Agricultura
Bioinsumos avançam no Brasil, mas desafio é chegar ao pequeno produtor
Agricultura
O mercado brasileiro de bioinsumos é exemplo mundial de inovação no campo, com ritmo de expansão quatro vezes acima da média global. Líder nesse segmento, o Brasil já soma 156 milhões de hectares cultivados com produtos biológicos, reflexo direto do trabalho pioneiro desenvolvido pela Embrapa em pesquisa e validação de soluções sustentáveis para mais de 80 culturas agrícolas.
Apesar do avanço, os bioinsumos representam apenas 15% do mercado total, abaixo dos defensivos químicos. Pesquisadores da Embrapa destacam que há tecnologia pronta capaz de elevar essa fatia para até 50%, caso o acesso e a utilização sejam ampliados em todo o Brasil.
Segundo estudo apresentado por especialistas da Embrapa Soja, o país dispõe de soluções validadas para até 100 espécies vegetais, mas o setor privado concentra esforços principalmente nas grandes culturas, como soja e milho. O maior desafio, avaliam os técnicos, é ampliar o alcance para pequenos e médios produtores — parte essencial para ocupação do território, geração de empregos e qualidade de vida no campo.
Um estudo apresentado pela pesquisadora da Embrapa Soja, Mariangela Hungria, mostra que a expansão do uso de bioinsumos no Brasil enfrenta o desafio primordial de garantir o acesso a pequenos e médios produtores rurais. Conforme apontado pela pesquisadora, apesar de a pesquisa já oferecer soluções validadas em campo para um vasto leque de 80 a 100 espécies vegetais, o setor privado tem concentrado seus esforços nas culturas de larga escala, como a soja e o milho.
“O pequeno e médio agricultor, por exemplo, ainda não tem acesso a pacotes tecnológicos voltados para suas propriedades. Precisamos, portanto, discutir como viabilizar essa implementação, especialmente para esse segmento da agricultura”, enfatizou. “Temos soluções prontas disponíveis que poderiam elevar esse índice para 50%, mas é fundamental que sua aplicação seja mais ampla e estratégica. Portanto, precisamos focar na implementação e espero que possamos discutir profundamente essas estratégias aqui”, completou a pesquisadora.
O trabalho foi apresentado durante a COP30 em Belém, Pará, na Agrizone, espaço dedicado à agricultura sustentável.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo
A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.
O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.
O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.
A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.
Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.
A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.
Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.
A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.
Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.
O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.
Fonte: Pensar Agro
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