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TEA em MT: Avanços, Limitações e Recomendações para uma Rede Integrada

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O Transtorno do Espectro Autista (TEA) passou a ocupar posição central na formulação das políticas públicas em Mato Grosso, impondo aos gestores estaduais e municipais a necessidade de atuação qualificada, sensível e tecnicamente fundamentada.Os dados do Censo Demográfico de 2022, realizado pelo IBGE, registram 41.247 pessoas com diagnóstico declarado de TEA no Estado, resultado da inclusão inédita de um quesito específico sobre autismo, conforme a Lei n.º 13.861/20191. A robustez dessa informação demográfica confere maior precisão ao planejamento setorial e evidencia a relevância do tema na agenda pública.

A partir desse diagnóstico, torna-se imprescindível que os 142 municípios mato-grossenses estruturem respostas adequadas às necessidades desse público, ainda que operem sob restrições orçamentárias, limitações de força de trabalho especializada e da crescente complexidade das demandas sociais.

Embora o Estado tenha avançado na expansão de equipes multiprofissionais, na formação continuada de profissionais da saúde e da educação e na edição de normas de proteção às pessoas com TEA, persistem desafios consideráveis quanto à eficiência, integração e sustentabilidade das políticas implementadas.

Nesse sentido, a Decisão Normativa n.º 14/2025 – PP2 , que homologou a Nota Recomendatória n.º 2/2025, proposta pela Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social (Copspas) deste Tribunal, oferece diretrizes objetivas para o fortalecimento da ação intersetorial entre as áreas de saúde, educação e assistência social.

Destaca-se, especialmente, o papel das instituições escolares como ambiente privilegiado para a promoção do desenvolvimento integral, a identificação precoce de agravos e o acompanhamento sistemático de crianças e adolescentes, contribuindo para a redução da fragmentação das políticas públicas e para o aumento de sua efetividade.

No âmbito da atenção às pessoas com TEA, ganha destaque a importância de um diagnóstico pertinente e, principalmente, permanente (posto que o TEA, infelizmente, assim o é), realizado no momento oportuno por profissionais habilitados, medida essencial para evitar subnotificações, distorções na alocação de recursos e judicializações desnecessárias.

Como esse transtorno do neurodesenvolvimento é uma condição variável; porém, permanente, o TCE-MT, por meio da Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social (Copspas), apresentou à Assembleia Legislativa uma propositura que altera o artigo 19 da Lei n.º 11909/2022, garantindo a validade indeterminada dos laudos médico-periciais para pessoas com TEA.

Nesse contexto, o Estado tem avançado na incorporação de tecnologias de apoio ao diagnóstico, entre as quais se destaca o M-CHAT3 , teste de triagem capaz de identificar sinais de autismo ainda nos primeiros anos de vida, integrado à Caderneta Digital da Criança e ao prontuário eletrônico e-SUS.

A incorporação dessas ferramentas torna o diagnóstico mais ágil e eficiente, amplia o acesso à assistência e favorece que crianças com suspeita de TEA recebam apoio adequado desde os primeiros sinais.

No entanto, persistem limitações estruturais significativas, uma vez que o estado de Mato Grosso conta com apenas seis Centros Especializados em Reabilitação (CER II)4, número insuficiente para atender à demanda crescente. Essa carência contribui diretamente para o aumento da judicialização, como evidencia o caso de Rondonópolis, onde os gastos saltaram de R$ 400 mil em 2020 para cerca de R$ 19 milhões em 2025, pressionando o sistema de saúde e o orçamento municipal.

Como Conselheiro do Tribunal de Contas e Presidente da Copspas, reafirmo que a atuação do controle externo ultrapassa a dimensão fiscalizatória, assumindo caráter pedagógico, orientador e indutor de boas práticas na gestão pública.

A efetivação dos direitos das pessoas com TEA demanda planejamento baseado em evidências, governança cooperativa entre Estado e municípios, participação ativa das famílias e integração das políticas sociais.

Somente por meio desse arranjo institucional será possível consolidar políticas públicas inclusivas, sustentáveis e centradas na pessoa, reconhecendo, como bem afirma Lisa Ferris, que “o autismo é parte deste mundo e não um mundo à parte”.

Guilherme Antonio Maluf é graduado em Medicina pela Universidade de Santo Amaro (1986). Foi vereador por Cuiabá (2005-2006). Deputado Estadual por quatro mandatos (2007-2010/ 2011-2014/ 2015-2018/ 2019-2022). Secretário de Saúde de Cuiabá (2007-2008). Presidente da Assembleia Legislativa (2015-2017). Primeiro Secretário da Assembleia Legislativa (2017-2019). Governador Interino de Mato Grosso (abril 2016 – cinco dias). Tomou posse como Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso – TCE-MT em 1/3/2019

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Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.

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