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Feliz aquele que entendeu!

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Por Kamila Garcia

Era cedo, o dia ainda bocejava, e o silêncio da casa parecia convidar à escuta. Não havia pressa. Apenas aquele instante simples em que a vida se apresenta sem adornos. Foi ali que pensei: feliz aquele que entendeu que orar não é repetir palavras, mas permanecer inteiro. Orar é um jeito de não enlouquecer quando o mundo grita.

Há quem acredite que Deus mora longe, em alturas inalcançáveis. Outros, mais atentos, descobriram que Ele habita os pensamentos, os sentimentos e as ações do dia comum. Está na fala mansa, no gesto contido, na escolha que ninguém vê. Amar, no fundo, é a forma mais concreta de oração — e quem ama encontra Deus até nas coisas pequenas.

Feliz o homem que um dia percebeu que carrega dentro de si uma centelha infinita. Não por soberba, mas por responsabilidade. Porque quem reconhece essa presença aprende a fazer da própria vida um abrigo de compaixão, onde a caridade não é espetáculo, é hábito.

Todo amanhecer traz essa chance silenciosa: viver como se fosse o último dia, sem dramatizar, apenas com verdade. Quem entende isso sabe que a jornada não acaba — ela continua no filho que aprende pelo exemplo, na palavra que ficou, na memória boa que alguém guardou.

Há também uma sabedoria discreta em aceitar que amigos não precisam se falar todos os dias. Basta que se deseje bem em silêncio. Uma palavra, quando vem, cura. Um pensamento bom, quando é sincero, alcança.

Feliz aquele que alimenta a alma com a oração do cotidiano e encontra sentido no trabalho que realiza. Não pelo valor que rende, mas pelo valor que constrói. Há bênção no fruto das mãos que trabalham com dignidade.

E há paz em compreender que a consciência não está solta no mundo, mas ligada à energia divina. Buscar autoconhecimento, afinal, é aproximar-se do “Eu Sou” — esse ponto de luz que insiste em nos lembrar quem somos, mesmo quando esquecemos.

Feliz, por fim, é quem consegue alinhar cabeça, corpo, mente, alma e espírito. Quem vive inteiro. Quem entende que tudo vem de Deus — e que a nós cabe apenas viver com amor. Deus abençoe.

*Kamila Garcia é bacharel em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, com pós-graduação em Psicanálise. Atualmente é estudante de Psicologia.

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A Eucaristia que se Transforma em Gestos

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Celebrar a Solenidade do Corpus Christi — o Corpo de Cristo — é olhar para o mistério da comunhão e compreender que a nossa fé não se encerra nos altares, mas se cumpre nas ruas, nas casas e no cuidado com o próximo.

​Quando essa passagem nos faz lembrar que devemos “levar Cristo não apenas em nossas orações, mas também em nossas atitudes de amor, respeito e solidariedade”, ela nos convoca a viver o verdadeiro tapete decorado da nossa existência:aquele feito com os passos da empatia e da justiça social.

A Eucaristia é partilha. Por isso, que neste dia sagrado, o nosso silêncio de oração se transforme em voz ativa contra as desigualdades. Que o pão repartido nos inspire a sermos promotores da dignidade humana, estendendo a mão aos que mais precisam e transformando o respeito em nossa principal ferramenta de trabalho e convivência.

Que o Corpo de Cristo seja o alimento que nos fortalece para construirmos, juntos, uma comunidade mais justa, fraterna e acolhedora.

Um abençoado Corpus Christi a todas as famílias!

​Vereadora – Maria Avalone

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