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Veja quais recursos Bolsonaro pode usar se for condenado no STF

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Caso Jair Bolsonaro for condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), sua defesa disporá de diversos recursos legais. Entender quais recursos Bolsonaro pode usar após uma eventual condenação é fundamental para compreender os próximos passos do processo e os prazos envolvidos. Neste texto, explicamos os principais meios jurídicos possíveis, quando eles se aplicam e quais limites enfrentam.

Embargos infringentes

Os embargos infringentes são um recurso excepcional que pode ser utilizado quando há decisão não unânime num julgamento em turma. No caso de Bolsonaro, se ao menos dois ministros votarem pela absolvição parcial ou total do réu, esse recurso permite levar o julgamento para o plenário do STF, ou seja, ser analisado pelos 11 ministros. Esse mecanismo é importante justamente para permitir reavaliações em casos em que a divergência entre votos indica fragilidade ou controvérsia na condenação.

 

Embargos de declaração

Outro meio à disposição é o embargo de declaração. Esse recurso não serve para modificar a decisão de mérito — ou seja, não permite reverter a condenação — mas sim para clarear pontos obscuros, omissões, contradições ou corrigir erros materiais no acórdão. É geralmente utilizado logo após a publicação do julgamento, para ajustar detalhes textuais, datas, nomes, cálculos ou outros aspectos formais que possam prejudicar o entendimento ou a execução posterior da decisão.

Habeas corpus

No curso do processo, a defesa pode buscar habeas corpus em casos específicos, especialmente se entender que houve flagrante ilegalidade ou abuso de poder.
Entretanto, esse recurso não serve como forma de recurso contra decisões condenatórias finais, sendo barrado pelo STF quando usado para postergar ou contestar sentença transitada em julgado.

Revisão criminal

Após o trânsito em julgado — momento em que não há mais possibilidade de recursos ordinários — surge a possibilidade de revisão criminal, prevista no Código de Processo Penal. Esse instrumento pode ser acionado se grosso erro judiciário for comprovado, se surgirem provas novas ou indícios claros de injustiça. Há precedentes nesse sentido em casos como os do Mensalão e da Lava Jato.

 

O uso de embargos infringentes depende de pelo menos dois votos absolvendo. Se todos os votos forem condenatórios ou apenas um ministro divergir, o recurso não é cabível. O embargo de declaração só corrige ou esclarece; não muda a essência do julgamento.
O habeas corpus tem aplicação restrita, não podendo contestar diretamente a condenação em si, quando todos os recursos já foram esgotados.
A revisão criminal exige fato novo ou erro evidente, e só pode ser solicitada após o processo ter transitado em julgado.

Caso condenado, Bolsonaro terá à disposição alguns recursos jurídicos — uns para contestar o mérito com base em divergências, outros para corrigir formalidades ou buscar reparações após esgotados os prazos. Saber quais recursos Bolsonaro pode apresentar é essencial para acompanhar a evolução do julgamento, os prazos legais e o impacto de cada medida no desenrolar do caso.

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Arquivistas do Senado ajudam a guardar e contar a história do Brasil

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O Dia do Arquivista, celebrado em 20 de outubro, chama a atenção para o trabalho dos profissionais responsáveis pela organização, preservação e disponibilização de documentos. No Senado, registros produzidos ao longo dos 200 anos da atuação da instituição são conservados pelo Arquivo da Casa. O acervo também é fonte para projetos como o Arquivo S, que transforma o conteúdo dos documentos em reportagens acessíveis sobre o papel do Parlamento em momentos históricos do Brasil.

Memórias preservadas

O Arquivo S é um projeto multimídia mensal da Agência Senado em parceria com o Arquivo. Publicadas na primeira sexta-feira de cada mês no portal Senado Notícias, as reportagens especiais resgatam fatos marcantes da história do país a partir de registros, projetos de lei e discursos dos parlamentares, preservados no acervo do Arquivo do Senado.

As produções exigem interpretar a linguagem e o contexto dos documentos. O jornalista Ricardo Westin, responsável por grande parte das reportagens do Arquivo S, explica que esse trabalho envolve compreender tanto as informações evidentes quanto os aspectos que não aparecem diretamente nos textos.

— O maior desafio é compreender tanto o que está explícito quanto o que está silenciado nos registros. Para fazer essa tradução e interpretação, contamos sempre com a ajuda de historiadores especializados no tema. Eles explicam o contexto e as intenções dos diferentes atores envolvidos no acontecimento ou na avaliação que se fazia dele.

A série começou em 2014, com a publicação de um novo episódio a cada mês. Ao fim de cada ano, os textos são reunidos em um volume da coleção Arquivo S – O Senado na História do Brasil. As matérias também ganharam versões em áudio, produzidas em parceria com a Rádio Senado, ampliando o acesso ao conteúdo, inclusive para pessoas com deficiência visual.

Entre as histórias recuperadas pelo projeto, o jornalista relembra o caso do senador do Império Bernardo Pereira de Vasconcelos, que minimizou a chegada da febre amarela ao Brasil em um discurso feito por volta de 1850. Meses depois, o parlamentar morreu em decorrência da própria doença.

— Durante a pandemia de covid-19, fizemos uma reportagem sobre as quarentenas e as epidemias de febre amarela no Brasil. Nos documentos, encontramos um discurso em que o senador negava que a doença que havia chegado ao país fosse febre amarela. Dois ou três meses depois, ele morreu da doença. É uma história pouco conhecida, que não costuma aparecer nos livros didáticos.

Na próxima semana, será lançada a 11ª edição da coleção, com reportagens publicadas ao longo do ano passado. A série já reúne dez volumes em versões física e digital, disponíveis para compra a preço de custo pela Livraria do Senado e para download gratuito pela Biblioteca do Senado.

O trabalho dos arquivistas

A produção do Arquivo S depende do trabalho dos arquivistas, responsáveis por classificar, organizar, avaliar e preservar os documentos utilizados. Essas atividades permitem verificar a autenticidade dos registros e garantir condições para que sejam consultados pelo público.

Westin destaca a parceria com esses profissionais na pesquisa e na localização das documentações que dão origem aos conteúdos.

— O papel dos arquivistas do Senado para o Arquivo S é importantíssimo. São eles que localizam os documentos originais para usarmos de fonte e reproduzirmos nas infomatérias. Sem o arquivo, esse trabalho não seria possível.

O Arquivo do Senado reúne cerca de 43 mil caixas de documentos produzidos e recebidos nas atividades legislativas e administrativas da Casa. O acervo remonta a 1788 e inclui projetos de lei, atas, anais, discursos, fotografias e outros registros.

Cidadania e democracia

Ao manter os registros organizados e acessíveis, os arquivistas preservam a memória institucional, o desenvolvimento de pesquisas e a transparência das ações públicas. Os documentos também podem servir de prova de decisões, tramitações e atos do poder público, contribuindo para a garantia de direitos.

A importância dessa função acompanha a Casa desde sua origem. O Arquivo foi criado na primeira sessão ordinária do Senado do Império, em 1826, com a atribuição de guardar a documentação produzida. Desde então, é reconhecido como sua “memória viva”.

Profissão histórica

A trajetória de Alonso Carneiro Pestana de Aguiar ajuda a contar a história da arquivologia. Nascido em 1840, em Vila Araxá (MG), ele foi nomeado amanuense do Senado em 1864. O cargo correspondia a funções de copista, escrevente ou secretário. Mais tarde, assumiu a responsabilidade pelo arquivo da instituição.

Alonso foi o primeiro “official archivista” da então Câmara dos Senadores. A história do servidor foi resgatada em pesquisa conjunta entre a Coordenação de Arquivo do Senado e a Universidade de Brasília (UnB) sobre documentos do Brasil Imperial e evidencia que os papéis guardam também histórias de pessoas que fizeram parte da Casa.

Lurya Rocha, sob supervisão de Dante Accioly

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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