Cultura
Rádio Nacional do Rio de Janeiro completa 89 anos no ar
Cultura
Quatorze anos após a primeira transmissão radiofônica no país, ao som de Luar do Sertão, de João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense, era inaugurada a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, que completa 89 anos nesta sexta-feira (12).

Fundada pelo grupo do Jornal A Noite, iniciou suas transmissões no dia 12 de setembro de 1936, mas começou a ganhar força em 1940, quando foi incorporada à União, firmando-se como fenômeno de expressão da cultura popular brasileira, e uma das cinco maiores rádios do mundo.
Pioneira no radiojornalismo
Durante a Segunda Guerra Mundial, no Brasil, o que era notícia, estava no Repórter Esso, um dos programas de maior audiência, apresentado pelo jornalista Heron Domingues.
A emissora recebia mais de 40 mil cartas por dia, consolidando-se como um importante instrumento de comunicação.
Segundo historiadores, havia tanta credibilidade do público que as informações só eram, de fato, legitimadas quando iam ao ar no Repórter Esso.
O presidente da EBC, André Basbaum, fala sobre a importância da emissora na história da radiodifusão brasileira.
“A emissora pública que tem uma história que se confunde com a história do rádio, da radiodifusão e da comunicação no Brasil. A Rádio Nacional tão importante, nos anos 30, 40, no espalhamento do sinal do rádio brasileiro por todo esse território da cultura brasileira, da indústria cultural brasileira. E hoje a EBC tem orgulho de ser responsável pela transmissão da Rádio Nacional em tantas cidades como o próprio Rio de Janeiro, onde ela nasceu, e também São Paulo, Brasília, São Luís, Recife, Belo Horizonte. Viva a Rádio Nacional, viva o rádio brasileiro.”
Antecipando a televisão
Com os programas de auditório, a Rádio Nacional também se destacou como a primeira emissora a alcançar grandes públicos com transmissões de alta qualidade e programação diversificada. Revolucionou a radiodifusão no Brasil ao introduzir radionovelas, programas de auditório e transmissões ao vivo de música e esportes, além de produzir um modelo de jornalismo radiofônico que se tornaria referência no país.
Pioneira em formatos de comunicação, chegou a ser copiada por várias outras emissoras, como conta o gerente-executivo da Rádio Nacional, Thiago Regotto.
“[Foi] copiado por muitas emissoras de rádio na época, que tentavam alcançar o sucesso que a Nacional teve nos anos 40, 50, 60 como a maior emissora da América Latina e uma das cinco maiores do mundo. E esse modelo inspirou depois a televisão, porque muitos profissionais que saíram da Rádio Nacional e saíram de outras emissoras que usavam Rádio Nacional como referência, foram fazer programas de auditório, esporte, novela, jornalismo, na TV.”
Relembre radionovelas da Nacional:
A Vidente e o Vigarista
Poronga, Terçado e Coragem
A Corrida do Ouro
Também lançou grandes artistas, locutores e jornalistas, formando um time de profissionais que marcaram a história do rádio. Um deles é Ronaldo Santoro, há 48 anos trabalhando na emissora.
“É muito gostoso, você se encanta por ela e vai embora. E estamos aí, continuando a fazer rádio, levando o melhor conteúdo possível para os ouvintes. A gente trabalha que na rádio, principalmente na Rádio Nacional, vive muito a rádio, mesmo em casa você está vivendo a rádio.”
Seus programas de auditório se tornaram referência reunindo o público no Edifício A Noite, o primeiro arranha-céu da América Latina.
Cultura sem fronteiras
Ouvinte assídua da Rádio Nacional, a professora Maria Auxiliadora destaca o papel fundamental da emissora.
“É ótimo. É encher a boca pra dizer que a gente tem uma rádio de qualidade. Para mim a Rádio Nacional é o que a gente chama de uma educação informal, porque nela a gente aprende o tempo todo. Ouvir a Rádio Nacional é ter certeza de que eu estou convivendo com uma comunicação inteligente, respeitosa a todos os ouvintes, respeitosa inclusive aos contraditórios, mas que se coloca de uma forma muito positiva em relação às notícias.”
Patrimônio da Comunicação Pública Brasileira, a Rádio Nacional integra a Empresa Brasil de Comunicação e opera hoje em rede com emissoras no Rio, São Paulo, Brasília, São Luís, Recife, Alto Solimões e Amazônia. Presente na memória afetiva de milhões de brasileiros, a emissora ajudou a contar a história do país.
* Com sonoplastia de Jaílton Sodré.
Cultura
Viva Maria: Flip 2026 celebra a força da língua portuguesa em Paraty
Olá, gente amiga deste nosso programa, que se apressa em convidar toda a sua audiência a se sentir na paradisíaca cidade de Paraty, no Rio de Janeiro. A partir de amanhã e até o próximo domingo, a cidade vai reunir escritores, pensadores e artistas do Brasil e do mundo na 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) 2026, que este ano tem como tema central “A energia da Língua Portuguesa!” 

Mais do que uma oportuna homenagem, o tema celebra a diversidade e a potência dessa nossa língua-mãe, que une mais de 260 milhões de falantes em todo o mundo.
Ao longo dos próximos cinco dias, a língua portuguesa vai ecoar nas mesas de debate, nas atividades programadas e nos diversos espaços da Flip, como a Tenda dos Autores, uma grande vitrine para livros que fazem história. Que o diga Cristina Serra, jornalista e apresentadora do programa Brasil no Mundo, da TV Brasil, que teve a oportunidade de lançar, na Flip de 2019, o livro que escreveu sobre a tragédia de Mariana.
Agora, outra obra marcada pela memória e pela busca por justiça chega ao evento.
Sete anos após perder seus dois únicos filhos e a nora, grávida de seu primeiro neto, no rompimento da barragem de Brumadinho, Helena Taliberti transforma o luto em literatura. Depois de criar o Instituto Camila e Luiz Taliberti, ela lança um relato autobiográfico que vai além da dor: é um grito contra o esquecimento e um convite à justiça, à memória e à vida.
O livro será lançado oficialmente na 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), na Casa Ofício, no dia 25 de julho, às 11h30. Na obra, Helena registra sua trajetória de amor, sofrimento e ressignificação, convidando o público a refletir sobre o luto e a importância de preservar a memória.
O lançamento será marcado pelo painel “Semear futuros, cultivar a vida”, que reunirá Helena Taliberti, a jornalista, escritora e roteirista Jéssica Moreira, autora da coluna Morte sem Tabu, da Folha de S.Paulo, e o jornalista e escritor Jamil Chade, referência na cobertura de direitos humanos e crises humanitárias.
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