Opinião
Quando o trabalho se torna uma extensão da nossa essência
Opinião
*Márcia Oliveira
Durante muito tempo, o local de trabalho foi visto apenas como um espaço funcional: destinado apenas para o operacional, sem vida, sem identidade e, iria até mais longe, sem alma. Hoje, percebo que essa lógica mudou e mudou profundamente.
O ambiente de trabalho se tornou um elemento estratégico da cultura organizacional e não é apenas o cenário onde o trabalho acontece, mas sim um agente ativo na forma como as equipes se relacionam, aprendem e criam juntas. Nesse novo contexto, o design do espaço corporativo é, antes de tudo, um meio de comunicar propósito. Sabe quando você entra em algum lugar e percebe, logo de cara, o que ele quer passar?
Em um mundo em que o trabalho híbrido se consolidou, o escritório físico ganhou uma nova função: ser o ponto de encontro, o tal do “hub cultural” das empresas. É nele que a cultura se materializa: nas cores, na iluminação, no layout, nas sensações. O ambiente passa a desempenhar um papel essencial: reforçar laços, traduzir valores e inspirar pertencimento.
Mais do que conforto, o espaço precisa gerar identidade. O design, então, surge como tradução da cultura de uma empresa. Projetar um escritório é, no fundo, um exercício de escuta. É entender o ritmo e o estilo de cada organização, o modo como as pessoas se movem, interagem e constroem juntas.
Cada empresa tem uma dinâmica própria e o ambiente físico deve refletir isso. Um escritório colaborativo, por exemplo, comunica horizontalidade e troca constante. Já espaços que equilibram áreas abertas e zonas de concentração revelam um olhar atento à produtividade e ao bem-estar.
Cada escolha, seja o formato das mesas, a textura e os desenhos das cadeiras, os quadros pendurados na parede, carrega uma mensagem sobre o tipo de cultura que se quer fortalecer. É por isso que para mim e para minha empresa, a Neomóbile, o design corporativo é também uma forma de gestão de cultura.
Um projeto bem resolvido não apenas organiza o espaço: ele cria experiências significativas. Ele permite que as pessoas se sintam parte de algo, que percebam no ambiente físico a coerência entre o discurso e a prática da empresa.
Diversas pesquisas já comprovaram que o espaço influencia diretamente a produtividade, a criatividade e o engajamento, inclusive já falei sobre este tema em outro artigo. Ou seja, um escritório bem planejado pode ajudar a reduzir o estresse, melhorar a comunicação e estimular o senso de pertencimento, três pilares fundamentais para a inovação.
Isso talvez você impensável anos atrás, mas hoje vejo como uma necessidade: quando o ambiente é acolhedor e estimulante, o trabalho flui de maneira natural, e os resultados aparecem com mais consistência. É por isso que, cada vez mais, o trabalho é uma extensão da nossa essência e, claro, da essência de nossas empresas.
*Márcia Oliveira é empresária e diretora da Neomóbile.
Opinião
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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