: “Agora, assistimos a uma migração sem precedentes, mas ela é cognitiva, não geográfica.” Seu cliente não mudou de bairro — mudou dentro da própria cabeça. Ele quer respostas rápidas, soluções imediatas. E quem não perceber isso vai ficar para trás.

Nicholas Carr, jornalista, explica que estamos migrando a atividade neural do hipocampo (pensamento profundo) para o córtex pré-frontal (piloto automático). A revista The Economist estima que as distrações digitais custam US$ 650 bilhões por ano aos Estados Unidos. Aqui no Brasil, a conta também é pesada.

A saída? Um modelo de negócio mais leve. Longo foi direto: “O segredo do futuro não está em ter mais, e sim em ser mais leve.” Menos estoque, menos peso, mais flexibilidade. O cliente quer agilidade, e estoque enorme virou âncora.

No marketing, a virada é igualmente radical: “O futuro não está em atingir pessoas em massa, mas em compreender pessoas em frações.” Pessoas não são — pessoas estão. Tratar o cliente como ficha cadastral é coisa do passado.

E a cereja do bolo: “Gerir uma empresa daqui para frente significa entender como funcionam as pessoas, e não apenas o negócio.” A economista inglesa Dame Minouche Shafik resume bem: “No passado, empregos dependiam de músculos; agora, do cérebro; no futuro, vão depender do coração.”

Mas não dá para ignorar o presente: juros nas alturas, inadimplência que não dá trégua e um fenômeno que vem arrasando milhares de pessoas no país, apostas esportivas e jogos online passaram a disputar espaço no orçamento dos brasileiros, além do custo de capital corroendo margens. A realidade é dura e fingir que ela não existe é receita para o fracasso.

E é justamente aí que mora a oportunidade. Estoque enxuto não é só modernidade: é menos dinheiro parado pagando juros altos. Atendimento personalizado não é só marketing: é fidelizar quem já compra, mesmo com crédito restrito. Gestão com coração não é só empatia: é time engajado, que vende mais e gera indicações — o melhor remédio contra a queda de consumo.

E a inadimplência? A saída é usar tecnologia para analisar o perfil de crédito em tempo real, oferecer prazos que cabem no bolso e recuperar clientes com abordagem humana. Porque coração também se usa na hora de negociar.

Os lojistas que vão crescer não são os que ignoram os juros, são os que aprendem a dançar com eles. Margem apertada exige giro rápido. Capital caro exige criatividade. Cliente endividado exige oferta inteligente, não apenas desconto.

Como presidente da CDL Cuiabá, saio do evento convicto: nossos desafios são reais, mas nossas armas também. Temos tecnologia, conhecimento e, acima de tudo, um comércio que já provou que sabe renascer.

O varejo cuiabano vai ser mais leve, mais humano e mais esperto. Vai usar a crise como combustível para inovar.

Não tem mais volta: a cabeça do cliente já mudou. Os juros estão altos, a inadimplência existe, mas nossa capacidade de reinventar é maior. Agora é a nossa vez — e vamos sair dessa maiores do que entramos.

*Júnior Macagnam, empresário da moda e presidente da CDL Cuiabá

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