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Produtores poderão renegociar dívidas rurais a partir de segunda-feira

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A partir da próxima segunda-feira (29.09), produtores rurais de todo o país poderão iniciar a renegociação de dívidas junto ao Banco do Brasil, por meio de uma linha própria de crédito com prazos de pagamento de até nove anos e juros definidos pelo próprio banco. Paralelamente, o governo federal prepara a linha de R$ 12 bilhões com juros controlados, destinada a produtores afetados por eventos climáticos, que só poderá começar a operar após a publicação da circular do BNDES com as regras para os bancos.

Segundo informações obtidas junto à instituição, o BB já está recebendo propostas de renegociação e preparando o processamento dos pedidos, mas o início formal das operações será comunicado oficialmente na segunda-feira. A expectativa interna é que o volume total de dívidas ajustadas seja determinado pela demanda dos produtores, podendo chegar a R$ 20 bilhões, reforçando a capacidade de resposta do setor financeiro às dificuldades enfrentadas pelo campo.

Paralelamente, o governo federal avança com a criação da linha de crédito com juros regulados, voltada a produtores prejudicados por eventos climáticos adversos. A previsão é de que mais de 100 mil produtores em mais de mil municípios sejam beneficiados, incluindo 403 apenas no Rio Grande do Sul.

Após a edição da medida provisória que liberou os recursos e ajustes do Conselho Monetário Nacional (CMN), o setor agora aguarda a publicação de uma circular operacional pelo BNDES, que definirá os procedimentos que os bancos devem seguir para oferecer a linha de forma regulamentada. A expectativa é que o documento seja divulgado na próxima semana, permitindo que os agentes financeiros iniciem imediatamente o atendimento aos produtores.

Além da questão financeira, o cenário evidencia a importância estratégica da pecuária e da agricultura para a economia brasileira. O crédito rural permite não apenas a regularização de dívidas, mas também investimentos em tecnologia, mecanização e práticas sustentáveis, fortalecendo a competitividade do país no mercado global.

A combinação de linhas próprias do BB e a futura abertura da linha com juros controlados promete oferecer aos produtores alternativas para superar desafios climáticos e manter a produtividade em níveis sustentáveis, protegendo ao mesmo tempo o patrimônio financeiro e ambiental do setor.

Fonte: Pensar Agro

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Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo

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A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.

O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.

O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.

A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.

Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.

A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.

Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.

A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.

Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.

O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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