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Democracia se constrói com eleições qualificadas

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Gisela Cardoso e Estácio Chaves de Souza

Democracia se constrói com eleições qualificadas. A frase é simples, mas o desafio é enorme, e se tornou ainda maior às vésperas de um novo ciclo eleitoral. As eleições de 2026 já se anunciam como um ambiente de alta complexidade: inteligência artificial e desinformação em velocidade inédita, judicialização crescente, disputas cada vez mais sofisticadas sobre propaganda e estruturas de campanha, além de pressões reais sobre a integridade do processo eleitoral que também se manifestam em Mato Grosso.

Quando falamos em “eleições qualificadas”, não nos referimos a um ideal abstrato, mas a regras claras, fiscalização efetiva, informação confiável, respeito às liberdades, resposta institucional rápida e proporcional quando houver ilícitos e, sobretudo, segurança jurídica. A disputa será sempre dura, mas precisa permanecer dentro dos limites do jogo democrático. Uma eleição mal qualificada produz consequências que vão muito além da apuração: paralisia administrativa, polarização social e perda de capacidade de governar. Qualificar eleições é, portanto, proteger o interesse público com mecanismos capazes de conter abusos sem produzir arbitrariedades.

Nesse contexto, a Ordem dos Advogados do Brasil tem compromisso histórico com o Estado de Direito e com a preservação das regras democráticas. O papel da OAB é contribuir para que o debate seja tecnicamente informado, para que a atuação profissional seja responsável e para que o processo eleitoral seja defendido como patrimônio público, sem partidarização e sem personalismos. Em Mato Grosso, onde as dinâmicas políticas regionais apresentam desafios próprios, a OAB precisa estar presente qualificando esse debate desde já.

O momento de elevar o nível de discussão é agora, antes que a disputa se intensifique. Formação continuada e diálogo institucional são parte essencial da infraestrutura democrática, especialmente para que possamos estabelecer parâmetros técnicos, antecipar os temas sensíveis e qualificar as disputas que chegarão à Justiça Eleitoral em 2026.

É com esse espírito que a OAB-MT, por meio de sua Comissão de Direito Eleitoral realizará, nos dias 25 e 26 de março, em Cuiabá, o II Congresso de Direito Eleitoral. A primeira edição, em 2024, mostrou que existe demanda por debate sério e atualizado. Esta segunda edição aprofunda o que realmente importa para 2026, com painéis verticalizados e foco prático. Os temas foram escolhidos para enfrentar os pontos de maior risco: pesquisas eleitorais e controle judicial, propaganda digital e direito de resposta, condutas vedadas e abuso de poder, inelegibilidades e seus novos entendimentos, prestação de contas e compliance.

Também enfrentaremos um assunto que exige franqueza: a presença e influência de organizações criminosas em territórios e economias locais. Quando isso encosta na política, o impacto é direto na liberdade do voto e na capacidade do Estado de garantir um pleito livre. Esse debate existe e precisa acontecer.

Mato Grosso precisa de eleições qualificadas para ter instituições fortes. O II CODEMT é o lugar desse debate: advogados, magistrados, promotores, gestores públicos, profissionais de campanha, pesquisadores e todos que levam a sério o processo democrático estão convidados. A democracia se constrói com eleições qualificadas, e esse é um trabalho que começa agora.

Gisela Cardoso é presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) e Estácio Chaves de Souza é presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-MT

 

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A responsabilidade de informar e o compromisso com a verdade Por Wanderley Cerqueira

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Vivemos em um tempo em que a informação circula em velocidade cada vez maior. Em poucos segundos, uma notícia alcança milhares de pessoas e pode gerar esperança, confiança ou, infelizmente, medo e desespero. Por isso, quem ocupa uma função pública precisa compreender que comunicar não é apenas falar — é assumir responsabilidade sobre o impacto que cada palavra causa na vida da população.

Tenho defendido que informar com responsabilidade é, acima de tudo, respeitar vidas. O agente público lida diariamente com pessoas que dependem dos serviços públicos, enfrentam dificuldades e aguardam respostas do poder público. Uma informação errada, incompleta ou divulgada sem cuidado pode aumentar o sofrimento de quem já vive situações delicadas.

Quando falamos de saúde, assistência social ou educação, o cuidado precisa ser ainda maior. Uma notícia mal interpretada pode provocar filas desnecessárias nos postos de saúde, insegurança em famílias que aguardam vaga em creche ou desconfiança em relação às instituições públicas. Não estamos tratando apenas de números ou dados administrativos. Estamos falando de pessoas, de famílias e de histórias reais.

A mãe que espera atendimento para o filho, o idoso que depende do sistema público de saúde, a família que aguarda um benefício social: todos merecem respeito e transparência. A informação oficial precisa chegar de forma clara, correta e acessível, sem ruídos e sem manipulação.

Também acredito que o agente público deve ter sensibilidade para compreender a realidade da população. Estar nas ruas, ouvir as demandas da sociedade e entender as dificuldades enfrentadas pelas pessoas é fundamental para uma comunicação mais humana e verdadeira. O cidadão não pode ser vítima de boatos, interesses políticos ou disputas que apenas alimentam divisão e insegurança.

A política deve servir para construir soluções, não para gerar pânico. Mandatos passam, mas as consequências de uma comunicação irresponsável permanecem na vida das pessoas. Por isso, precisamos fortalecer diariamente o compromisso com a verdade, com a ética e com a transparência.

Na Câmara Municipal de Várzea Grande, seguimos firmes nesse propósito: garantir que a população tenha acesso à informação oficial, transparente e responsável. Porque quando informamos corretamente, protegemos pessoas, fortalecemos a confiança pública e contribuímos para uma sociedade mais consciente e respeitada.

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Informar é um dever. Informar com responsabilidade é um ato de cuidado com a nossa gente.

Por Wanderley Cerqueira, presidente da Câmara de Vereadores de Várzea Grande-MT

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