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Projeto ajuda idosos a combater esquecimento: “Continuar a vida”

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O passar dos anos deixa marcas visíveis na pele, mas também pode despertar receios que não aparecem no espelho, como o de perder a memória, a autonomia e o controle sobre a própria vida. Em Cuiabá, o programa Memória Afiada 60+ reúne homens e mulheres que buscam manter o cérebro ativo, preservar a independência e continuar aprendendo, em uma rotina que alia exercícios cognitivos à convivência social.

Nós vamos murchando. Não porque queremos, mas porque, às vezes, os próprios parentes e a sociedade fazem com que a gente fique assim

Aos 88 anos, José Tavares é um dos participantes mais antigos do grupo. Ele começou a frequentar o programa há mais de cinco anos, após identificar pequenos esquecimentos. “Vocês não me conheceram antes. Mas até ficar mais bonito eu já fiquei”, brincou.

O bom humor com que contou sua experiência contrasta com a reflexão sobre o tratamento dado aos mais velhos. Para José, a falta de atenção e respeito contribui para o afastamento dos idosos do convívio social, inclusive dentro da própria família.

“À medida que os anos chegam para nós, é costume na sociedade ir afastando os mais idosos do convívio. Acho que essa é uma das razões pelas quais nós, com o passar do tempo, vamos ficando isolados. Nós vamos murchando. Não porque queremos, mas porque, às vezes, os próprios parentes e a sociedade fazem com que a gente fique assim”, afirmou.

No Memória Afiada, José encontrou um espaço para aprender, compartilhar experiências e continuar participando ativamente da vida. Ele definiu a experiência como uma “reviravolta” em sua trajetória.

“A gente aprende a viver igual aos outros, temos alegrias, temos sentimentos, temos até amores, por incrível que pareça”, disse.

A busca pelo programa também parte de quem deseja estimular a mente como forma de prevenção. É o caso de Ozair Bezerra, de 70 anos, que conheceu o Memória Afiada ao passar em frente à antiga unidade e decidiu fazer uma aula experimental. “Fiz, gostei e estou aqui até hoje, há quase cinco anos”, contou.

Para ele, manter uma rotina de exercícios cognitivos é uma forma de se preparar para as mudanças que podem surgir com o envelhecimento.

“É um tratamento preventivo. A melhor coisa é prevenir. A idade chega e a gente sabe dos esquecimentos e de outros problemas que vão aparecendo, e o Memória Afiada nos prepara para esse momento”, afirmou.

Depois de começar, Ozair também levou a esposa para participar das atividades. “Nós estamos quase na mesma idade e seguindo esses conhecimentos. No dia a dia, a gente sabe os efeitos que isso traz para a gente”, disse.

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Desconto não é estratégia: como o comércio pode vender mais sem entrar na guerra de preço

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Por Cláudio Cordeiro — presidente do Sindicato das Agências de Propaganda de Mato Grosso e CEO da agência Gonçalves Cordeiro
Novembro chegou, e com ele a mesma cena de todos os anos. As vitrines se enchem de cartazes vermelhos, os panfletos gritam “até 70% OFF” e o comerciante, pressionado pelo concorrente da esquina e pelo gigante da internet, se pergunta quanto mais consegue baixar o preço sem quebrar. A Black Friday deste ano cai no dia 27, e logo depois vem o Natal. É a época em que o varejo mais vende e, paradoxalmente, a época em que muita loja mais perde dinheiro.
Acompanho o comércio há mais de 35 anos e posso afirmar uma coisa com tranquilidade: desconto não é estratégia. Desconto é ferramenta. E ferramenta usada sem estratégia costuma machucar quem a segura.
Quando uma loja dá 20% de desconto, ela não perde 20% do faturamento. Ela perde uma fatia muito maior do lucro. Se a margem de um produto é de 30%, um desconto de 20% faz a loja trabalhar praticamente de graça naquela venda. Para lucrar o mesmo que lucrava antes, ela precisaria vender várias vezes mais. Raramente vende.
E há um custo que não aparece na planilha: o cliente aprende. Quem compra só na liquidação passa a esperar a próxima liquidação. A loja que vive de promoção treina o próprio público a não pagar o preço cheio. E quando todo mundo na rua baixa o preço ao mesmo tempo, ninguém se diferencia, só a margem de todos encolhe.
Nessa guerra, o comércio local entra em desvantagem. Os grandes marketplaces têm escala, logística e fôlego financeiro para queimar dinheiro por meses. A loja de bairro em Cuiabá, Rondonópolis ou Sinop não tem. Brigar no terreno do adversário mais forte é a pior decisão possível.
A boa notícia é que o comerciante local tem armas que nenhuma plataforma gigante possui. O problema é que muitas vezes ele não sabe que as tem ou não comunica.
Proximidade. O cliente conhece o dono, o vendedor sabe o nome dele, a loja está ali, a dez minutos de casa. Isso vale dinheiro. Entrega no mesmo dia, troca sem burocracia, um café enquanto escolhe. Nenhum algoritmo oferece isso.
Atendimento que resolve. Quem vende um produto e explica como usar, ajuda a escolher o tamanho certo e atende o telefone quando dá problema está vendendo algo além do produto. Está vendendo segurança. E segurança o consumidor paga com gosto.
Identidade. O comércio mato-grossense tem cara, sotaque e história. Lojas que estão há 20, 30 anos na mesma esquina carregam a confiança de gerações. Isso é marca. E marca forte é justamente o que permite cobrar o preço justo sem precisar pedir desculpas.
Aqui vai cinco caminhos para vender mais sem sangrar a margem
1. Agregue valor em vez de cortar preço. Em vez de 15% de desconto, ofereça um brinde útil, a instalação gratuita, a embalagem especial de presente, a entrega no mesmo dia. O cliente percebe um ganho, e o custo para a loja costuma ser bem menor que o desconto.
2. Monte kits e combos. Juntar produtos que combinam aumenta o ticket médio e dificulta a comparação direta de preço com a internet. Um kit bem pensado resolve um problema do cliente e problema resolvido não se compra pelo menor preço.
3. Recompense quem volta. Programa de fidelidade, condição especial para cliente antigo, aviso antecipado de novidades pelo WhatsApp. É mais barato manter um cliente do que conquistar um novo, e quem se sente valorizado volta sem precisar de liquidação.
4. Crie experiência. Um evento de lançamento, um fim de tarde com degustação, uma vitrine que vira assunto na cidade. A loja física tem a vantagem de poder ser visitada. Use isso. O consumidor vai aonde se sente bem.
5. Se for dar desconto, dê com propósito. Promoção pode e deve existir, mas com data para começar e terminar, produto escolhido a dedo, objetivo claro (girar estoque parado, atrair cliente novo para uma categoria) e margem calculada antes, não depois.
De nada adianta ter atendimento excelente, entrega rápida e tradição se o cliente não sabe disso. Aqui entra o papel da comunicação profissional.
Propaganda bem-feita não serve só para anunciar preço. Ela constrói o motivo pelo qual o cliente deve escolher a sua loja mesmo quando há outra mais barata. Ela conta a história, mostra as pessoas por trás do balcão, reforça a confiança e lembra ao consumidor tudo o que ele ganha ao comprar perto de casa.
Loja que só aparece para anunciar promoção vira sinônimo de promoção. Loja que comunica o próprio valor durante o ano inteiro chega a novembro com o cliente já convencido.
Como presidente do Sindicato das Agências de Propaganda de Mato Grosso, vejo diariamente o trabalho de agências que conhecem a fundo o nosso mercado, o nosso consumidor e o nosso jeito de comprar. Esse conhecimento local é um ativo que o comércio mato-grossense deveria usar muito mais.
Antes de colar o próximo cartaz de “tudo pela metade”, faça três perguntas. Esse desconto se paga? O que eu ofereço que o concorrente não oferece? E o meu cliente sabe disso?
Se as respostas não estiverem claras, o problema não é o preço. É a estratégia.
O comércio que vai atravessar bem as próximas décadas não será o que cobra menos. Será o que o cliente escolhe mesmo quando poderia pagar menos em outro lugar. E isso não se conquista com desconto. Conquista-se com valor, constância e uma comunicação que saiba contar essa história.

Sou Cláudio Cordeiro, publicitário, jornalista e advogado. CEO da agência Gonçalves Cordeiro, que atua no mercado de Mato Grosso há mais de 30 anos, e presidente do Sindicato das Agências de Propaganda de Mato Grosso.

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