Política

Dentistas apontam que desalinhamento dos dentes supera cáries em crianças

Publicado em

Política

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) realizou, nesta segunda-feira (13), audiência pública para instruir o PL 2.888/2021, que institui no calendário oficial o Julho Laranja — campanha de conscientização voltada à realização de exames ortodônticos em crianças. Esses exames mostram se os dentes estão no lugar certo e se o encaixe da mordida está adequado, avaliando a necessidade de tratamento. A sessão foi presidida pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), relatora do projeto no Senado.

Dados da campanha Julho Laranja mostram que cerca de 68,4% das crianças brasileiras podem precisar de tratamento ortodôntico e que as más oclusões são mais comuns do que a cárie dentária na população infantil. De acordo com Ricardo Fabris Paulin, secretário da Câmara Técnica de Ortodontia do Conselho Regional de Odontologia do Distrito Federal (CRO-DF), problemas ortodônticos não são apenas uma questão estética, e sim de saúde pública:

— As más oclusões estão diretamente associadas a problemas respiratórios, distúrbios do sono, dificuldades de aprendizagem, prejuízo no desenvolvimento cognitivo e, infelizmente, ao bullying escolar. O impacto psicossocial é profundo, baixa autoestima, isolamento, sofrimento emocional. E aqui faço um ponto fundamental: saúde pública, saúde bucal é saúde integral — afirmou Ricardo.

A avaliação foi reforçada por Cibele Cristina Albergaria de Magalhães — odontopediatra, ortodontista e idealizadora da campanha Julho Laranja. Ela explicou que as más oclusões podem ter diversas causas, como uso prolongado de chupeta, respiração bucal, fatores genéticos, perda precoce de dentes de leite, entre outros. A especialista também destacou os benefícios do diagnóstico e do tratamento precoce.

— Melhora o padrão respiratório, a cognição, os distúrbios respiratórios do sono, o crescimento facial, o desenvolvimento da dentição e facilita o acompanhamento da trajetória do neurodesenvolvimento.

Para Ricardo Machado Cruz, presidente da Associação Latino-Americana de Ortodontia (Alado), a aprovação do projeto pode ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e impulsionar políticas públicas na área. Ele acredita que a iniciativa vai contribuir para expandir o atendimento ortodôntico no sistema público de saúde e alcançar todas as crianças, não apenas aquelas com acesso à rede privada. Segundo o especialista, o setor público tem condições de oferecer esse tipo de atendimento de forma mais ampla à população infantil.

Tratamento precoce

Uma das principais preocupações apontadas pelos debatedores é a importância do tratamento precoce. Professora titular de Ortodontia da Universidade de São Paulo (USP), Daniela Garib afirmou que o primeiro exame ortodôntico deve ser realizado por volta dos seis anos de idade, quando ocorre a queda do primeiro dente de leite — orientação que está alinhada à campanha Julho Laranja.

Segundo ela, a faixa dos 6 aos 12 anos concentra um período de intensas transformações no desenvolvimento infantil, com crescimento acelerado e a substituição dos dentes de leite pelos permanentes. Nesse contexto, as intervenções odontológicas tendem a ser mais simples e menos invasivas.

 — Isso é muito importante, porque a prevenção simplifica, tem procedimentos muito mais simples, a gente vai abreviar o sofrimento humano, nós temos o potencial de abreviar o sofrimento humano mais precocemente possível, levando ao bem-estar físico, mental e social das crianças e com o menor custo financeiro e biológico possível. 

Julho Laranja

O Julho Laranja é uma campanha nacional criada em 2019 com o objetivo de conscientizar sobre a importância da avaliação ortodôntica precoce. Inspirada em iniciativas como o Outubro Rosa, a ação busca estruturar, no âmbito institucional, uma prática que já vinha sendo adotada por profissionais e instituições de ensino.

A campanha foi construída com base em estudos e na observação de hábitos da população brasileira, como a maior procura por atendimento odontológico no mês de julho. Desde sua criação, tem ampliado a adesão de universidades, profissionais e redes de ensino, além de promover temas anuais relacionados à saúde bucal infantil e ações de mobilização em todo o país.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Política

Deputado prevê rápida aprovação de controle sanitário para suplementos alimentares

Publicados

em

Em entrevista à Rádio Câmara, o deputado Felipe Carreras (PSB-PE) disse acreditar em rápida aprovação de propostas que ampliam o controle sanitário e as punições para fraudes e publicidade enganosa em torno dos suplementos alimentares. Os três projetos de lei (PLs 5229/25, 5319/25 e 6000/25) foram recomendados pelo grupo de trabalho que ele coordenou na Câmara dos Deputados, já tiveram o regime de urgência aprovado e, portanto, estão prontos para votação no Plenário. Além de criminalização e aumento de multa diante de irregularidades, as propostas têm foco em segurança alimentar.

“É algo muito sério e eu acredito que, logo, a gente vai dar um remédio para proteger o consumidor brasileiro. Nós temos a grande chance de ter uma legislação moderna e de referência internacional, na medida em que nós procuramos enxergar todos os mercados mundiais que comercializam suplemento. A gente acha que, nos próximos dias, a gente terá essa legislação aprovada”, disse.

Banalização dos produos
A recente morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, em São Paulo, aumentou o alerta da sociedade em geral sobre a banalização do uso e do comércio de anabolizantes. O jovem falava abertamente desses produtos em suas redes sociais, com cerca de 1,7 milhão de seguidores. Ele recebeu uma das doses injetáveis diante das câmeras, nas redes de outro influenciador digital. Felipe Carreras mostra como as propostas enfrentam situações como essa.

“A gente pensa em uma proibição, uma multa, para a rede social que estiver possibilitando esse tipo de propagação indiscriminada, assim como as big techs que ofertam no Mercado Livre, no Amazon, na Shopee, esse tipo de produto. Pior do que a suplementação inadequada é a substância falsificada e isso está entrando no Brasil e sendo sugerido por esses digital influencers, que não têm nem formação médica.”

Entre 2000 e 2025, 63% dos processos analisados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foram relacionados a suplementos, envolvendo uso de anabolizantes, manipulação do teor de proteínas e rótulos irregulares. Nas audiências públicas promovidas pelo grupo de trabalho, entre outubro do ano passado e março deste ano, técnicos da Anvisa relataram casos de suplemento ômega 3 feito apenas de óleo vegetal com aroma de peixe; whey protein e creatina à base de farinha com saborizante; e substâncias tóxicas do agronegócio em laboratório de suplemento alimentar.

Importância da legislação
O deputado argumentou que a regulamentação desse setor não pode ficar restrita apenas a resoluções da Anvisa, como acontece hoje.

“Não há uma lei nacional sobre isso. Há uma RDC, que é uma resolução de diretoria de colegiado da Anvisa. A gente teve recentemente uma marca forte de leite, com um lote em que tinha criança apresentando sintoma gastrointestinal. Foi retirado esse lote. Sabe qual foi a punição que essa empresa grande recebeu? Nada. Hoje foi noticiada a questão da água mineral, em que está sendo retirado esse lote porque tem uma bactéria. Talvez receba apenas uma punição administrativa”, reclamou.

Felipe Carreras deverá ser o relator das propostas de controle sanitário dos suplementos alimentares no Plenário da Câmara. O deputado lembrou que as audiências no grupo de trabalho ouviram todos os setores envolvidos, desde as empresas até médicos e nutrólogos.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA