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TCE reúne prefeito, vereadores e concessionária para resolver impasse sobre saneamento

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O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, reuniu prefeito, vereadores e representantes da Empresa de Saneamento de Nobres (ESAN) para resolver impasse sobre a concessão dos serviços de abastecimento de água e esgoto no município. Na abertura da mesa técnica que debate o tema, nesta quarta-feira (12), ficou definido que nenhuma alteração no contrato será formalizada antes da conclusão dos estudos técnicos.

“Eu tenho certeza que nós vamos resolver a questão de Nobres e o povo vai ter água. Se a empresa tiver condição de cumprir o que está no contrato, vai ficando, senão vai saindo, que chegam outros”, disse o presidente, ao afirmar que as soluções construídas na mesa técnica são amparadas na legislação. “A nossa equipe é de grande capacidade e vai buscar todas as soluções”, completou.

A mesa técnica discute o Contrato de Concessão nº 1/1998, firmado entre a prefeitura e a ESAN, que executa o serviço há mais de 27 anos. O município propõe prorrogar o contrato para garantir o reequilíbrio econômico-financeiro e viabilizar novos investimentos. A medida, contudo, é questionada por vereadores que defendem a caducidade da concessão e a realização de nova licitação.

Sob relatoria do conselheiro Campos Neto, o processo é conduzido pela Comissão Permanente de Normas, Jurisprudência e Consensualismo (CPNJur), também presidida por Sérgio Ricardo. As tratativas envolvem ainda o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Nobres.

A mesa técnica discute o Contrato de Concessão nº 1/1998, firmado entre a prefeitura e a ESAN, que executa o serviço há mais de 27 anos

Na ocasião, o conselheiro-relator destacou a importância do trabalho para o município. “Venho participando como relator de Nobres de algumas discussões sobre o tema. Já recebi em meu gabinete prefeitos, vereadores, advogados e, no meu entendimento, essa mesa técnica é muito oportuna, pois vai buscar uma solução para um problema histórico de saneamento básico do município, que é uma referência do turismo do Brasil”, avaliou.

Já o prefeito José Domingos Fraga citou estudo segundo o qual o prazo necessário para o reequilíbrio seria de 30 anos. “Eu tenho dito que a concessionária hoje deixa a desejar, mas faz muito melhor do que se fosse o Poder Público. Nós não vamos ter só a universalização da água, como esgoto, que é extremamente importante para o nosso município”, afirmou.

O posicionamento foi contestado pelos parlamentares presentes na reunião, que relataram uma série de problemas no fornecimento de água na cidade e destacaram as reiteradas reclamações dos moradores, reforçando que a abertura de uma nova licitação pode atrair propostas mais vantajosas ao município.

“Nós somos favoráveis a uma ampla concorrência para que novas empresas possam fazer melhores propostas, porque infelizmente nós acreditamos, como gestores que somos, que diante de muitas e graves situações, a ESAN não cumpre há muito tempo o contrato, e nós não podemos premiá-la com uma nova concessão”, pontuou o vereador Emerson Fábio de Andrade.

Meta de 2033

O debate ocorre a menos de oito anos do prazo fixado pelo Marco Legal do Saneamento Básico, que estabelece que, até 31 de dezembro de 2033, 99% da população deve ter acesso a água potável e 90%, a coleta e tratamento de esgoto. A lei também estabelece como princípios a efetiva prestação dos serviços, a eficiência, a sustentabilidade econômico-financeira e a modicidade tarifária.

A advogada da ESAN, Tatiane da Silva Argentino, avaliou que o consensualismo é o melhor caminho para resolver a situação e cumprir a legislação. Ela reforçou ainda que a empresa vai apresentar toda a documentação necessária para reduzir as divergências jurídicas do processo.

O conselheiro Campos Neto é o relator da mesa, que é conduzida pela CPNJur

“O Tribunal é referência nessa atuação consensualista e eu vejo que esse é um dos melhores caminhos. Estamos num impasse há algum tempo, em que não se decide o que vai ser feito. Nós precisamos entregar o que é de mais interessante, que é o saneamento básico para a população, até 2033”, disse a advogada.

Foi o que também ressaltou José Domingos, ao explicar que o município recorreu à ferramenta por reconhecer resultados já obtidos em outras áreas. “Pelas vias que nós estávamos negociando, com certeza não chegaríamos a um denominador comum, que trouxesse a segurança jurídica não só para o concessionário, mas em especial para a concedente, que é a Prefeitura de Nobres”, afirmou.

Próximos passos

Por se tratar da primeira reunião, o encontro teve caráter de reconhecimento da controvérsia, com a apresentação das posições de cada parte. As tratativas de mérito ficam para os encontros seguintes, quando serão esclarecidas questões relativas à execução histórica do contrato, ao cumprimento das obrigações das partes, aos investimentos realizados e pendentes e à situação econômico-financeira da concessão.

Assim, com base em critérios técnicos, jurídicos e econômico-financeiros, será definida qual solução pode assegurar investimentos efetivos, tarifas adequadas, segurança jurídica e garantias de execução do serviço. “Nós não temos falta de água em Mato Grosso. Mato Grosso é um dos estados que mais tem água doce no Brasil e, portanto, no Planeta. O que falta é gestão”, concluiu Sérgio Ricardo.

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Projeto de Max Russi cria Política Estadual de Geologia e Recursos Minerais de MT

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A Assembleia Legislativa (ALMT) concluiu, nesta quarta-feira (12), a tramitação do projeto de autoria do presidente da Casa, deputado Max Russi (Pode), que cria a Política Estadual de Geologia e Recursos Minerais de Mato Grosso.

A proposta estabelece uma estrutura própria para orientar o planejamento, a gestão e o desenvolvimento sustentável da atividade mineral no estado. Com a leitura da redação final, o Projeto de Lei nº 1.952/2025 segue para sanção do Governo do Estado.

Além da política estadual, a matéria institui o Sistema Estadual de Geologia e Recursos Minerais (Segermi), reunindo poder público, municípios, universidades, setor produtivo e sociedade civil em torno de ações relacionadas à pesquisa, exploração e aproveitamento sustentável dos recursos minerais.

Max reforça que a iniciativa busca organizar o setor e criar condições para que o potencial mineral do estado seja convertido em desenvolvimento econômico e social, sem deixar de lado a responsabilidade ambiental.

“Estamos criando uma política de Estado para um setor que tem um potencial enorme em Mato Grosso. Precisamos conhecer melhor as nossas riquezas minerais, planejar a atividade, investir em tecnologia e pesquisa e, principalmente, garantir que esse desenvolvimento aconteça de forma responsável, respeitando o meio ambiente e gerando emprego, renda e oportunidades para os nossos municípios”, destacou Max.

Entre os princípios estabelecidos estão o aproveitamento racional dos recursos minerais, a responsabilidade socioambiental, a diversificação econômica das regiões produtoras, o incentivo à pesquisa e à inovação tecnológica e a atração de novos investimentos. A proposta também busca integrar a mineração aos demais setores da economia e estimular a industrialização dos bens minerais em Mato Grosso.

Planejamento e fiscalização

Na prática, a nova política prevê instrumentos para ampliar o conhecimento sobre o potencial mineral de Mato Grosso e fortalecer a capacidade de planejamento, acompanhamento e fiscalização do Estado.

Entre os mecanismos estão o Cadastro Estadual de Direitos Minerários (CEDM), o Plano Estadual de Geologia, Mineração e Transformação Mineral (PEM/MT) e o Sistema Estadual de Geologia e Recursos Minerais (Segermi).

A legislação também prevê o monitoramento e a fiscalização das atividades de pesquisa, lavra, exploração e aproveitamento de recursos minerais, além do mapeamento geológico, geofísico e geoquímico sistemático do território estadual.

A estrutura contará ainda com o Conselho Estadual de Geologia e Recursos Minerais (Cegem), órgão colegiado superior e deliberativo do Segermi, de caráter normativo e consultivo. O conselho terá a função de participar da formulação das diretrizes e acompanhar a implementação da Política Estadual de Geologia, Mineração e Transformação Mineral.

O Cegem será formado por 20 membros titulares e respectivos suplentes, divididos de forma paritária entre poder público e demais representações, com mandato de dois anos e possibilidade de uma recondução. Os integrantes serão nomeados pelo governador do Estado.

Também estão previstas linhas de financiamento e crédito voltadas ao desenvolvimento econômico, científico e tecnológico do setor, assistência técnica aos municípios mineradores e programas de educação e capacitação profissional. O texto ainda incentiva a regularização da mineração em pequena escala e da atividade garimpeira, observadas as competências e normas estabelecidas pela União.

Outro ponto de destaque é a destinação dos recursos da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). Conforme a proposta, 90% dos valores destinados ao Governo de Mato Grosso deverão ser aplicados, pelos próximos 15 anos, em mapeamentos geológicos e geofísicos, desenvolvimento tecnológico, pesquisa, inovação e fortalecimento da atividade mineral responsável.

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT) ficará responsável pela gestão desses recursos e deverá divulgar anualmente relatório sobre o planejamento, a aplicação e os resultados alcançados.

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