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Júlio Campos duvida de compra de votos na Câmara de VG e questiona demora do Gaeco

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O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) colocou em dúvida as suspeitas de compra de votos na eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande. O parlamentar afirmou que recebeu com surpresa a Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), e questionou a demora entre a disputa, realizada em maio, e o cumprimento dos mandados, em outubro.

“Para mim foi uma surpresa. Não sei qual o fundamento do Gaeco com relação às denúncias que tiveram, que parece que é compra de voto. Eu não acredito muito nessa história, porque se houve essa compra de voto, houve também uma disputa renhida”, declarou Júlio, em entrevista nesta quarta-feira (21).

O deputado argumentou que a eleição foi bastante acirrada. Na votação, a chapa de Wanderley Cerqueira (MDB) venceu a composição liderada por Lucas Chapéu do Sol (PL) por 12 votos a 11. O resultado, posteriormente, foi anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“O Wanderley ganhou a eleição do Lucas por um voto, quer dizer, há uma bancada hoje bastante disputada lá em Várzea Grande, eu não acredito também que tenha algum fundamento, mas vamos aguardar. A polícia está investigando e só cabe a nós ver o que vai ocorrer daqui pra frente”, afirmou.

Deputado questiona momento da operação

Júlio também demonstrou estranheza com o intervalo entre a eleição da Mesa Diretora e a deflagração da operação. Para ele, o tempo transcorrido levanta questionamentos sobre a condução do caso.

“É meio estranho, né? Porque há várias denúncias que já fizeram com relação à administração municipal, da gestão da prefeita Flávia Moretti, e nunca houve nenhum prosseguimento. Essa da Câmara Municipal também, não sei se tem fundamento ou não, mas é meio estranho, né? Porque esse fato foi em maio, fazer uma operação agora em outubro, novembro”, disse.

O parlamentar comparou a investigação sobre os vereadores às denúncias que, segundo ele, já foram feitas contra a administração da prefeita Flávia Moretti (PL). As declarações representam a avaliação de Júlio sobre o caso, enquanto as suspeitas relacionadas à eleição da Câmara seguem sob investigação.

Caso envolve dinheiro em espécie e monitoramento de chácara

O deputado também comentou a abordagem policial aos vereadores de Cuiabá Alex Rodrigues e Ilde Taques, durante o período de articulações para a eleição da Mesa Diretora. Na ocasião, foram encontrados R$ 40 mil em espécie no veículo abordado.

Segundo Júlio, a explicação que recebeu era de que o dinheiro seria utilizado para pagar serviços realizados em uma chácara. O parlamentar, porém, não apresentou documentos que comprovassem essa versão.

“O mais grave é que logo após os dois vereadores visitantes, o Alex Rodrigues e o vereador Ilde Taques, se não me engano, estava com dinheiro para fazer o pagamento da sua chácara de serviços de empreiteiros e foi agora até tido como envolvido no assunto. Então é uma coisa muito polêmica. Eu gostaria de não participar muito, porque já está terminando meu mandato”, declarou.

A Operação Cathedra Venalis foi deflagrada em 20 de outubro e cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. A ação mobilizou mais de 200 agentes e tem como foco suspeitas de corrupção, cooptação de agentes públicos e negociação de vantagens indevidas na disputa pelo comando do Legislativo várzea-grandense.

A inclusão dos parlamentares entre os alvos não significa comprovação de culpa. As responsabilidades deverão ser esclarecidas no decorrer das investigações.

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MPT investiga padaria em Cuiabá após denúncia de pressão para voto em Flávio Bolsonaro

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O Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou um inquérito civil para apurar uma denúncia de possível assédio eleitoral contra funcionários da Padaria América, conhecida como “Padaria dos Ricos”, localizada no bairro Jardim das Américas, em Cuiabá. Segundo o relato encaminhado ao órgão, o proprietário teria pressionado trabalhadores a votar em Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25).

A denúncia anônima afirma que o episódio ocorreu na noite de 12 de outubro, quando funcionários teriam sido chamados individualmente para conversar com o empresário. Conforme o relato, ele teria associado a continuidade das atividades da padaria ao resultado da disputa eleitoral e afirmado que o negócio poderia quebrar caso os trabalhadores não votassem no candidato do PL.

A abertura do procedimento foi determinada em 15 de outubro pelo procurador do Trabalho Állysson Feitosa Torquato Scorsfava. A investigação deverá apurar as circunstâncias da denúncia e verificar se houve violação à liberdade de escolha política dos empregados.

O inquérito não significa que as acusações tenham sido comprovadas. A eventual responsabilização dependerá dos elementos reunidos durante a apuração.

Padaria já foi citada por gastos do cartão corporativo

O estabelecimento também ganhou destaque durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio. Um levantamento publicado em 2023 apontou despesas do cartão corporativo da Presidência na padaria durante visitas de Bolsonaro a Mato Grosso. Em abril de 2022, os gastos no local ultrapassaram R$ 30 mil, dentro de um total de aproximadamente R$ 50 mil durante uma passagem de menos de cinco horas por Cuiabá.

A apuração trabalhista ocorre na reta final da disputa presidencial. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 45,16%, conforme os dados citados pela reportagem.

A investigação deverá esclarecer se houve pressão sobre os funcionários por suas escolhas políticas. Até que os fatos sejam apurados, a denúncia permanece no campo das alegações.

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