Opinião

Traumas antigos, sintomas atuais: o que o seu corpo tenta revelar

Publicado em

Opinião

Por Dra. Daniela Bastos

O corpo não mente. Ele apenas comunica.
A dor que insiste, o cansaço que não passa e a doença que se manifesta, podem ser o
corpo tentando expressar histórias que ficaram guardadas muito antes de você aprender a
se defender do mundo.
A ciência tem confirmado o que a alma já intuía: o corpo guarda memórias.
Essas memórias não se limitam ao que você viveu na vida adulta. Elas podem vir da
primeira infância, da vida intrauterina e até mesmo de gerações anteriores, compondo uma
herança silenciosa que molda o sistema nervoso, a imunidade e a forma como nos relacionamos com o mundo.

O corpo como mapa da história emocional
Pesquisas em neurociência e regulação do sistema nervoso autônomo demonstram que
experiências precoces moldam a forma como o corpo percebe segurança ou ameaça
(Porges, 2011; van der Kolk, 2014).
Quando um bebê é gestado em um ambiente tenso, marcado por medo, rejeição, traumas
ou uma gravidez difícil; seu sistema nervoso aprende cedo que o mundo é um lugar
perigoso.
Mesmo sem palavras, o corpo registra: “preciso estar em alerta para sobreviver.”
Essa programação precoce, se não for ressignificada, pode permanecer ativa por décadas,
manifestando-se em sintomas físicos, emocionais e comportamentais que refletem um
corpo em estado de “luta ou fuga”.
A neurobiologia do trauma explica que o corpo reage antes que a mente compreenda.
Quando há trauma, o sistema nervoso tende a permanecer em modo de sobrevivência,
liberando hormônios e substâncias inflamatórias que, com o tempo, afetam todo o
organismo (Levine, 2010; Scaer, 2014).

Quando a inflamação é uma linguagem emocional
Estudos em psiconeuroimunologia e epigenética demonstram que traumas não resolvidos
podem alterar a expressão dos genes (Yehuda et al., 2016).
A dor emocional, portanto, pode literalmente inflamar o corpo.
Muitas doenças consideradas “crônicas”, como endometriose, fibromialgia, doenças
autoimunes e distúrbios digestivos, entre outras desordens, são expressões de um corpo
sobrecarregado por histórias não processadas, que pedem escuta e compreensão, não
apenas medicação.
O corpo tenta curar o que a mente esqueceu, e os sintomas tornam-se a linguagem dessa
tentativa

Da sobrevivência à autorregulação
A cura começa quando paramos de lutar contra o corpo e passamos a ouvi-lo.
Os sintomas não são inimigos; são mensageiros que apontam onde há medo, culpa,
repressão ou padrões herdados que já não servem mais.
A neuroplasticidade, amplamente validada pela ciência, demonstra que o cérebro pode
formar novas conexões e responder de modo diferente quando encontra segurança
(Doidge, 2007).
Quando unimos práticas da naturopatia, como alimentação anti-inflamatória, suplementação
específica e regulação ambiental à abordagens trauma-informed, que valorizam segurança,
presença e reconexão corporal, o sistema nervoso gradualmente sai do estado de defesa e
entra no estado de cura.
O corpo, então, deixa de reagir e começa a restaurar.

Um novo paradigma de saúde
O verdadeiro tratamento não é o que combate, mas o que reconcilia.
É olhar para o corpo, a alma, o espírito e o ambiente como dimensões de um mesmo
campo.
Antes de adoecer, o corpo tentou de todas as formas, sobreviver.
Cada sintoma merece escuta e compaixão, não julgamento.
A cura acontece quando criamos condições internas de segurança, e, nesse lugar, o corpo
faz o que foi criado para fazer: curar-se.

Como afirma Bessel van der Kolk, “o corpo guarda as marcas, mas também guarda o
caminho da restauração.”

Sobre a autora
• Pós-graduanda em Neurociência, Trauma e Saúde Mental pela MUST University (EUA)
• Formação pelo Trauma Research Foundation (EUA) – sob direção do Dr. Bessel van der
Kolk, com ênfase em Trauma-Informed Care
• Terapeuta Naturopata – CRTH 8070
• Cirurgiã-Dentista, com duas especializações
• Empresária nas áreas da Saúde e Imobiliária
• Atua como especialista em Neurociência Aplicada e Naturopatia Integrativa no projeto
CAMPi, contribuindo para o cuidado e regulação de pacientes com histórico de trauma,
autismo e outras desordens mentais.

Referências utilizadas
● Doidge, N. (2007). The Brain That Changes Itself.
● Levine, P. (2010). In an Unspoken Voice: How the Body Releases Trauma and
Restores Goodness.
● Porges, S. (2011). The Polyvagal Theory: Neurophysiological Foundations of
Emotions, Attachment, Communication, and Self-Regulation.
● Scaer, R. (2014). The Body Bears the Burden: Trauma, Dissociation, and Disease.
● van der Kolk, B. (2014). The Body Keeps the Score.
● Yehuda, R. et al. (2016). Epigenetic biomarkers as predictors and correlates of
symptom improvement following psychotherapy in PTSD.

https://www.instagram.com/dradanielabastoss

 

 

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Opinião

Saúde suplementar: o papel da Unimed Cuiabá no equilíbrio do sistema em Cuiabá

Publicados

em

CARLOS BOURET

Cuiabá celebra 307 anos de história carregando em sua essência a força de um povo que aprendeu, ao longo do tempo, a cuidar uns dos outros. Em uma cidade que cresce, se transforma e acolhe novas gerações, a saúde se torna um dos pilares mais importantes para garantir qualidade de vida e desenvolvimento.

Assim como tantas outras cidades brasileiras, Cuiabá enfrenta o desafio de equilibrar a crescente demanda por serviços de saúde com a capacidade de atendimento disponível. Nesse cenário, é fundamental compreender que a solução não está na oposição entre os sistemas público e privado, mas na atuação complementar entre eles. É justamente nesse ponto que a saúde suplementar assume um papel estratégico, e a Unimed Cuiabá tem contribuído de forma decisiva para esse equilíbrio.

Ao longo dos últimos anos, temos acompanhado o aumento da pressão sobre o sistema de saúde, impulsionado pelo envelhecimento da população, pelo avanço das doenças crônicas e pela maior demanda por acesso a exames e tratamentos. São desafios que aparecem no dia a dia das famílias, nas consultas médicas, nos hospitais e nas unidades de atendimento. Esse cenário exige não apenas expansão, mas eficiência, planejamento e responsabilidade na gestão dos recursos.

A Unimed Cuiabá tem buscado cumprir esse papel com seriedade. Como cooperativa médica, nossa atuação vai além da prestação de serviços. Somos parte ativa de um ecossistema que envolve profissionais de saúde, pacientes, prestadores e o próprio poder público. O equilíbrio é fundamental para que toda a rede de saúde funcione de forma mais eficiente e consiga atender melhor a população.

Mas é preciso ir além do acesso. Um dos maiores desafios da saúde suplementar no Brasil é garantir sustentabilidade sem abrir mão da qualidade assistencial. E esse tem sido um dos principais focos da nossa gestão. Trabalhamos para fortalecer a governança, qualificar processos e tomar decisões cada vez mais baseadas em evidências. Esse caminho tem nos permitido avançar de forma consistente, equilibrando custos e melhorando a eficiência do atendimento.

Outro ponto essencial é a valorização da prevenção. Investir em saúde não significa apenas tratar doenças, mas atuar antes que elas se agravem. Programas de acompanhamento, incentivo ao diagnóstico precoce e organização de linhas de cuidado são fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e, ao mesmo tempo, reduzir custos futuros para todo o sistema.

Além do impacto assistencial, a Unimed Cuiabá também desempenha um papel relevante na economia local. Geramos empregos, movimentamos a cadeia da saúde e contribuímos para o desenvolvimento da cidade. A saúde, nesse sentido, também é desenvolvimento social, geração de oportunidades e fortalecimento da comunidade.

Celebrar os 307 anos de Cuiabá é também reafirmar um compromisso com o futuro. Seguiremos trabalhando para que cada pessoa que vive nesta cidade possa contar com um sistema de saúde cada vez mais eficiente, acessível e humano.

Nosso propósito permanece claro: cuidar das pessoas, fortalecer a saúde em Cuiabá e contribuir para um sistema mais equilibrado, sustentável e preparado para os desafios que virão.

Diretor-presidente da Unimed Cuiabá Carlos Bouret

 

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA