Várzea Grande
Flávia Moretti coloca Fidélis no comando de duas secretarias em Várzea Grande
Várzea Grande
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), nomeou Silvio Aparecido Fidélis para responder também pela Secretaria Municipal de Administração, mantendo-o simultaneamente no comando da Secretaria de Governo. A mudança foi oficializada na quarta-feira (4), por meio de publicação no Jornal Oficial dos Municípios de Mato Grosso.
Com a decisão, Fidélis passa a acumular duas pastas estratégicas da administração municipal e terá entre suas atribuições o início dos trabalhos de reforma administrativa da Prefeitura. Segundo a gestão, a acumulação das funções não representará aumento de despesas para os cofres públicos.
A então secretária de Administração, Jaqueline Favetti, deixou a titularidade da pasta e passou a ocupar o cargo de subsecretária. Para viabilizar a alteração, Marcos Roberto Sovinski, que exercia a função de subsecretário, foi exonerado.
A reorganização ocorre em um momento de revisão da estrutura administrativa do município, mas a Prefeitura não detalhou os motivos específicos da substituição nem apresentou informações sobre as mudanças que deverão integrar a reforma.
A escolha de Fidélis chama atenção porque o secretário já esteve no centro de questionamentos relacionados a um contrato de transporte escolar firmado em 2022, durante a gestão do ex-prefeito Kalil Baracat (MDB), quando ele comandava a Secretaria Municipal de Educação.
Em outubro de 2025, a própria Flávia Moretti encaminhou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) e ao Ministério Público Estadual (MPMT) os resultados de uma auditoria que apontou possível sobrepreço de aproximadamente R$ 6,2 milhões no contrato.
O levantamento identificou, entre outros pontos, divergências entre a quilometragem cobrada pela empresa responsável pelo transporte escolar e os trajetos efetivamente realizados. Também foram levantadas suspeitas de irregularidades no processo licitatório.
Apesar das denúncias, Fidélis foi nomeado secretário de Governo em dezembro de 2025. Em agosto de 2026, chegou a ser afastado cautelarmente por decisão judicial, sob o argumento de que sua permanência no cargo poderia representar risco à produção de provas. Posteriormente, o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira, suspendeu o afastamento e autorizou seu retorno à função.
Após a publicação da nova nomeação, o advogado Juliano Brustolin apresentou recurso ao Tribunal de Justiça para tentar restabelecer o afastamento cautelar de Fidélis. A argumentação considera que a Secretaria de Administração envolve atribuições relacionadas à gestão de pessoal, contratos e procedimentos administrativos, o que, na avaliação do advogado, justificaria uma nova análise judicial.
Fidélis nega responsabilidade direta pelas supostas irregularidades no contrato de transporte escolar. Em manifestação no processo, afirmou que sua participação na contratação e na execução dos serviços foi formal e que não era responsável pelas medições realizadas.
As investigações sobre o contrato seguem em andamento, sem decisão definitiva que estabeleça a responsabilidade do secretário. Com a nova designação, ele passa a concentrar a articulação política do Executivo e parte da gestão administrativa de Várzea Grande.
Várzea Grande
Faissal questiona posição de Cattani na disputa pela Mesa Diretora e sugere saída do PL
A articulação para a escolha da próxima Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) provocou um novo atrito entre os deputados estaduais do PL. Faissal Calil criticou publicamente o posicionamento de Gilberto Cattani, que sinalizou apoio à permanência de Dr. João (MDB) na Primeira-Secretaria da Casa, e chegou a sugerir que o colega deixe a legenda e se filie ao Podemos.
A declaração foi feita na quarta-feira (4), durante conversa com jornalistas. Faissal disputa justamente a Primeira-Secretaria e conta com o apoio dos outros dois parlamentares do PL na Assembleia. Cattani, entretanto, é o único integrante da bancada que não acompanha a articulação do correligionário.
Ao comentar a posição do deputado, Faissal afirmou que o alinhamento com o presidente da Assembleia, Max Russi (Podemos), deveria ser acompanhado de uma mudança partidária.
“Então, para mim, ele já pode mudar para o Podemos, então. Não é mais o PL”, disparou.
O descontentamento de Faissal está relacionado, principalmente, à decisão de Cattani de apoiar Dr. João, que pertence ao MDB. O parlamentar argumentou que PL e MDB estiveram em lados opostos em disputas políticas recentes em Mato Grosso, incluindo eleições municipais e articulações para o Senado.
“Se o PL tem uma grande briga com o MDB aqui no Estado de Mato Grosso, você sabe das prefeituras, você sabe como foi Rondonópolis, você sabe como foi aqui em Cuiabá, você sabe como foi o Senado. Eu não acho certo isso, mas isso é decisão dele, isolada dele”, afirmou.
Faissal também relatou que havia conversado previamente com Cattani sobre a formação da nova Mesa Diretora. Segundo ele, o colega demonstrou interesse em disputar a Primeira-Vice-Presidência, e a possibilidade chegou a ser discutida entre os dois.
O deputado afirmou que foi surpreendido quando Cattani declarou apoio à continuidade de Dr. João na Primeira-Secretaria, sem antes discutir a decisão com os demais integrantes da bancada.
“Ele sempre esteve na Mesa com o voto do Faissal. Ele foi a primeira pessoa que eu comuniquei. A pessoa que eu mais converso dentro do Parlamento”, relatou.
Na avaliação de Faissal, o posicionamento do correligionário foi precipitado e deveria ter sido debatido coletivamente.
“Infelizmente, eu acho que ele teve uma atitude precipitada. E ele avaliou de forma individual o apoio dele”, criticou.
Grupo articula votos para a Primeira-Secretaria
Faissal afirmou ainda que mantém uma articulação formada por nove deputados estaduais para disputar a Primeira-Secretaria. O grupo se reuniu recentemente em um jantar na residência do parlamentar e trabalha para ampliar o apoio de outros três integrantes da Assembleia.
Além de Faissal, estão colocados como possíveis representantes do bloco os deputados Diego Guimarães (Republicanos) e Chico Guarnieri (PSDB). A definição deverá ocorrer por consenso, levando em consideração a capacidade de cada nome de reunir votos.
“Nós temos nove votos. Pessoas que eu tenho certeza que não vão trair, não vão faltar com lealdade”, declarou.
A disputa pela Primeira-Secretaria integra as negociações para a composição da próxima Mesa Diretora da Assembleia, cuja eleição está prevista para fevereiro de 2027.
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