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Em lançamento de livro, Sérgio Ricardo destaca metas e foco no ser humano para reduzir desigualdades

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O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, defendeu o uso de metas como instrumento de planejamento para orientar políticas públicas e enfrentar as desigualdades do estado, durante o lançamento do seu livro Gestão de Desempenho por Metas, nesta segunda-feira (27).

“A meta precisa ser o ser humano. É levar o desenvolvimento que já existe no campo para dentro das cidades, gerar emprego, qualificar as pessoas e criar oportunidades para quem hoje está à margem. Sem foco, o Estado vira um navio sem rumo”, disse.

Neste cenário, o planejamento parte de diagnóstico claro da realidade. “Hoje, Mato Grosso é um estado rico para alguns setores, mas ainda temos meio milhão de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Não tem como enfrentar isso sem conhecer a realidade e estabelecer objetivos claros para mudar essa realidade”, acrescentou.

O presidente reforçou ainda que o conteúdo está alinhado ao programa Mato Grosso 2050. “Tudo isso tem a ver com o que estamos discutindo nesse momento, que é o plano de metas Mato Grosso 2050. Nós vamos gerir as ideias sem perder o foco. Nossa meta é termos um Mato Grosso diferente do que é hoje”, pontuou o presidente.

Coautor da obra, o secretário-executivo de Gestão de Pessoas do TCE-MT, Eneias Viegas, salientou que o livro avança sobre um dos pontos mais complexos da administração pública: a definição e mensuração de metas.

“Estamos tratando de algo que ainda é pouco explorado, que é como aferir desempenho em diferentes áreas. Nem tudo é mensurável de forma simples. Um processo pode levar dias ou meses, dependendo da complexidade, e isso precisa ser considerado na hora de estabelecer metas”, explicou.

Já o coordenador do livro, Rennan Thamay, detalhou a abordagem do material, baseada em uma gestão qualificada. Ele também chamou a atenção para a importância de um modelo construído a partir do diálogo, da participação coletiva e de objetivos viáveis na prática, sem abrir mão da eficiência e do respeito aos direitos.

“Trata-se de um livro muito preocupado com metas humanizadas, mas metas que são atendidas e alcançadas a partir de uma gestão qualificada e cuidadosa. A ideia foi apresentar metas como possíveis e factíveis, a partir de diálogo, consenso e construção coletiva”, pontuou.

A obra também apresenta uma abordagem metodológica para a gestão por metas, baseada na integração entre governança, dados, tecnologia e comportamento organizacional. A proposta é estruturar metas a partir de critérios técnicos, alinhados ao planejamento institucional e à capacidade de execução.

O livro detalha ainda mecanismos para mensuração de desempenho e conexão entre metas e competências, com uso de dados e inteligência artificial como suporte à tomada de decisão. O objetivo é garantir maior previsibilidade, consistência e efetividade na gestão.

O vice-presidente do TCE-MT e supervisor da Escola Superior de Contas, conselheiro Waldir Teis, lembrou o lançamento de outras obras produzidas pelo Tribunal, reforçando o caráter preventivo da instituição. Ele destacou que a atuação orientativa contribui para evitar falhas na gestão e melhorar a qualidade dos serviços públicos.

Para o senador Wellington Fagundes, o planejamento por metas deve priorizar a população mais vulnerável. “Não adianta um estado rico para poucos. Precisamos de um governo que chegue na ponta, que atenda quem mais precisa e enfrente problemas como pobreza, saúde e segurança com planejamento e metas claras.”

O deputado estadual Eduardo Botelho apontou que o tema também se aplica ao desenvolvimento econômico. “Gestão tem que saber criar metas e trabalhar para atingir. Hoje estamos muito concentrados no agronegócio. Precisamos criar novas matrizes econômicas, verticalizar, industrializar, gerar emprego e melhorar salários.”

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O procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca, também ressaltou o foco no fator humano. “A meta não é contrária à humanização. Ela estabelece um objetivo de eficiência, mas precisa estar alinhada à qualidade de vida das pessoas e a um ambiente de trabalho saudável.”

Já o desembargador Deosdete Cruz Júnior salientou a importância da iniciativa para o sistema de controle. “Estão disponibilizando uma obra para todo o universo de controle e jurídico. Trabalhos como esse fortalecem a união entre os órgãos, sempre pensando no interesse público”, afirmou.

Na avaliação da desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos, o trabalho tende a contribuir para a melhoria da gestão municipal. “Muitos gestores não têm formação técnica, e quando o TCE atua para orientar e apoiar a administração, isso faz toda a diferença”, disse.

Por fim, o procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Willian Brito Júnior, apontou o papel da obra na qualificação da gestão pública. “Isso é um presente para todos nós que queremos aprofundar sobre gestão de desempenho e também para os gestores públicos que queiram prestar um trabalho de melhor qualidade”, declarou.

Também participaram do lançamento o deputado estadual Wilson Santos; os procuradores de Justiça Adriano Augusto Streicher de Souza e Mauro Curvo; o vereador por Cuiabá Dilemário Alencar; o procurador-geral do município de Várzea Grande, Maurício Magalhães Faria Neto, dentre outros.

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Fila Zero na Cirurgia prevê mais 588 mil procedimentos eletivos e nova Tabela SUS MT

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A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) lançou, nesta quinta-feira (23.4), no Palácio Paiaguás, a segunda etapa do Programa Fila Zero na Cirurgia, com o objetivo de reduzir a espera por procedimentos eletivos por meio de parcerias com municípios, consórcios intermunicipais de saúde e instituições.

Esta segunda etapa tem um investimento previsto em R$ 400 milhões para a realização de 588 mil procedimentos eletivos em 2026.

“No ano passado, foram aplicados R$ 200 milhões e nesse ano nós já alocamos R$ 400 milhões. E se precisar mais, nós vamos dispor de mais recursos. Nós não queremos nenhum mato-grossense desatendido, nenhuma família aflita, aguardando, seja diagnóstico, seja cirurgia, seja tratamento. Nós queremos atender todas e todos mato-grossenses”, declarou o governador Otaviano Pivetta.

Chamada de “Fila Zero 3.0”, a segunda fase do programa está dividida em três eixos: o primeiro prevê R$ 200 milhões de investimento em novas propostas e a publicação do decreto com a Tabela SUS Mato Grosso, mais atrativa do que a nacional; o segundo prevê R$ 100 milhões para o credenciamento direto com unidades privadas; e o terceiro recebe investimento de R$ 100 milhões para mutirões de cirurgias na rede estadual.“O governador tinha pedido para que a gente diminuísse o sofrimento das pessoas em relação à busca por um procedimento eletivo. O programa Fila Zero, de 2023 para cá, já é um sucesso nesse aspecto, porque ele ampliou muito as parcerias entre municípios e consórcios, para diminuir essa fila de espera”, explicou o secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso, Juliano Melo.

“A novidade da Tabela SUS Mato Grosso é um marco porque a gente começa a transformar os valores até então muito defasados da tabela SUS para valores de mercado, valores mais próximos e atrativos e com isso a gente espera aumentar a capilaridade. Hoje, nós temos 88 municípios que participam do Programa Fila Zero e a gente quer chegar a todos os municípios, seja diretamente ou via consórcio”, afirmou.

Mato Grosso fica no 2º no ranking nacional de investimento

Com este investimento de R$ 400 milhões no Programa Fila Zero 3.0, o Estado fica em segundo lugar no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo, com R$ 777 milhões.

“Hoje, o Estado de Mato Grosso detém, sem dúvida nenhuma, o maior programa de cirurgias eletivas do Brasil, proporcionalmente em relação à população. Em números absolutos, a gente só perde para São Paulo, que está na ordem de R$ 700 milhões. E o nosso programa aqui sozinho já representa R$ 400 milhões”, destacou o secretário.

A secretária executiva do Consórcio Público de Saúde Vale do Teles Pires, Solimara Moura, avalia que os resultados do programa são excelentes: conseguiu diminuir a espera por cirurgias na região e o consórcio executou mais de R$ 40 milhões com o recurso do programa.

“O programa Fila Zero não pode mais ser um programa, ele tem que ficar permanente, porque através da iniciativa privada, através da parceria da Secretaria com os municípios e os consórcios, nós conseguimos dar agilidade. E, realmente, a rede pública estadual está mais voltada à urgência e emergência”, afirmou.

A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, acrescentou que, por meio do Programa Fila Zero, conseguiu dar esperança ao cidadão em relação à saúde pública.

“Foi a primeira coisa que eu fiz na minha gestão: aderir ao programa Fila Zero. E esse [programa] salvou o ano de 2025 em Várzea Grande, na saúde pública do município. Eu quero agradecer pelo programa, governador, parabenizar toda a equipe do Estado por conduzir essa forma da tabela, melhorar os valores, para a gente poder ter mais parceiros. Isso foi muito importante”, avaliou.

A secretária Municipal de Saúde de Cuiabá, Deisi Bocalon, disse ter certeza de que, com a abertura de mais leitos ociosos da rede privada, será possível atender a população cuiabana da melhor maneira possível e de forma qualificada.

“Principalmente na questão da assistência vascular, que é uma fila que nós temos em Cuiabá desde 2016, governador. Se não me engano, eram 16 mil pacientes que estavam na fila de espera por cirurgias que não são tão complexas, mas que precisam deste cuidado, deste olhar. Porém a tabela, o valor proporcionado pelo Fila Zero ainda era insuficiente para essa demanda. A gente não conseguia achar prestadores que achassem isso atrativo. A otorrino é outro problema que eu acredito que agora tenha sido solucionado”, destacou.

Também estiveram presentes na cerimônia os deputados estaduais Dr. Eugênio, Dr. João, Dejamir Soares e Nininho, além de prefeitos das diversas regiões de Mato Grosso. Ainda compareceram os secretários de Estado Basílio Bezerra (Seplag), Laice Souza (Comunicação) e Mauro Carvalho (Casa Civil).

Saiba mais sobre o Programa Fila Zero na Cirurgia

Lançado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) em abril de 2023, o programa já realizou 667.133 procedimentos até o dia 15 de abril, sendo 616.815 ambulatoriais e 50.318 hospitalares. Foram, ao todo, 357.730 exames, 205.045 consultas e 101.330 cirurgias no período.

O tempo de espera por procedimento diminuiu de 77 dias, antes do programa, para 44 dias, depois do Fila Zero, uma redução de 42%.

Por meio desta iniciativa, o Estado repassa os recursos previstos para os procedimentos contemplados pelo programa e, desta forma, os entes parceiros se beneficiam do incentivo para aprimorar outros serviços prestados à população.

O programa contempla 465 procedimentos, considerando a média e alta complexidade eletiva. Até o momento, mais de R$ 319 milhões já foram repassados aos parceiros, sendo R$ 175 milhões para produção ambulatorial e R$ 144 milhões para atendimentos hospitalares.

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