Agricultura
Missão brasileira acompanha lavouras nos EUA para entender clima e mercado
Agricultura
Entre hoje e o dia 21, um grupo de representantes do setor agrícola do Brasil está nos Estados Unidos para uma missão especial que busca analisar, diretamente no campo, as condições das principais lavouras americanas de soja e milho. A iniciativa da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja – MT) tem como foco compreender como o clima, a tecnologia e o manejo das culturas impactam a produtividade e o mercado global de grãos.
Durante o período, os participantes visitam propriedades rurais, cooperativas e regiões agrícolas de destaque em estados tradicionais produtores, como Iowa, Illinois, Minnesota, Dakota do Norte e Kansas. Essas áreas são reconhecidas mundialmente pela sua importância na produção de soja e milho, produtos que têm papel fundamental no comércio internacional.
A missão envolve técnicos, especialistas e produtores brasileiros, que acompanham in loco o desenvolvimento das culturas para comparar as práticas agrícolas dos EUA com as adotadas no Brasil. Além disso, o grupo observa o comportamento do clima e seu efeito nas lavouras, com o objetivo de extrair lições que possam ser aplicadas para melhorar a produtividade e o manejo das safras brasileiras.
O projeto também busca compartilhar essas informações com um público mais amplo, incluindo outros produtores, estudantes e profissionais do agronegócio, por meio da transmissão de entrevistas, reportagens e análises feitas diretamente do campo americano. Essa divulgação é feita diariamente pelas redes sociais e portais especializados, aproximando o público brasileiro das tendências e desafios do cinturão agrícola norte-americano.
Com essa experiência, o setor agrícola brasileiro espera obter subsídios para tomar decisões mais informadas, ajustar práticas de manejo e planejar melhor as safras diante das variações climáticas e das demandas do mercado global.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo
A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.
O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.
O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.
A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.
Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.
A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.
Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.
A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.
Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.
O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.
Fonte: Pensar Agro
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