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Movimente-se e o enfrentamento ao sedentarismo

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CARLOS BOURET

 

Abril é o mês de conscientização sobre saúde e segurança do trabalho, conhecido como Abril Verde. É também um momento oportuno para refletirmos sobre um dos maiores desafios silenciosos da atualidade: o sedentarismo. Trata-se de um fator de risco significativo para uma série de doenças crônicas que impactam diretamente a qualidade de vida decorrente da ausência de atividade física.Abril é o mês de conscientização sobre saúde e segurança do trabalho, conhecido como Abril Verde. É também um momento oportuno para refletirmos sobre um dos maiores desafios silenciosos da atualidade: o sedentarismo. Trata-se de um fator de risco significativo para uma série de doenças crônicas que impactam diretamente a qualidade de vida decorrente da ausência de atividade física.
Vivemos em uma era de facilidades tecnológicas, mas também de hábitos cada vez mais passivos. Longas jornadas em frente a telas, deslocamentos motorizados e rotinas exaustivas contribuem para a redução do movimento no dia a dia. O resultado é preocupante: aumento nos casos de obesidade, diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, condições que poderiam, em grande parte, ser prevenidas com mudanças simples de comportamento.
Enfrentar o sedentarismo exige medidas simples, com constância e orientação adequada. A prática regular de atividades físicas melhora a saúde do corpo e o bem-estar mental, reduzindo níveis de estresse e ansiedade. É um investimento acessível e eficaz na própria saúde.
Nesse contexto, a Unimed Cuiabá, por meio do Viver Bem – Núcleo de Medicina Preventiva, desenvolve ações voltadas à promoção da saúde e prevenção de doenças. Um exemplo é o programa Movimente-se, que atua no estimulo à prática de exercícios físicos de forma orientada e segura.
O programa oferece atividades gratuitas ao ar livre, conduzidas por profissionais de Educação Física e com acompanhamento médico, proporcionando à população uma oportunidade acessível de sair do sedentarismo. As aulas são realizadas em locais estratégicos e horários que facilitam a participação:

• Parque Mãe Bonifácia: segunda, quarta e sábado, das 06h às 07h

• Parque das Águas: segunda e quarta, das 18h30 às 19h30

O Movimente-se tem auxiliado de forma positiva na promoção da qualidade de vida, por meio da integração social e conscientização sobre a importância do autocuidado.
Neste Abril Verde, o convite que fica é simples, mas essencial: movimente-se. Pequenas mudanças na rotina podem gerar grandes impactos ao longo do tempo. A saúde é construída diariamente, e cada passo conta.

Diretor presidente da Unimed Cuiabá, Carlos Bouret

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Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.

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