Sinop
Sinop implanta na educação municipal projeto do TJ-MT de combate à violência contra mulher
Sinop
A desembargadora explica que o projeto foi trazido para Sinop atendendo ao pedido oficializado pelo prefeito Roberto Dorner.
“Nós estivemos aqui em Sinop no mês de agosto e nós estivemos na Prefeitura, numa reunião com o prefeito. E ele colocou de uma forma muito clara: “eu quero que Sinop, pelas suas escolas municipais, participe do projeto”. É um prefeito que tem uma visão de futuro, uma visão que é através da escola que a gente modifica o ambiente, que a gente traz conhecimento e traz ressignificação para aquilo que é a violência que acontece nas casas. E cumprindo esse desejo do prefeito, o Tribunal de Justiça está aqui hoje para fazer essa capacitação”, comentou ela.
A secretária de Educação, Salete Rodrigues, explica que hoje o foco foi transmitir à rede educacional como o projeto funcionará na prática, mas esclarece que as ações de conscientização serão desenvolvidas dentro da sala de aula, com auxílio dos professores, coordenadores e diretores escolares, por meio da forma com que a criança consiga se expressar. O trabalho tem foco nos alunos do primeiro ao quinto ano e permanecerá até ao fim do ano.
“São as crianças do primeiro ao quinto ano, então vai ter desenho, música, poesia, redação, vídeos, a forma com que a criança consiga se expressar. Então a linguagem que ela conseguir usar para se expressar, para falar sobre isso, é o que traz o projeto. Ele vai ficar agora aqui na rede até o fim do ano. Os professores terão um prazo ali para planejar, para colocar dentro do planejamento escolar esse projeto”, explicou ela.
O evento contou, também, com a presença da juíza da 2ª Vara Criminal de Sinop, Rosângela Zacarkim dos Santos, que avaliou positivamente a ação, destacando que a mesma contribuirá satisfatoriamente para o combate imediato das agressões nos lares e, também, da construção de uma sociedade mais consciente e combatente a essa prática, dita por ela como: “arraigada” na sociedade.
“Esse projeto é de suma importância porque ele busca a formação do ser humano, a formação do menino, da menina. Na mudança de mentalidade, na mudança de uma cultura que já vem sendo, arraigada, há muito tempo, a cultura da violência, a cultura do machismo. E a gente trabalhando com esse menino, com essa menina, certamente nós vamos ter reflexos imediatos já, mas também a longo prazo, na vinda de uma geração melhor, uma geração que encare a violência com o desprezo que ela merece, que não adira a violência”, avaliou ela.
A juíza destaca ainda que o Brasil é, sabidamente, um país cristão, mas que ocupa hoje a quinta colocação no ranking mundial de violência. Para ela, o projeto contribuirá para que os valores cristãos sejam repassados, verdadeiramente, aos lares sinopenses.
“Como que eu não consigo conectar a minha cultura cristã no meu lar, na hora de tratar o meu companheiro, a minha companheira, o meu filho? Então nós precisamos trabalhar, arraigar no coração da criança que isso deve ser mudado. E esse trabalho ela vai fazer ludicamente, vamos dizer, ela está brincando, ela está produzindo culturalmente, uma arte, e produzindo essa arte isso vai trabalhando no seu interior, porque ela tem que colocar o intelecto naquele trabalho, todas as suas aptidões. Eu creio que é indizível a importância. Desse trabalho e, para isso, nós precisamos do apoio da Secretaria de Educação Municipal, nós precisamos do apoio desses professores, coordenadores, diretores, para levar a efeito esse trabalho”, expressou.
Concurso
A desembargadora Maria Erotides explica que as atividades desenvolvidas dentro da escola concorrerão a um concurso a nível municipal e estadual. As três melhores atividades de Sinop concorrerão outras seis desenvolvidas pelas escolas dos municípios de Cuiabá e Rondonópolis. A ação é para incentivar os alunos a expressarem o que entendem por violência doméstica.
“Colocaremos Sinop junto com Rondonópolis e Cuiabá no ranking das disputas dos melhores trabalhos de expressões culturais no enfrentamento da violência doméstica contra a mulher. A expressão cultural do projeto se faz assim: crianças aqui, da primeira série até a quinta, elas vão expressar o que elas entendem por violência doméstica contra a mulher. E elas vão dizer as formas de violência, como vencer isso, como se posicionar, o que isso significa para elas. E vão se expressar através de desenhos, de redações, de poesias, de vídeos, de clipes, e haverá um concurso dos três melhores de cada escola, das escolas participantes. Depois nós vamos fazer uma fase municipal de melhores de cada escola. Os três melhores de Sinop, em cada expressão, e depois nós vamos levar para uma fase de concorrência entre os municípios participantes e, então teremos os três melhores de cada categoria no estado de Mato Grosso”, explicou ela.
Sinop
Prefeitura de Sinop reúne instituições para construir Plano Decenal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher
A Prefeitura de Sinop, por meio da Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres e da Secretaria de Assistência Social, promoveu um importante encontro, na manhã de hoje (17), com o objetivo de construir propostas para o Plano Municipal de Metas para o Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Participaram da agenda representantes de Secretarias Municipais, Conselhos, Forças de Segurança, Justiça, Sociedade Civil Organizada, além da Rede de Enfrentamento.
Os participantes foram distribuídos em grupos de trabalho, de acordo com a afinidade de atuação de cada um, para discutir os quatro eixos temáticos do Plano: Educação e Comunicação; Atendimento e Segurança Pública; Justiça e Atenção às Vítimas; e Governança.
A coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres, Professora Branca, destacou que a elaboração do plano é uma responsabilidade compartilhada entre o município e as instituições que atuam na rede de proteção. “Estamos reunidos com representantes de várias instituições, do campo e da cidade, associações e órgãos de segurança para debater o Plano Decenal. Essa junção de trabalho, dentro dos quatro eixos propostos pelos planos Nacional e Estadual, está sendo discutida hoje com pessoas relevantes para nos ajudar a controlar esse índice que tem preocupado a gestão e toda a sociedade. Finalizadas as ações, metas e indicadores, o plano será encaminhado ao prefeito para formalização por Decreto e, posteriormente, ao Estado”, explicou.
A gestora de Programas e Projetos, Lauren Menegon, ressaltou que o planejamento será fundamental para ampliar o acesso a investimentos voltados às políticas públicas para as mulheres. “A elaboração desse plano em conjunto com o plano de metas do Governo do Estado é muito importante porque servirá como nosso guia norteador de ações, permitindo buscar recursos junto ao Governo do Estado e ao Governo Federal, por meio do Ministério das Mulheres. O município já desenvolve diversas ações voltadas a essa pauta, mas sabemos que, sem recursos, a execução se torna mais difícil”, afirmou.
Para a presidente da Rede de Enfrentamento, Eliane dos Santos, a ampla participação das instituições demonstra o comprometimento dos agentes e fortalece o planejamento das ações. “Temos aqui diversos representantes das instituições que integram essa rede. Isso mostra a sua força. Não basta apenas realizar as ações, é preciso planejar, colocar no papel, monitorar e avaliar o trabalho. Todas as instituições estão engajadas para enfrentar e combater essa situação de violência, e o resultado virá. Além disso, temos um forte trabalho preventivo com crianças e adolescentes para construir um futuro com menos violência”, destacou.
Representando o Ministério Público de Mato Grosso, o promotor de Justiça, Dr. Pedro Figueiredo, enfatizou que o plano busca garantir a continuidade das políticas públicas, independentemente das gestões. “O Ministério Público ressalta a importância da proteção da mulher em situação de violência doméstica. Estamos construindo um plano de dez anos focado no interesse público, sem pessoalizar ações. O município só tem a ganhar, especialmente as mulheres. Em Sinop existe uma Rede de Enfrentamento muito ágil, muito atuante e conectada para a proteção das vítimas de violência doméstica”, enalteceu.
A delegada da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, Dra. Renata Evangelista, reforçou que o planejamento permitirá aperfeiçoar o acolhimento às vítimas e reduzir os índices de violência. “Essa atuação conjunta de todos os órgãos, planejando como essa mulher será acolhida e de que maneira podemos ajudá-la, é de suma importância. Sentar, identificar os gargalos e discutir como ocupar esses espaços é o caminho para conseguirmos tirar essa mulher do ciclo de violência e diminuir os índices, inclusive de feminicídio”, afirmou.
A major Priscila Megier, do 4º Batalhão de Bombeiros Militar, destacou que as forças de segurança costumam ser o primeiro contato das vítimas com a rede de proteção e, por isso, a integração entre as instituições é essencial. “Nós somos, muitas vezes, o primeiro contato dessa mulher vítima de violência com a administração pública e com a rede de proteção. Eventos como esse promovem integração entre os agentes de segurança, o Poder Judiciário e o Executivo. Quem ganha com isso é a sociedade, as mulheres e também as instituições, que passam a atuar de forma conjunta”, ressaltou.
A sargento Marineia, da Patrulha Maria da Penha, explicou que o trabalho da equipe ocorre após o registro da ocorrência, acompanhando as mulheres beneficiadas por medidas protetivas. “A atuação da Patrulha Maria da Penha é pós-ocorrência. Depois do boletim de ocorrência e da concessão da medida protetiva, fazemos o acompanhamento da vítima, visitas e a fiscalização do cumprimento dessas medidas. Tem aumentado significativamente a quantidade de medidas protetivas, o que significa que mais mulheres estão denunciando e encontrando coragem para buscar ajuda”, informou.
A coordenadora da Proteção Social Especial (PSE) e Promoção da Igualdade Racial, Marilene Pereira, destacou a importância de garantir que o plano contemple a realidade de todas as mulheres. “É importante que o Plano Decenal aconteça com a participação representativa de todas. Trazer para essa pauta as necessidades vivenciadas pelas mulheres negras, indígenas, quilombolas e de outros grupos vulneráveis fará com que esse plano venha ao encontro das necessidades de todas as mulheres de Sinop”, afirmou.
Encerrando as manifestações, a diretora-executiva da União das Entidades de Sinop (Unesin), Daniela Melhorança, ressaltou o papel da educação, da comunicação e da participação da sociedade no enfrentamento à violência. “Quando falamos de violência contra a mulher, falamos de uma violência que atinge toda a família. Não há como vencer essa batalha sem educação e comunicação. Hoje existe a falsa sensação de que a violência está aumentando, quando, na realidade, ela está sendo exposta, e isso é importante para que seja combatida. A sociedade civil é fundamental para divulgar, fiscalizar, alertar e educar. É uma missão de todos não se calar diante da violência. Esse trabalho é importante porque norteia as atitudes do Executivo, do Legislativo e da sociedade civil no combate à violência contra a mulher”, concluiu.
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