Agricultura
Abiove prevê que em 2026 seguirá líder global com produção de 177,7 milhões de toneladas
Agricultura
A cadeia da soja começou a antecipar o tom do próximo ciclo e a perspectiva é novamente de números robustos. As novas projeções divulgadas pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) indicam que 2026 deve ser mais um ano de marcas históricas, mesmo com ajustes pontuais nas estimativas. A produção brasileira foi recalculada para 177,7 milhões de toneladas — ligeiramente abaixo da previsão anterior — mas ainda suficiente para manter o País como o maior fornecedor global de grãos, farelo e óleo.
O setor industrial também deve sustentar o ritmo forte. O processamento foi mantido em 60,5 milhões de toneladas, sustentando a produção de 46,6 milhões de toneladas de farelo e cerca de 12,1 milhões de toneladas de óleo. Com a demanda firme da indústria de proteína animal e do segmento de biocombustíveis, o esmagamento segue como um dos principais vetores de estabilidade do complexo.
No comércio exterior, a expectativa é de outro salto. As exportações do grão foram mantidas em 111 milhões de toneladas, consolidando um novo patamar histórico. O farelo deve embarcar 24,6 milhões de toneladas e o óleo, 1,2 milhão — este último, com avanço próximo de 20% em relação ao ciclo anterior. A leitura é de que o Brasil segue ampliando presença em mercados estratégicos, favorecido tanto pelo câmbio quanto pela oferta consistente ao longo do ano.
Os estoques finais também foram revisados. Para a soja, o volume esperado é de 10,6 milhões de toneladas, leve aumento frente ao cálculo anterior. No farelo, o estoque deve chegar a 6,3 milhões de toneladas, enquanto o óleo tende a fechar o ciclo com cerca de 490 mil toneladas, número menor que o projetado anteriormente. As importações, por sua vez, seguem estáveis e em níveis reduzidos, servindo apenas para complementar o abastecimento interno.
Os números reforçam o peso da soja na balança comercial e no mercado doméstico, o que também se confirma na revisão do ano civil de 2025. Para esse período, a produção foi estimada em 172,1 milhões de toneladas. O esmagamento permanece em 58,5 milhões, acompanhado de exportações próximas a 109 milhões de toneladas. Os estoques, porém, foram ajustados para cima, alcançando 6,9 milhões de toneladas — movimento relacionado ao bom fluxo logístico ao longo do ano.
No farelo, a projeção para 2025 indica produção de 45,1 milhões de toneladas, com embarques de 23,6 milhões e consumo doméstico de 19,5 milhões. Para o óleo, a estimativa é de 11,7 milhões de toneladas, com exportações de 1,35 milhão e demanda interna de 10,5 milhões. Os volumes deixam claro que, apesar de oscilações pontuais de consumo e preço, a indústria segue operando perto da capacidade.
O desempenho mensal também mostra solidez, mesmo com algum recuo recente. Em setembro, o processamento foi de 4,1 milhões de toneladas — baixa de 9,1% frente a agosto e de 1,2% ante o mesmo mês do ano passado. Ainda assim, o acumulado de janeiro a setembro registrou avanço de 5,1% e somou 39,3 milhões de toneladas. A leitura do setor é de normalidade, já que o ritmo de esmagamento tende a oscilar entre safras e períodos de exportação mais intensa.
Em um cenário de demanda firme, câmbio favorável e produção ainda crescente, a cadeia da soja entra nos últimos meses do ano com confiança renovada. A combinação de oferta elevada, indústria ativa e mercado externo em expansão reforça o protagonismo do setor na economia brasileira e consolida o País em posição estratégica no abastecimento global de alimentos e energia.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo
A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.
O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.
O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.
A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.
Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.
A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.
Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.
A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.
Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.
O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.
Fonte: Pensar Agro
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