Opinião
Sua marca é uma maratonista ou um corredor de final de semana?
Opinião
Sou uma pessoa que leva muito a sério a prática de esportes. Não tenho uma sincera paixão pela corrida (venho do tennis e do futebol) mas entendo o porquê das pessoas terem tanto apreço por ela.
Não é sobre percorrer longos trajetos o mais rápido possível. É sobre superar limites, dia após dia, sobre ter dias ruins e dias bons, sobre estar bem o suficiente para conseguir apreciar a paisagem após 8km corridos.
E quando falamos sobre empreender, esse deveria ser o nosso pensamento. Explico:
Em um mercado cada vez mais competitivo, não é o produto que diferencia uma empresa e sim a forma como ela se posiciona. Afinal, quantas marcas você conhece que vendem água mineral ou até mesmo combustível? O que muda, de fato, é o posicionamento que cada uma constrói.
É aí que entra o branding.
Mais do que identidade visual ou design, branding é sobre alinhamento. É quando uma marca encontra sua voz, define seus valores e garante que tudo isso seja comunicado de forma consistente em todos os canais, do digital ao painel rodoviário que você vê todos os dias no caminho para o trabalho. Uma marca bem construída não diz apenas o que faz. Ela demonstra no dia a dia o que acredita.
Quando uma empresa tem clareza sobre quem é, para quem fala e como se comunica, ela deixa de disputar atenção apenas pelo preço ou pelo produto. Ela passa a ser percebida pelo valor. Isso impacta diretamente nos resultados: orçamentos mais altos, negociações mais seguras e menor necessidade de “provar” qualidade a cada novo contato.
Além disso, o branding fortalece não só a relação com o consumidor, mas também com o mercado como um todo. Empresas bem posicionadas atraem talentos, parceiros e oportunidades com mais facilidade. Afinal ninguém quer correr ao lado de quem vai atrapalhar seu desempenho pessoal, certo?
Voltando à singela comparação com a corrida, você que corre sabe: não se começa a correr em uma maratona. Se começa com pouca distância, às vezes até caminhando. Como um grande amigo meu diz: “Toda batalha começa ao levantar da cama, e essa é igual pra todos.”
Em resumo o que quero dizer é que se sua empresa quer ser grande, ela precisa passar por etapas. Para se comunicar não é diferente. Não é sobre encher um instagram com conteúdos iguais aos de outras marcas que fazem aquilo sem entender o porquê. É sobre levantar uma bandeira e construir uma história independente do canal da vez.
E por falar no canal da vez, a inteligência artificial surge como uma ferramenta poderosa, mas não como solução final. Ela acelera processos, ajuda na prototipagem e permite respostas mais rápidas ao que acontece no mundo. Mas nada disso substitui o essencial: estratégia, argumento e posicionamento.
Uma campanha não se sustenta por ter sido feita com tecnologia. Ela se sustenta pelo que diz, pelo que defende e pela forma como se conecta com as pessoas. A IA pode fortalecer uma conversa. Mas não cria, sozinha, uma conversa relevante.
As redes sociais continuam sendo canais importantes, mas já não ocupam o papel central de antes. Hoje funcionam mais como ponto de partida do que como destino final. Experiências presenciais, conexões reais e formatos mais tradicionais de comunicação, por exemplo, tem se mostrado muito mais eficientes, por exemplo.
No fim, branding é sobre consistência e intenção, é entender que marcas não são feitas de pequenos sprints, mas sim de uma maratona que requer uma construção contínua. Como sua marca tem se exercitado?
Opinião
Eu acredito que Cuiabá pode ser muito maior do que é hoje
Por que Mato Grosso cresce tanto e Cuiabá nem sempre consegue transformar esse crescimento em mais empregos, oportunidades e qualidade de vida para quem vive aqui? Foi uma pergunta que me acompanhou durante todo o período eleitoral e que continua comigo agora que as urnas já falaram.
Faço essa pergunta como empresário, mas principalmente como cuiabano de coração. Não dá para negar o que Mato Grosso vem fazendo: o Estado cresceu, atraiu investimentos, ampliou sua produção e ganhou importância no Brasil. Isso é motivo de orgulho para todos nós.
Ainda assim, tenho a sensação de que Cuiabá pode aproveitar muito mais esse momento. Nossa capital tem uma posição privilegiada: é centro de comércio, serviços, saúde, educação, turismo e negócios. Temos gente preparada, empresas, universidades e uma localização estratégica, no centro do Brasil e da América do Sul.
Então, por que não crescemos na mesma velocidade?
Levei essa questão aos encontros do Diálogo com os Candidatos, promovidos pela CDL Cuiabá em parceria com Abrasel-MT, Sindipetróleo-MT, Sincodiv-MT e Fenabrave-MT com candidatos que concorreram ao governo e senado por nosso estado. Conversamos sobre infraestrutura, mobilidade, emprego, desenvolvimento e competitividade. E algo me chamou atenção: os três principais candidatos que participaram dos encontros assumiram compromisso com essa pauta.
Agora, passada a eleição, começa a etapa que realmente importa. Campanha é tempo de promessa; governo é tempo de entrega. Compromisso assumido precisa virar ação, e cabe à sociedade e ao setor produtivo acompanhar de perto.
Quem foi escolhido para comandar o Governo de Mato Grosso terá um papel decisivo nisso. Não para assumir o que é responsabilidade da Prefeitura, mas para entender que o desenvolvimento do Estado só é completo quando também fortalece a sua capital.
Eu acredito que nossa cidade pode mais. Pode atrair empresas e indústrias, gerar empregos, melhorar a infraestrutura, valorizar o patrimônio e abrir oportunidades para quem nasceu aqui e para quem escolheu Cuiabá para viver.
Cuiabá não precisa disputar espaço com o interior. Precisamos crescer juntos, cada região com a sua vocação, todas puxando na mesma direção.
Encerrado o período eleitoral, o debate não termina: ele muda de lugar. Sai dos palanques e vai para onde as coisas acontecem, nas obras, nos projetos, nos investimentos e nas decisões. É nesse terreno que vamos continuar presentes, cobrando, propondo e construindo.
Porque Cuiabá não pode ser apenas a capital de um Estado que cresce. Precisa ser um dos motores desse crescimento.
Foi aqui que escolhi empreender, construir minha família e minha história. Por isso, não me conformo em ver a cidade podendo mais e, muitas vezes, ficando para trás. A eleição passou, mas a tarefa de fazer Cuiabá avançar continua, e ela é de cada um de nós.
Eu acredito que Cuiabá pode ser muito maior do que é hoje. E chegou a hora de provar isso.
*Júnior Macagnam é empresário do setor da moda há mais de 20 anos e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá).
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