Política
Com MDB na vice, Tarcísio praticamente enterra chance de partido apoiar Lula
Política
A filiação do vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, ao MDB tem repercussões para além da troca partidária. A articulação, com participação direta de Tarcísio de Freitas (Republicanos), leva para o núcleo do governo um partido hoje cortejado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e reforça a intenção do governador de controlar sua sucessão no Estado, disputada por PL e PSD.
Na avaliação de emedebistas de São Paulo ouvidos pelo Estadão, ao levar o MDB para a vice no principal colégio eleitoral do País, Tarcísio praticamente enterrou as chances de o partido compor nacionalmente com Lula, e o partido deve adotar uma posição de neutralidade.
Em 2022, após anos no PSDB, Ramuth se filiou ao PSD com o plano de disputar o governo de São Paulo, mas abriu mão da candidatura para compor como vice de Tarcísio. A decisão fez parte de uma aposta ousada de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, para pôr fim à hegemonia tucana de quase 30 anos no Estado. Deu certo e a chapa saiu vitoriosa.
Ao longo do governo, Ramuth ganhou espaço e passou a ser visto como um vice leal, se tornando mais próximo do governador do que do próprio Kassab. Com a eleição no horizonte, Tarcísio passou a defender junto a aliados sua permanência na chapa à reeleição.
O movimento colidiu com os planos de Kassab, que trabalhava para ocupar a vaga de vice e, a partir dela, se viabilizar como sucessor estadual. Segundo aliados, Kassab não esconde que seu projeto pessoal é chegar ao governo de São Paulo – e sendo vice de um governador em segundo mandato, aumentaria suas chances.
A estratégia remete a 2004, quando, então deputado federal pelo PFL, Kassab articulou para ser vice de José Serra na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Serra resistia ao seu nome, mas cedeu à pressão partidária. A manobra levou Kassab ao comando da capital paulista e abriu caminho para estruturar o PSD, que em 2024 se tornou o partido com o maior número de prefeituras no País, desbancando o MDB.
Kassab entende que, por ter sido o responsável pela indicação de Ramuth, o correligionário deveria abrir caminho para que ele próprio ocupasse a vaga nesta eleição, contam fontes do Palácio dos Bandeirantes. No entanto, como Ramuth se mostrou disposto a continuar no páreo, Kassab decidiu que era melhor correr o risco de não ter o partido na chapa majoritária do que mantê-lo na legenda.
O impasse, que no governo tratam como uma divergência pessoal, que não afeta a relação de Kassab e Tarcísio, levou ao rompimento entre os dois nesta semana, e Ramuth passou a buscar outra legenda para viabilizar sua continuidade na chapa.
A escolha do MDB, antecipada pelo Estadão, contou com o aval e a participação de Tarcísio. Segundo aliados, o governador entendeu que seria o momento de trazer o partido para mais próximo de sua gestão. Até então, o MDB não ocupava nenhum cargo no primeiro escalão da gestão estadual.
Em vídeo no qual anuncia a troca partidária, Ramuth diz que a “política é dinâmica” e exige “principalmente clareza de rumo”. “Com serenidade e senso de responsabilidade, eu decidi seguir um novo caminho, sempre alinhado ao projeto liderado pelo governador Tarcísio”, afirmou o vice-governador paulista.
Na eleição municipal, Tarcísio já havia se aproximado de lideranças do MDB – além do próprio prefeito da capital, Ricardo Nunes, do presidente nacional da sigla, deputado federal Baleia Rossi (SP). Sua atuação na campanha do MDB foi considerada decisiva para a vitória de Nunes.
Na avaliação de integrantes do MDB paulista e também do governo, a chegada de Ramuth tem peso simbólico e, por isso, enterra as chances de uma aliança do partido com Lula este ano.
Há ainda a leitura de que, ao patrocinar a ida de Ramuth ao MDB, o governador envia um recado político: quer manter controle sobre a escolha do vice e, por consequência, de sua sucessão. Além do PSD, o PL tenta emplacar o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado, na vaga.
Se reeleito, Tarcísio estará em seu segundo mandato, e o vice passa a ser visto como potencial sucessor natural – como foi com Geraldo Alckmin, então vice de Mário Covas. Por isso, segundo interlocutores, o governador quer escolher alguém de sua confiança, e não um indicado de partido com quem tenha de negociar mais adiante.
Embora Tarcísio sinalize a aliados que a tendência é manter Felício Ramuth como vice, a decisão ainda não está “escrita em pedra”, segundo interlocutores do governador, e a confirmação deve ficar para mais perto do calendário eleitoral.
Mato Grosso
Flávia Moretti mira reeleição em 2028 e atribui entraves da gestão a conflitos com a Câmara
Prefeita de Várzea Grande afirma que impasses com a Mesa Diretora dificultaram a execução de projetos e aposta em nova relação com os vereadores para ampliar entregas à população.
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), já projeta a disputa pela reeleição em 2028 e afirma que pretende fortalecer a administração municipal para ampliar os resultados da gestão. Em declaração recente, a chefe do Executivo atribuiu parte das dificuldades enfrentadas pela Prefeitura à falta de entendimento com a atual direção da Câmara Municipal, presidida por Wanderley Cerqueira (MDB).
Segundo Moretti, os conflitos entre os dois poderes impediram o avanço de iniciativas que, na avaliação dela, poderiam beneficiar diretamente a população. A prefeita defende uma relação institucional mais próxima com os parlamentares e considera que uma mudança no comando do Legislativo pode facilitar a tramitação de projetos do Executivo.
“Muita coisa eu não consegui fazer para a população de Várzea Grande por não conseguir ter essa união da Mesa Diretora, do presidente da Câmara”, afirmou a prefeita, conforme publicação do portal O Documento.
Disputa pela Câmara entra no cenário político
A relação entre a Prefeitura e a Câmara tem sido marcada por divergências sobre projetos, orçamento e a eleição da Mesa Diretora para o biênio 2027/2028.
Flávia aposta no vereador Lucas do Chapéu do Sol (PL), seu aliado político, para assumir a presidência do Legislativo. A expectativa é que uma composição mais alinhada com o Executivo contribua para acelerar votações e ampliar a capacidade de execução das ações municipais
A disputa pelo comando da Câmara ganhou um capítulo jurídico após a eleição antecipada realizada em maio, quando Wanderley Cerqueira venceu Lucas por 12 votos a 11. Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou o pleito por entender que a votação contrariou os parâmetros estabelecidos para a escolha das mesas diretoras.
Projetos e orçamento no centro dos impasses
Os desentendimentos também atingiram propostas administrativas. Entre os episódios citados está a dificuldade para avançar com um projeto que previa R$ 6,9 milhões destinados à saúde municipal, provenientes de emendas parlamentares estaduais e federais.
Outro ponto de divergência envolve a margem para remanejamento de recursos do orçamento sem autorização legislativa. A prefeita já afirmou que as limitações dificultam decisões administrativas e aumentam a dependência de votações na Câmara
Meta é ampliar entregas e buscar novo mandato
Apesar dos obstáculos apontados, Moretti afirma que pretende continuar trabalhando e apresentar resultados para a população várzea-grandense. A prefeita declarou que buscará a reeleição e defendeu uma gestão construída em conjunto com os vereadores.
“Agora eu corro atrás da minha reeleição”, afirmou.
O cenário indica que a relação entre Executivo e Legislativo continuará sendo um dos principais temas da política municipal, com reflexos sobre a tramitação de projetos, o planejamento orçamentário e a organização dos grupos políticos de olho em 2028.
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