Polícia
Laudo aponta que servidor do Liceu morto pela PM levou seis tiros; um atingiu as costas
Polícia
Conteúdo/ODOC – O servidor da Escola Estadual Liceu Cuiabano, Valdivino Almeida Fidelis, morto durante uma ação da Polícia Militar na última segunda-feira (11), em Cuiabá, foi atingido por seis disparos, sendo um deles nas costas.
A informação foi confirmada pelo delegado Bruno Abreu, responsável pela investigação do caso, com base no laudo da Politec.
Conforme o laudo, três tiros atingiram a região do peito da vítima, um acertou a coxa, outro pegou de raspão na parte de trás da cabeça, e um sexto disparo atingiu as costas.
O delegado frisou, porém, que o fato de um dos tiros ter acertado as costas não significa, necessariamente, que Valdivino tenha sido baleado por trás de forma intencional.
Bruno Abreu afirmou ainda que a dinâmica da ocorrência será esclarecida após a conclusão do laudo do local e dos depoimentos dos policiais militares envolvidos na ação, que ainda serão ouvidos.
Entenda o caso
Valdivino morreu após a Polícia Militar ser acionada por denúncias de que ele mantinha a ex-enteada em cárcere privado em uma residência no bairro Goiabeiras.
Conforme a PM, as equipes encontraram o servidor armado dentro do imóvel. Os policiais afirmam que ordenaram que ele soltasse a arma, mas ele teria saído da casa apontando o revólver em direção aos militares, que reagiram efetuando disparos.
Antes da ocorrência, Valdivino gravou vídeos nos quais aparecia armado e dizia que iria morrer. Em uma das gravações, ele conversa com a ex-enteada e relata estar com a vida “péssima” após o término do relacionamento com a ex-companheira.
Em outro momento, ele afirma que morreria naquele dia por causa da separação e orienta a jovem a chamar a Polícia apenas para recolher seu corpo. “Você só chama a Polícia para levar o meu corpo”, disse.
Valdivino trabalhava há mais de dez anos no Liceu Cuiabano. Em nota, a escola lamentou a morte e decretou luto, destacando que ele era tratado como “pai” por muitos alunos. “Fica nosso agradecimento pelo seu trabalho, pelos momentos compartilhados e pelas suas risadas marcantes pelos corredores”, afirmou a instituição.
Polícia
Líder de facção criminosa namorava missionária e bancou cirurgia plástica
Conteúdo/ODOC – A missionária Rhavenna Barcelos de Almeida, presa nesta quinta-feira (16) durante a Operação Fariseus, teria recebido uma cirurgia plástica paga por um dos principais líderes do Comando Vermelho de Mato Grosso.
Segundo o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cuiabá, Rhavenna mantinha um relacionamento com Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”, apontado como um dos chefes da facção. Ele está foragido desde 2024, após romper a tornozeleira eletrônica enquanto cumpria medidas cautelares.
As investigações apontam que a missionária e outros integrantes do grupo recebiam benefícios em troca do apoio prestado à organização criminosa.
“Eles ganhavam proteção desses membros da organização criminosa e recebiam favores. Por exemplo, a presa teve uma cirurgia plástica paga por um líder da facção criminosa”, afirmou o delegado.
Além de Rhavenna, seus pais, os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Barcelos Almeida, responsáveis por uma igreja evangélica em Cuiabá, foram alvo de mandados de busca e apreensão por suspeita de participação no esquema.
Outro episódio investigado envolve um furto ocorrido na residência da missionária. Conforme a Polícia Civil, após identificar o suspeito, ela teria acionado integrantes da facção para aplicar um “salve”, em vez de registrar boletim de ocorrência.
“Houve uma situação de um crime patrimonial na residência dela. Ela identificou a pessoa e, em vez de procurar a Polícia, como deve fazer qualquer cidadão, buscou ajuda da facção criminosa, e esse salve ocorreu”, relatou Freitas.
Atuação dentro dos presídios
De acordo com a investigação, os suspeitos utilizavam projetos missionários para ingressar em unidades prisionais, onde levavam dinheiro, recados e determinações de líderes da facção presos.
A Polícia Civil afirma ainda que o grupo intermediava a comunicação entre criminosos de Mato Grosso e do Rio de Janeiro, além de ocultar recursos provenientes das atividades ilícitas.
“Os investigados se apresentavam como missionários para entrar nos presídios e levar a palavra aos detentos. No entanto, mantinham relação próxima com líderes da facção criminosa que atua em Mato Grosso, transmitiam recados e também lavavam dinheiro para esses integrantes”, disse o delegado.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam veículos, dinheiro em espécie e camisetas que, segundo a investigação, fazem referência à facção criminosa.
A Polícia também apura a origem do patrimônio de Rhavenna. Segundo Freitas, há indícios de incompatibilidade entre o padrão de vida da investigada e a ausência de atividade econômica que justifique os bens.
“Eles se beneficiam de valores sem exercer atividade laboral. É uma troca de favores. Todo o patrimônio que ela constrói, segundo a investigação, não decorre de trabalho. Ela possui empresas de fachada e faz movimentação de valores em espécie”, afirmou.
“O patrimônio, os veículos e o padrão de vida dela são objetos da investigação, que busca confirmar se foram custeados por integrantes da facção”, completou.
Operação Fariseus
Além da prisão preventiva de Rhavenna, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão, determinou a quebra dos sigilos telefônico, telemático e bancário dos investigados e proibiu temporariamente o ingresso deles em unidades prisionais por meio de projetos religiosos.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo de Cuiabá, com base nas investigações da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Draco.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção de menor, tortura e lavagem de dinheiro. Segundo a Polícia Civil, a suspeita de lavagem está relacionada ao suposto recebimento de recursos ilícitos e à ocultação da origem dos valores por meio de movimentações financeiras.
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