Opinião
Aprender música é mais sobre disciplina do que sobre talento
Opinião
*Por Manoel Izidoro
Existe uma ideia bastante difundida de que aprender música é um privilégio de poucos. Muitos acreditam que só avança quem nasce com dom, ouvido absoluto ou facilidade natural. Essa visão, além de equivocada, afasta as pessoas da experiência transformadora que a música proporciona. A verdade é simples e comprovada na prática diária de quem ensina música. O aprendizado musical depende muito mais de disciplina do que de talento.
Talento pode até facilitar os primeiros passos, mas não sustenta o caminho. A música exige constância, repetição e paciência. Exige errar, voltar, insistir e recomeçar. Quem dedica alguns minutos todos os dias, mesmo com dificuldades iniciais, costuma avançar mais do que quem confia apenas em habilidades naturais e estuda de forma irregular.
Ao longo dos anos formando alunos, é possível observar um padrão claro. Aqueles que evoluem não são necessariamente os mais talentosos no início, mas os mais comprometidos com o processo. A disciplina cria base técnica, desenvolve a escuta, fortalece a coordenação motora e constrói a musicalidade de forma sólida. Sem ela, até o talento mais promissor se perde no meio do caminho.
Outro ponto importante é que a disciplina ajuda o aluno a lidar com a frustração, algo inevitável no aprendizado musical. Nem sempre o som sai como o esperado, nem sempre o progresso é rápido. É nesse momento que muitos desistem, acreditando não ter talento suficiente, quando, na verdade, só precisam de tempo e constância. A disciplina ensina que evolução não é imediata, mas contínua, e que cada pequeno avanço faz parte de um processo maior.
Aprender música também ensina valores que vão além do instrumento. Organização, foco, responsabilidade e perseverança passam a fazer parte da rotina do estudante. Essas competências se refletem na vida escolar, profissional e pessoal. A música, quando encarada com seriedade, se torna uma poderosa ferramenta de formação humana.
É preciso desmistificar a ideia do dom como condição obrigatória. Música é uma linguagem, e toda linguagem pode ser aprendida. Com orientação adequada, método e disciplina, qualquer pessoa pode tocar um instrumento, cantar ou compreender música de forma mais profunda.
Valorizar a disciplina no aprendizado musical é democratizar o acesso à arte. É mostrar que a música não pertence a poucos escolhidos, mas a todos que estão dispostos a se dedicar e caminhar passo a passo nesse processo de construção.
*Manoel Izidoro é professor e proprietário da Escola de Música IGC de Cuiabá.
Opinião
Para muitas mulheres, ter para onde ir é o começo da liberdade
Por Scheila Pedroso
Quando falamos sobre violência contra a mulher, uma pergunta sempre me inquieta: quantas mulheres querem sair de uma situação de violência, mas simplesmente não têm para onde ir?
Ao longo da minha trajetória na gestão pública, aprendi que os problemas da vida real raramente chegam separados. A falta de moradia, a dependência financeira, a vulnerabilidade social e a violência muitas vezes fazem parte da mesma história.
Por isso, enfrentar a violência contra a mulher exige mais do que dizer a ela que denuncie. É preciso garantir que, depois da denúncia, exista uma rede capaz de acolher, proteger e, principalmente, criar condições para que ela possa reconstruir a própria vida.
Neste Agosto Lilás, essa reflexão precisa ir além das campanhas e chegar às políticas públicas.
Uma mulher precisa se sentir segura para pedir ajuda. Precisa saber onde procurar apoio. Precisa ter condições de trabalhar, sustentar seus filhos e recomeçar. E, muitas vezes, precisa de algo tão básico quanto um lugar seguro para chamar de casa.
Durante muitos anos trabalhando com políticas públicas, aprendi que cuidar das pessoas também significa compreender a realidade que existe por trás de cada problema. Não basta tratar a consequência sem olhar para aquilo que mantém uma mulher presa a uma situação de violência.
Combater a violência também é construir autonomia.
É garantir proteção, oportunidade, renda, moradia e dignidade para que nenhuma mulher precise escolher entre permanecer onde sente medo ou partir sem saber para onde ir.
Agosto é Lilás. Mas esse compromisso precisa existir o ano inteiro.
Scheila Pedroso
Arquiteta, gestora pública e pré-candidata a deputada estadual.
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