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Especialistas defendem visão integral e novos avanços nos dez anos do Marco Legal da Primeira Infância

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Em debate na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (12), gestores e parlamentares defenderam que as políticas para crianças de 0 a 6 anos devem ser integradas, unindo saúde, educação e assistência social.

A audiência pública foi promovida em conjunto por duas comissões: a de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família e a de Saúde, e marcou os dez anos do Marco Legal da Primeira Infância, legislação que estabelece princípios para a proteção e o desenvolvimento das crianças pequenas.

Os debatedores destacaram que a primeira infância é uma “janela de oportunidades” devido à capacidade de a criança aprender e responder a estímulos.

“Os aprendizados estão mais facilitados, o que é um alerta para a importância de investimentos nessa fase da vida”, observou a diretora de Gestão do Cuidado Integral do Ministério da Saúde, Karina Wengerkievicz. “O que a gente investe na primeira infância repercute no curso da vida dessa pessoa, da comunidade, da família.”

Ações dos ministérios
Representantes do governo federal apresentaram avanços na consolidação da lei.

Na área da assistência, o coordenador de Programas Intersetoriais do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Ikaro Flávio de Freitas, ressaltou o reordenamento do programa Criança Feliz e o adicional do Bolsa Família para a primeira infância como formas essenciais de proteção. “A atenção à primeira infância é segurança de proteção social e de convívio familiar”, afirmou.

Na Educação, o subsecretário da Política Nacional Integrada da Primeira Infância Alexsandro do Nascimento Santos informou que o ministério está organizando as filas de creches no país por meio de uma plataforma digital, após identificar 600 mil crianças aguardando vagas. “Para proteger, o Estado precisa assegurar que os serviços conversem entre si”, defendeu.

Já o Ministério da Saúde trabalha na redução da mortalidade infantil e no fortalecimento da atenção primária e da vacinação.

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Verônica Teixeira: “A primeira infância brasileira é pobre”

Desafios
Apesar dos progressos, os dados apresentados por Verônica Teixeira Glória, analista da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, revelam que 63,2% das crianças brasileiras de 0 a 6 anos, ou mais de 11 milhões de crianças, vivem em famílias de baixa renda. “A primeira infância brasileira é pobre. Estamos falando de famílias que necessitam de muita atuação do poder público”, alertou.

Verônica ainda trouxe um dado sobre a segurança das crianças: 70% dos casos de violência sexual contra essa faixa etária ocorrem dentro de casa.

Sugestões
O deputado Osmar Terra (PL-RS), autor do Marco Legal, defendeu a ampliação das visitas domiciliares como ferramenta para identificar invisibilidades. “Não tem outra maneira de chegar à família mais pobre se não for indo à casa dela”, sugeriu. “Indo à casa, você vê a violência doméstica, a miséria e a falta de alimentos”, listou.

Já a deputada Amanda Gentil (PP-MA) propôs que a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 seja encarada como uma pauta de cuidado infantil.

“Quando a gente traz uma perspectiva de mais tempo de convívio com a primeira infância, com as nossas crianças e adolescentes, a gente coloca a família presente todos os dias, com mais disposição, ajudando no desenvolvimento das nossas crianças”, argumentou Amanda.

Os participantes da audiência defenderam ainda um orçamento estável, a fim de transformar as ações de governo em estratégias permanentes de Estado.

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Ana Chalub

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GAFFFF 2026: diferentes olhares apontam os desafios que movem o agronegócio brasileiro

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Nos dias 1º e 2 de outubro de 2026, São Paulo recebeu mais uma edição do Global Agribusiness Festival (GAFFFF), considerado o maior festival mundial de conteúdo e cultura do agronegócio. 

Com uma programação que combina conteúdo, negócios, entretenimento e gastronomia, o GAFFFF é estruturado a partir de quatro pilares, representados pelos quatro “Fs” do nome: Forum, Fair, Fun e Food. O Forum concentra debates, palestras e painéis com especialistas e autoridades; o Fair promove a aproximação entre empresas, startups e produtores; o Fun leva entretenimento ao público; e o Food apresenta experiências relacionadas à gastronomia.

Mais do que apresentar tendências e tecnologias, o evento também se tornou um espaço para ouvir diferentes perspectivas sobre os desafios enfrentados pelo agronegócio brasileiro.

Para Gilvania Rufino, Líder Regional de Mato Grosso da XP Investimentos, “o grande desafio do agro hoje é transformar a complexidade do agronegócio em planejamento financeiro.” É justamente nesse ponto que, para ela, eventos como o GAFFFF ganham importância. Ao colocar lado a lado produtores, instituições financeiras, empresas e especialistas, o festival possibilita que diferentes partes da cadeia se aproximem e compreendam melhor as necessidades umas das outras.

A dimensão do potencial brasileiro esteve presente na avaliação de José Luiz Tejon, jornalista, publicitário, professor, escritor e conferencista atuante no agronegócio. Ao analisar o cenário atual, Tejon chama atenção para uma característica que acompanha o Brasil há décadas: a capacidade de produção e a posição estratégica que o país ocupa no agronegócio mundial. No entanto, “Para mim, o maior desafio do agro hoje é transformar todas as possibilidades em realidade”, afirma José Tejon. 

A reflexão parte da própria trajetória do agronegócio brasileiro. Tejon ressalta que o país construiu, ao longo dos últimos 50 anos, conhecimento, tecnologia e capacidade produtiva que permitiram ao Brasil alcançar uma posição de destaque no mercado internacional.

Na visão do especialista, entretanto, ter potencial não é suficiente. É preciso transformar aquilo que o país possui em oportunidades efetivas, não apenas para o produtor e para as empresas, mas também para o desenvolvimento do Brasil e para sua participação no cenário mundial.

Enquanto alguns dos desafios estão relacionados à gestão e à capacidade de transformar oportunidades em resultados, Romeu Ciochetta, produtor rural, chama atenção para uma questão que está cada vez mais presente no debate sobre o setor: a comunicação.

Para ele, o agronegócio precisa comunicar melhor à sociedade o que produz, como trabalha e a importância de sua atividade. Mais do que falar sobre o tamanho do setor, é necessário mostrar o trabalho realizado diariamente por produtores e profissionais que integram toda a cadeia. “Para mim, o maior desafio do agro hoje é a comunicação. Comunicar a todos sobre o que o agro faz, e que faz bem feito”, afirmou Ciochetta.

A percepção do produtor aponta para a necessidade de aproximar o consumidor e a sociedade da realidade do campo. Em um momento em que o agronegócio está presente em discussões econômicas, ambientais e sociais, comunicar de maneira clara aquilo que é produzido e como esse processo acontece se torna uma ferramenta importante.

A realidade do agronegócio, entretanto, não se limita àquilo que acontece dentro das propriedades rurais. Para Antonielly Rottoli, idealizadora do Mulheres do Agro de Rondônia, existem desafios estruturais que precisam ser enfrentados para que o setor continue crescendo.

Entre eles, ela destaca três pontos: logística, infraestrutura e empregabilidade. Nesse contexto, Antonielly vê o GAFFFF como um ambiente que vai além dos grandes debates. Para ela, o evento representa uma oportunidade de acesso a informações, tecnologias e, principalmente, de construção de relacionamentos.

O agro brasileiro já demonstrou sua capacidade de crescer e conquistar espaço no mundo. O desafio agora, como apontaram os participantes, é transformar todo esse potencial em realidade, fazendo com que o desenvolvimento do setor seja acompanhado por mais conexão, informação, planejamento e oportunidades.

Andreia Azevedo

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