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Rádio Nacional do Rio de Janeiro completa 89 anos no ar

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Quatorze anos após a primeira transmissão radiofônica no país, ao som de Luar do Sertão, de João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense, era inaugurada a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, que completa 89 anos nesta sexta-feira (12).

Fundada pelo grupo do Jornal A Noite, iniciou suas transmissões no dia 12 de setembro de 1936, mas começou a ganhar força em 1940, quando foi incorporada à União, firmando-se como fenômeno de expressão da cultura popular brasileira, e uma das cinco maiores rádios do mundo.

Pioneira no radiojornalismo

Durante a Segunda Guerra Mundial, no Brasil, o que era notícia, estava no Repórter Esso, um dos programas de maior audiência, apresentado pelo jornalista Heron Domingues.

A emissora recebia mais de 40 mil cartas por dia, consolidando-se como um importante instrumento de comunicação.


Redação de Radiojornalismo da Rádio Nacional no Edifício À Noite por ocasião do vigésimo aniversário da emissora em agosto de 1956. Fonte: Acervo da Rádio Nacional
Redação de Radiojornalismo da Rádio Nacional no Edifício À Noite por ocasião do vigésimo aniversário da emissora em agosto de 1956. Fonte: Acervo da Rádio Nacional

Redação de Radiojornalismo da Rádio Nacional no Edifício À Noite por ocasião do vigésimo aniversário da emissora em agosto de 1956. Fonte: Acervo da Rádio Nacional – Acervo da Rádio Nacional/EBC

Segundo historiadores, havia tanta credibilidade do público que as informações só eram, de fato, legitimadas quando iam ao ar no Repórter Esso.

O presidente da EBC, André Basbaum, fala sobre a importância da emissora na história da radiodifusão brasileira.

“A emissora pública que tem uma história que se confunde com a história do rádio, da radiodifusão e da comunicação no Brasil. A Rádio Nacional tão importante, nos anos 30, 40, no espalhamento do sinal do rádio brasileiro por todo esse território da cultura brasileira, da indústria cultural brasileira. E hoje a EBC tem orgulho de ser responsável pela transmissão da Rádio Nacional em tantas cidades como o próprio Rio de Janeiro, onde ela nasceu, e também São Paulo, Brasília, São Luís, Recife, Belo Horizonte. Viva a Rádio Nacional, viva o rádio brasileiro.”


Ator Paulo Gracindo no ensaio no Teatro da Rádio Nacional, em agosto de 1956.
Ator Paulo Gracindo no ensaio no Teatro da Rádio Nacional, em agosto de 1956.

Ator Paulo Gracindo no ensaio no Teatro da Rádio Nacional, em agosto de 1956. – Acervo EBC / Direitos Reservados

Antecipando a televisão

Com os programas de auditório, a Rádio Nacional também se destacou como a primeira emissora a alcançar grandes públicos com transmissões de alta qualidade e programação diversificada. Revolucionou a radiodifusão no Brasil ao introduzir radionovelas, programas de auditório e transmissões ao vivo de música e esportes, além de produzir um modelo de jornalismo radiofônico que se tornaria referência no país.

Pioneira em formatos de comunicação, chegou a ser copiada por várias outras emissoras, como conta o gerente-executivo da Rádio Nacional, Thiago Regotto.

“[Foi] copiado por muitas emissoras de rádio na época, que tentavam alcançar o sucesso que a Nacional teve nos anos 40, 50, 60 como a maior emissora da América Latina e uma das cinco maiores do mundo. E esse modelo inspirou depois a televisão, porque muitos profissionais que saíram da Rádio Nacional e saíram de outras emissoras que usavam Rádio Nacional como referência, foram fazer programas de auditório, esporte, novela, jornalismo, na TV.” 

Relembre radionovelas da Nacional:
A Vidente e o Vigarista
Poronga, Terçado e Coragem
A Corrida do Ouro

Também lançou grandes artistas, locutores e jornalistas, formando um time de profissionais que marcaram a história do rádio. Um deles é Ronaldo Santoro, há 48 anos trabalhando na emissora.

“É muito gostoso, você se encanta por ela e vai embora. E estamos aí, continuando a fazer rádio, levando o melhor conteúdo possível para os ouvintes. A gente trabalha que na rádio, principalmente na Rádio Nacional, vive muito a rádio, mesmo em casa você está vivendo a rádio.”

Seus programas de auditório se tornaram referência reunindo o público no Edifício A Noite, o primeiro arranha-céu da América Latina.


Fachada do Edifício À Noite que teve seu tombamento oficializado pelo IPHAN na semana passada. O prédio foi sede da Rádio Nacional por décadas (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Fachada do Edifício À Noite que teve seu tombamento oficializado pelo IPHAN na semana passada. O prédio foi sede da Rádio Nacional por décadas (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Fachada do Edifício À Noite, sede da Rádio Nacional por décadas – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Cultura sem fronteiras

Ouvinte assídua da Rádio Nacional, a professora Maria Auxiliadora destaca o papel fundamental da emissora.

“É ótimo. É encher a boca pra dizer que a gente tem uma rádio de qualidade. Para mim a Rádio Nacional é o que a gente chama de uma educação informal, porque nela a gente aprende o tempo todo. Ouvir a Rádio Nacional é ter certeza de que eu estou convivendo com uma comunicação inteligente, respeitosa a todos os ouvintes, respeitosa inclusive aos contraditórios, mas que se coloca de uma forma muito positiva em relação às notícias.”

Patrimônio da Comunicação Pública Brasileira, a Rádio Nacional integra a Empresa Brasil de Comunicação e opera hoje em rede com emissoras no Rio, São Paulo, Brasília, São Luís, Recife, Alto Solimões e Amazônia. Presente na memória afetiva de milhões de brasileiros, a emissora ajudou a contar a história do país.

* Com sonoplastia de Jaílton Sodré.

 


Fonte: EBC Cultura

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Exposição em São Luís homenageia Mestre Bita do Barão de Guaré

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Uma referência da história recente das religiões de matriz africana no Brasil, o maranhense Mestre Bita do Barão de Guaré, falecido em 2019, ganha exposição, a partir desta sexta-feira (6), em São Luís, no Maranhão.

Neste Mês da Consciência Negra, o Museu Cafua das Mercês, que fica no centro histórico da capital maranhense, abre seus salões para uma imersão na história, nos saberes e nas tradições de uma das mais importantes manifestações da religiosidade e da cultura afro-brasileira, o Terecô, que teve como seu maior expoente Wilson Nonato de Sousa, o Mestre Bita do Barão.

A exposição “Terecô de Codó: o caminho de Mestre Bita do Barão entre tambores, encantados e ancestralidade” traz objetos, fotografias, documentos e outros registros da trajetória de Mestre Bita do Barão. Em paralelo, a mostra também apresenta ao público rituais, cantos, rezas e toques que consolidaram a tradição mantida viva por homens e mulheres do Terecô Tambor das Matas.

Terecô

A religião de matriz africana, surgida no interior do Maranhão, é muito praticada nos terreiros do interior do estado e tem a cidade de Codó como principal centro mantenedor da manifestação religiosa. Surgida no século 18, o Terecô tem elementos da Umbanda e do Tambor de Mina, entre outras religiões afro-brasileiras, além da influência do catolicismo.

Realizada pelo governo do Maranhão, pelo Museu Cafua das Mercês – Museu do Negro e pela Tenda Umbandista Rainha de Iemanjá, a exposição seguirá aberta aos visitantes até o dia 30 de março do ano que vem.


Fonte: EBC Cultura

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