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Justiça autoriza inquérito para apurar gestão do DAE em VG

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso autorizou a instauração de inquérito policial para investigar a prefeita de Várzea Grande, Flávia Petersen Moretti, por possíveis irregularidades na gestão do Departamento de Água e Esgoto (DAE/VG).

A decisão é do desembargador Orlando de Almeida Perri e atende a pedido do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, por meio do Núcleo de Ações de Competência Originária Criminal. A investigação apura indícios de crimes contra a administração pública, como peculato, fraude administrativa e possível manipulação indevida de sistemas públicos.

As suspeitas surgiram a partir de investigação preliminar conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção, após denúncia de um perito contratado pelo DAE para auditoria técnica. O relatório apontou inconsistências nos sistemas da autarquia, incluindo divergências em backups, falhas em dados de faturamento e registros anômalos de corte e religação de água, levantando a hipótese de “ligações fantasmas” e possível desvio de recursos públicos.

O documento também menciona a existência de pagamentos irregulares, inconsistências no Plano de Cargos, Carreiras e Salários e até possível acesso indevido a informações sigilosas relacionadas a investigações em andamento.

Ainda conforme os autos, apurações internas teriam sido interrompidas após mudanças na gestão do órgão, além de relatos de exonerações em massa, promoção de servidor investigado e supostas ameaças e intimidações dentro da autarquia.

Há também referência a registros de áudio indicando que a prefeita teria conhecimento das irregularidades apontadas.

Com a decisão, o caso será aprofundado pela autoridade policial vinculada ao NACO, que deverá realizar diligências como perícias técnicas, análise de documentos, extração de dados de sistemas e oitivas de envolvidos.

A investigação tramita sob sigilo.

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Projeto ajuda idosos a combater esquecimento: “Continuar a vida”

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O passar dos anos deixa marcas visíveis na pele, mas também pode despertar receios que não aparecem no espelho, como o de perder a memória, a autonomia e o controle sobre a própria vida. Em Cuiabá, o programa Memória Afiada 60+ reúne homens e mulheres que buscam manter o cérebro ativo, preservar a independência e continuar aprendendo, em uma rotina que alia exercícios cognitivos à convivência social.

Nós vamos murchando. Não porque queremos, mas porque, às vezes, os próprios parentes e a sociedade fazem com que a gente fique assim

Aos 88 anos, José Tavares é um dos participantes mais antigos do grupo. Ele começou a frequentar o programa há mais de cinco anos, após identificar pequenos esquecimentos. “Vocês não me conheceram antes. Mas até ficar mais bonito eu já fiquei”, brincou.

O bom humor com que contou sua experiência contrasta com a reflexão sobre o tratamento dado aos mais velhos. Para José, a falta de atenção e respeito contribui para o afastamento dos idosos do convívio social, inclusive dentro da própria família.

“À medida que os anos chegam para nós, é costume na sociedade ir afastando os mais idosos do convívio. Acho que essa é uma das razões pelas quais nós, com o passar do tempo, vamos ficando isolados. Nós vamos murchando. Não porque queremos, mas porque, às vezes, os próprios parentes e a sociedade fazem com que a gente fique assim”, afirmou.

No Memória Afiada, José encontrou um espaço para aprender, compartilhar experiências e continuar participando ativamente da vida. Ele definiu a experiência como uma “reviravolta” em sua trajetória.

“A gente aprende a viver igual aos outros, temos alegrias, temos sentimentos, temos até amores, por incrível que pareça”, disse.

A busca pelo programa também parte de quem deseja estimular a mente como forma de prevenção. É o caso de Ozair Bezerra, de 70 anos, que conheceu o Memória Afiada ao passar em frente à antiga unidade e decidiu fazer uma aula experimental. “Fiz, gostei e estou aqui até hoje, há quase cinco anos”, contou.

Para ele, manter uma rotina de exercícios cognitivos é uma forma de se preparar para as mudanças que podem surgir com o envelhecimento.

“É um tratamento preventivo. A melhor coisa é prevenir. A idade chega e a gente sabe dos esquecimentos e de outros problemas que vão aparecendo, e o Memória Afiada nos prepara para esse momento”, afirmou.

Depois de começar, Ozair também levou a esposa para participar das atividades. “Nós estamos quase na mesma idade e seguindo esses conhecimentos. No dia a dia, a gente sabe os efeitos que isso traz para a gente”, disse.

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