Várzea Grande
MPT investiga padaria em Cuiabá após denúncia de pressão para voto em Flávio Bolsonaro
Várzea Grande
O Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou um inquérito civil para apurar uma denúncia de possível assédio eleitoral contra funcionários da Padaria América, conhecida como “Padaria dos Ricos”, localizada no bairro Jardim das Américas, em Cuiabá. Segundo o relato encaminhado ao órgão, o proprietário teria pressionado trabalhadores a votar em Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25).
A denúncia anônima afirma que o episódio ocorreu na noite de 12 de outubro, quando funcionários teriam sido chamados individualmente para conversar com o empresário. Conforme o relato, ele teria associado a continuidade das atividades da padaria ao resultado da disputa eleitoral e afirmado que o negócio poderia quebrar caso os trabalhadores não votassem no candidato do PL.
A abertura do procedimento foi determinada em 15 de outubro pelo procurador do Trabalho Állysson Feitosa Torquato Scorsfava. A investigação deverá apurar as circunstâncias da denúncia e verificar se houve violação à liberdade de escolha política dos empregados.
O inquérito não significa que as acusações tenham sido comprovadas. A eventual responsabilização dependerá dos elementos reunidos durante a apuração.
Padaria já foi citada por gastos do cartão corporativo
O estabelecimento também ganhou destaque durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio. Um levantamento publicado em 2023 apontou despesas do cartão corporativo da Presidência na padaria durante visitas de Bolsonaro a Mato Grosso. Em abril de 2022, os gastos no local ultrapassaram R$ 30 mil, dentro de um total de aproximadamente R$ 50 mil durante uma passagem de menos de cinco horas por Cuiabá.
A apuração trabalhista ocorre na reta final da disputa presidencial. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 45,16%, conforme os dados citados pela reportagem.
A investigação deverá esclarecer se houve pressão sobre os funcionários por suas escolhas políticas. Até que os fatos sejam apurados, a denúncia permanece no campo das alegações.
Várzea Grande
Gaeco investiga denúncia de que Tião da Zaeli teria financiado eleição de Wanderley em VG
O ex-vice-prefeito de Várzea Grande Tião da Zaeli é citado em uma denúncia encaminhada ao Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) como suposto financiador da eleição de Wanderley Cerqueira à presidência da Câmara Municipal. Segundo o relato, o apoio teria como objetivo garantir vantagens para três empresas com interesses no município. A suspeita integra o inquérito da Operação Cathedra Venalis, deflagrada na terça-feira (20), que apura possíveis crimes de corrupção, extorsão e compra de votos no Legislativo.
Conforme o Relatório de Informações nº 03/2026, o denunciante afirmou ter participado de uma reunião com o vereador Kleberton Feitoza em 2024, antes da posse da prefeita eleita Flávia Moretti (PL). Na ocasião, Kleberton teria mencionado a participação de Tião da Zaeli no financiamento da disputa pela Mesa Diretora, com a intenção de garantir a eleição de Wanderley e fortalecer a influência do grupo sobre decisões da administração municipal.
A denúncia cita três empresas que, segundo o relato, poderiam ser beneficiadas pela articulação: a WR Cerqueira Construtora Ltda., apontada pelo denunciante como pertencente a um filho de Wanderley; a União Transporte e Turismo Ltda., responsável pelo transporte coletivo de Várzea Grande; e a Construtora Nhambiquaras Ltda. A suspeita é de que o apoio à eleição do presidente da Câmara estaria relacionado à obtenção de vantagens junto ao Executivo municipal.
Denúncia menciona possível plano contra a prefeita
O relato encaminhado ao Gaeco também levanta a hipótese de que a articulação política teria como objetivo afastar Flávia Moretti do comando da Prefeitura. De acordo com o denunciante, o grupo buscaria controlar a Mesa Diretora para viabilizar a abertura de um processo político-administrativo que pudesse resultar na cassação da prefeita.
Nesse cenário, a intenção inicial seria permitir que Tião da Zaeli assumisse o Executivo municipal. Ainda conforme a denúncia, após a renúncia dele ao cargo de vice-prefeito, o suposto plano teria sido alterado, passando a considerar Wanderley como possível beneficiário da linha sucessória.
As informações fazem parte das hipóteses investigadas e não comprovam que tenha existido uma articulação efetiva para afastar a prefeita ou alterar o comando da administração municipal.
A Operação Cathedra Venalis também reúne relatos sobre supostos pagamentos mensais a parlamentares, ofertas de dinheiro em troca de votos e pressões políticas relacionadas à eleição da Mesa Diretora. Entre os alvos das diligências estão vereadores de Várzea Grande e os parlamentares de Cuiabá Ilde Taques e Alex Rodrigues.
O Gaeco busca esclarecer se houve financiamento ilícito da disputa e se interesses econômicos teriam influenciado a composição do comando do Legislativo municipal.
Até o momento, o relatório citado não comprova que Tião da Zaeli tenha financiado a eleição de Wanderley, que as empresas mencionadas tenham participado de irregularidades ou que tenha sido executado um plano para cassar Flávia Moretti. As informações têm como base o relato de um denunciante e dependem de confirmação por outras provas no decorrer da investigação.
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