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Feminicídio não pode ter espaço para impunidade

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*Coronel Fernanda

Os dados recentes que apontam a existência de 18 foragidos da Justiça acusados de feminicídio em Mato Grosso são um alerta grave para toda a sociedade, não só mato-grossense como brasileira.

Estamos falando de crimes que representam a forma mais brutal de violência contra a mulher, motivados pelo ódio, pelo sentimento de posse e pela tentativa de controle sobre a vida feminina.

Quando um agressor permanece foragido, a sensação de insegurança se espalha não apenas entre familiares das vítimas, mas entre todas as mulheres. Cada mandado de prisão não cumprido representa um risco real e concreto, além de reforçar a percepção de impunidade que ainda persiste em muitos casos de violência contra a mulher.

O feminicídio não surge do nada. Ele costuma ser o desfecho de um histórico de violência doméstica, ameaças e agressões que poderiam ser interrompidas com medidas preventivas eficazes.

Por isso, é fundamental que o Estado atue de forma integrada, fortalecendo o trabalho das polícias, do Judiciário e das redes de proteção às vítimas. Como Procuradora da Mulher na Câmara, temos agido para ampliar o debate sobre o enfrentamento à violência contra a mulher, defender o fortalecimento das políticas públicas de proteção e cobrar maior rigor na responsabilização dos agressores.

Precisamos ampliar o acesso às medidas protetivas, garantir acolhimento às mulheres em situação de vulnerabilidade e investir em campanhas de conscientização que estimulem a denúncia. Muitas vítimas ainda silenciam por medo, dependência emocional ou financeira e falta de apoio institucional.

Também é necessário assegurar que criminosos sejam localizados e responsabilizados. A justiça precisa ser rápida e efetiva, pois cada falha na punição contribui para perpetuar o ciclo de violência.

Enquanto procuradora da mulher na Câmara dos Deputados, reafirmo meu compromisso com o fortalecimento de políticas públicas voltadas à proteção feminina e ao endurecimento das medidas contra agressores. A defesa da vida das mulheres deve ser prioridade absoluta.

Não podemos aceitar que mulheres continuem perdendo suas vidas por serem mulheres. Combater o feminicídio é uma responsabilidade coletiva e uma luta permanente por justiça, dignidade e respeito.

*Coronel Fernanda é deputada federal e Procuradora da Mulher na Câmara Federal

ARTIGO DE OPINIÃO

 

 

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Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.

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