Cultura
Festival Curta Taquary inicia 19ª edição no Agreste de PE
Cultura
Uma das vitrines da produção independente do cinema brasileiro começa mais uma edição nesta segunda-feira no Agreste de Pernambuco. Cidades da região recebem a 19ª edição do Curta Taquary, um festival itinerante de curtas-metragens que reúne cinema, formação audiovisual e ações socioambientais.

O evento nasceu em 2005, na cidade de Taquaritinga do Norte, e neste ano segue até 22 de março, passando por quatro municípios do Agreste pernambucano.
Ao todo, são dez mostras competitivas, com mais de 60 curtas-metragens produzidos em Pernambuco e em pelo menos outros 14 estados brasileiros.
Além das exibições, o festival também promove debates, laboratórios, oficinas e workshops voltados para a formação em audiovisual.
A programação completa, com o calendário de atividades em cada cidade participante, pode ser consultada no site curtataquary.org.
Desde 2021, o festival também desenvolve ações de educação ambiental e reflorestamento. Nesta edição, as quatro cidades do circuito vão realizar atividades como plantio de mudas, palestras sobre reflorestamento e recursos hídricos, além de oficina de horta vertical com garrafas PET.
A programação começou nesta segunda-feira em Poção e segue nesta terça para Santa Cruz do Capibaribe. Nessas duas cidades, as atividades serão voltadas apenas para formação. Já entre os dias 18 e 20 de março, acontecem as sessões das mostras competitivas em Toritama, no Cine Aurélio, um dos poucos cinemas de rua ainda em funcionamento na região. No dia 20 também haverá visitas guiadas pelo cinema.
Nos dias 21 e 22, a programação chega à cidade de origem do festival, Taquaritinga do Norte, com visita guiada ao Cine Teatro Santo Amaro e o encerramento com a premiação dos curtas-metragens. A cerimônia será transmitida pelo canal @CurtaTaquaryAudiovisual.
Desde a primeira edição, somando eventos presenciais e virtuais, o Curta Taquary já exibiu mais de dois mil filmes para um público de mais de 190 mil pessoas.
Cultura
Mostra reúne obras de egressos dos sistemas prisional e socioeducativo
Vinte e sete egressos dos sistemas prisional e socioeducativo e familiares assinam trabalhos na exposição, “Coexistir Habitar”, em cartaz num espaço de arte contemporânea, instalado em imponente casarão do século 19, no centro histórico da cidade do Rio de Janeiro.

A mostra no Largo das Artes é resultado de curso realizado no Museu da Vida Fiocruz, que trabalhou o projeto como ferramenta de escuta e reconstrução de trajetórias.
Segundo o curador Jean Carlos Azuos, a iniciativa coloca a arte como um direito de todos…
“Antes de ser apenas um espaço de exposição, ele afirma o fazer artístico como um direito. Produzir arte não é privilégio, é possibilidade legítima de existência. Quando essas obras ganham visibilidade, algo se transforma, muda o reconhecimento do público, muda também a forma como esses artistas passam a ser vistos por suas famílias, suas redes de afeto. Se antes havia um estigma, agora há reconhecimento. A exposição inverte essa lógica e nos convida a celebrar essas potências que são essas pessoas”.
Jean Carlos fala também sobre as escolhas temáticas da exposição…
“A mostra é atravessada por uma relação intensa entre a arte e vida. As obras abordam a espiritualidade, cotidiano, relações familiares, experiências de trabalho e a presença de corpos negros periféricos na cidade, em linguagens diversas, como pintura, vídeo, escultura e instalação. É possível compreender aspectos dessas realidades por meio dos trabalhos, mas a exposição não se limita à narrativa da privação da liberdade. Não há compromisso exclusivo com a denúncia, mas com a criação. São produções esteticamente consistentes, que poderiam ocupar qualquer museu ou galeria no país”.
Ao ocupar o Largo das Artes, sede de projetos artísticos de vários países, a mostra também cria um encontro simbólico entre territórios historicamente marginalizados e o circuito cultural tradicional carioca. O curador reforça essa importância..
“Estar no circuito cultural tradicional é um gesto de reposicionamento. Insere essas produções no debate público e tenciona o próprio sistema das artes. A exposição afirma que esses artistas não se reduzem a um episódio de suas biografias, mas pelo contrário, são sujeitos múltiplos, criadores livres no exercício do fazer”.
Além da mostra, o projeto conta com atrações variadas, como detalha Jean Carlos.
“A programação prevê encontros com artistas, rodas de conversa e ações mediadas por educadores, interlocutores, a exposição se desdobra em atividades artístico-pedagógicas ao longo de todo o período em cartaz, ampliando assim o diálogo com os diferentes públicos. É, não é apenas só a mostra, é um espaço contínuo de troca, de reflexão, de partilha”.
A exposição “Coexistir Habitar” tem entrada gratuita, com visitação até 25 de abril, de terça a sábado, das 10h às 17h. Anote o endereço: Rua Luís de Camões, região central da cidade.
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