Cultura
Primeira noite de desfile das escolas de SP celebra figuras femininas
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Na primeira noite de desfiles do Grupo Especial no Sambódromo do Anhembi, os enredos falam de temas como astrologia, cinema, orixás e reforma agrária. Chamam a atenção aqueles que celebram figuras femininas: de mulheres negras às que já foram chamadas de bruxas e silenciadas pela história, além das guerreiras Amazonas.

Tadeu Kaçula, sambista e sociólogo, comenta a importância dos enredos que trazem reflexões para o debate público.
“Que é o caso da mulher negra, que é o caso da população indígena, que faz parte da construção social, política, de identidade do nosso país. Essas escolas de samba trazem esses enredos e, certamente mostrarão na avenida, que a história oficial do Brasil precisa ser relida, precisa ser reescrita, precisa ser recontada”.
Para Raul Machado, comentarista de carnaval há 15 anos, a diversidade de temas é uma das características da folia, e o desafio de cada escola é escolher a melhor forma de narrar a história.
“Você tem a Rosas de Ouro, atual campeã, que aposta numa temática lúdica, falando da astrologia e a Tatuapé, que vai colocar o dedo na ferida no tema reforma agrária, mostra exatamente isso. O Carnaval é um livro aberto. Cabe a cada carnavalesco, a cada presidente, a cada comunidade desenvolver essa história e apresentar ela da melhor maneira possível”.
O feminino e a luta pela terra no centro dos desfiles
Quem abre-alas às 23h da primeira noite de desfiles do Grupo Especial é a Mocidade Unida da Mooca, que estreia na elite com o enredo “GÈLÈDÉS – Agbara Obinrin”, que exalta a força das mulheres negras por meio da história do Geledés, Instituto da Mulher Negra fundado pela filósofa Sueli Carneiro.
A segunda escola a entrar na avenida é a Colorado do Brás, com o enredo “A Bruxa está solta” que revisita a sabedoria das mulheres perseguidas e silenciadas ao longo da história.
A terceira agremiação a desfilar é a Dragões da Real com o enredo “Guerreiras Icamiabas – Uma lendária história de força e resistência”. É a celebração do sagrado feminino e da defesa do meio ambiente através das amazonas que viviam numa sociedade matriarcal.
Na sequência, a Acadêmicos do Tatuapé leva a reforma agrária para a avenida com o enredo “Plantar para Colher e Alimentar – Tem Muita Terra sem Gente, Tem Muita Gente sem Terra”. A escola da zona leste destaca a agricultura familiar e camponesa e se inspira na luta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST. Tadeu Kaçula, sambista e sociólogo, ressalta o papel das escolas ao levar para a avenida temas sociais.
“Quando a gente percebe escolas de samba como Acadêmicos do Tatuapé, trazendo um tema que é importante, sobretudo do ponto de vista da luta de classe no Brasil relacionado à questão da reforma agrária, direito à terra, direito à habitação, direito à moradia… temas tão importantes que deveriam ser debatido no Congresso Nacional acabando sendo debatido e a Escola de Samba tem esse papel de ser um vetor para manter o debate público vivo”.
A atual campeã do carnaval de São Paulo, a Rosas de Ouro, se debruça sobre a astrologia, da criação do universo ao uso dos astros como guia no enredo “Escrito nas Estrelas”.
A penúltima escola a desfilar na sexta-feira é a maior campeã do carnaval paulistano: com 15 títulos, a Vai-vai busca mais uma vitória com “ Em cartaz: a saga vencedora de um povo heroico no apogeu da vedete da Pauliceia”, num enredo que conta a história dos estúdios de cinema Vera Cruz, a Hollywood de São Bernardo do Campo que surgiu no fim dos anos 1940.
Quem encerra a primeira noite do Grupo Especial é a Barroca Zona Sul, que entra na avenida por volta das 5h30 fazendo reverência a Oxum, a orixá das águas doces, da fertilidade e do amor, com o enredo “Oro Mi Maió OXUM”.
Neste ano, a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, que é responsável pela organização do carnaval paulistano, lançou uma bilheteria itinerante pelas quadras das escolas para a venda dos ingressos. O público também pode adquirir as entradas pelo site Clube do Ingresso e no ponto físico na Fábrica do Samba. O valor é a partir de R$ 165 para os setores ainda disponíveis.
*Com sonoplastia de Jailton Sodré, colaboração de Priscila Cestari e produção de Dayana Vitor
Cultura
Festival de Cinema de Vitória começa neste sábado
A capital capixaba sedia, a partir deste sábado (18), a 33ª edição do Festival de Cinema de Vitória. Serão oito dias de exibições gratuitas de mais de 90 filmes, em diferentes gêneros, como comédia, terror, romance e ficção científica.

As produções do evento se dividem em 11 mostras, com longas e curtas-metragens e obras de cineastas capixabas, experimentação de linguagens e estéticas, temáticas que incluem mulheres, cinema ambiental e negritude. As avaliações dos filmes exibidos são feitas por um júri técnico e por um júri popular.
A produtora executiva do festival, Larissa Delbone, explica o objetivo do projeto:
“O nosso grande objetivo com o Festival de Cinema de Vitória é fomentar a produção audiovisual brasileira, aumentar a quantidade de janelas de exibição e fazer essa conexão mesmo entre o público e os filmes. Para a gente, é uma honra ter uma exibição tão diversificada e um festival tão grande como a nossa edição deste ano.”
Nesta edição, o evento homenageia o cineasta capixaba Rodrigo Aragão e a atriz Camila Morgado, duas referências do cinema brasileiro. Larissa Delbone fala sobre a escolha dos artistas:
“Nós temos muita alegria na escolha desses dois homenageados. A Camila Morgado é uma das atrizes mais diversas, que tem papéis no cinema que são muito importantes, que levaram o cinema nacional para outros lugares. Rodrigo Aragão é a personalidade do cinema capixaba, que tem filmes premiadíssimos na sua carreira, que desenvolve um gênero de cinema que é muito peculiar e que ele é um dos nomes mais importantes do país.”
Entre os filmes que serão exibidos estão o documentário carioca A Fabulosa Máquina do Tempo, dirigido por Eliza Capai; Cinema, Poema e Gangrena, de Gustavo Guilherme da Conceição; Superfície, de Carolina Campista; e Liberdade de Morar, de Penha Souza.
O evento promove ainda atividades de formação gratuita em diversas áreas do audiovisual, com foco em Direção de Arte, Direção de Documentário, Roteiro e Carreira.
O Festival de Cinema de Vitória vai até o próximo dia 25, no Sesc Glória, centro da cidade.
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