Opinião

Olhar a infância como potência educativa

Publicado em

Opinião

Por Márcia Amorim Pedr’Angelo

A forma como enxergamos a infância revela muito sobre a sociedade que estamos construindo. Quando a criança é vista apenas como alguém em formação, limitada a um futuro que ainda não chegou, a educação perde a chance de reconhecê-la em sua totalidade. É no brincar, na imaginação e nos vínculos afetivos que se moldam as bases da autonomia, da criatividade e da convivência.

Meu percurso como educadora começou no lugar mais exigente: a maternidade. Ao olhar para o meu primeiro filho, percebi a ausência de um sistema que o escutasse de verdade, que respeitasse seu ritmo e transformasse sua curiosidade em conhecimento significativo. Desse incômodo surgiu a decisão de criar uma proposta que unisse rigor e afeto. Um caminho que reconhecesse cada criança como sujeito central e não como peça a ser ajustada a um molde.

Olhar a infância como potência educativa é entender que brincar é uma linguagem de descoberta. Nesse espaço, a criança testa hipóteses, cria soluções, exercita a convivência e elabora sentidos para o mundo que a cerca. Brincar é experimentar e aprender com liberdade. Quando esse direito é negado, perde-se não apenas um momento lúdico, mas a principal forma de desenvolvimento integral.

Essa perspectiva também exige considerar a infância como tempo de redescoberta do mundo. As perguntas feitas pelas crianças desestabilizam certezas e obrigam os adultos a reaprender. Quando a escola se dispõe a escutá-las de verdade, encontra caminhos para metodologias mais coerentes.

Outro aspecto essencial é o suporte emocional. A criança precisa sentir-se segura para arriscar, errar e criar. Essa segurança nasce de relações de confiança, de vínculos afetivos e de um ambiente que acolhe a diversidade de experiências. Sem essa base, a infância perde parte de sua força e os adultos que dela emergem carregam marcas de insegurança e silenciamento.

À medida que o Dia das Crianças se aproxima, essa reflexão se torna ainda mais oportuna. A data não deve se reduzir ao consumo ou a gestos superficiais. É a oportunidade de reafirmar que proteger a infância é proteger o presente da sociedade e desenhar com mais responsabilidade o seu futuro.

Márcia Amorim Pedr’Angelo é psicopedagoga, fundadora das escolas Toque de Mãe e Colégio Unicus, e coordenadora da Unesco para a Educação em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Opinião

Quando perder músculo também ameaça o cérebro

Publicados

em

Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA