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Diretor de “O Agente Secreto” destaca importância da memória do Brasil

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Na capital paulista, o elenco do filme “O Agente Secreto” se reuniu para uma entrevista à imprensa, nesta terça-feira. Com direção de Kleber Mendonça Filho, o longa foi o escolhido do Brasil para disputar uma vaga na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar.

O Agente Secreto chega aos cinemas do país em 6 de novembro, mas já vem sendo exibido em mostras e festivais. Nesta terça-feira o filme recebeu duas indicações ao Gotham Awards, uma das premiações estadunidenses que antecedem o Oscar.  

Na conversa com jornalistas, o diretor Kleber Mendonça Filho falou sobre o tema da ‘memória’, presente na produção, e do desejo de que estudantes aprendam algo novo sobre o Brasil a partir do filme.


São Paulo (SP), 28/10/2025 - O diretor Kleber Mendoça Filho durante entrevista coletiva do elenco do filme O Agente Secreto, no hotel Renaissance. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
São Paulo (SP), 28/10/2025 - O diretor Kleber Mendoça Filho durante entrevista coletiva do elenco do filme O Agente Secreto, no hotel Renaissance. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Diretor Kleber Mendoça Filho Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A trama se passa em 1977, durante a ditadura militar. O protagonista, interpretado por Wagner Moura, é um professor especializado em tecnologia, que se muda de São Paulo para Recife, em busca de uma nova vida, mas começa a ser espionado pelos vizinhos. O ator comentou que estava há doze anos sem atuar em produções em língua portuguesa. Wagner Moura destacou a importância da cultura e da democracia andarem juntas.  

Wagner Moura também falou sobre o papel das leis de incentivo à cultura e da importância de os brasileiros se verem representados nas telas do cinema para compreender o país.


São Paulo (SP), 28/10/2025 - Ator Wagner Moura durante entrevista coletiva do elenco do filme O Agente Secreto, no hotel Renaissance. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
São Paulo (SP), 28/10/2025 - Ator Wagner Moura durante entrevista coletiva do elenco do filme O Agente Secreto, no hotel Renaissance. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Ator Wagner Moura  – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Para o diretor Kleber Mendonça Filho, o Brasil precisa se ouvir mais em toda sua pluralidade de sotaques e diferenças. E cita o exemplo do Movimento Manguebeat em Recife, nos anos 90, como uma expressão cultural que se via para além do regional.

Além do diretor Kleber Mendonça Filho e do ator Wagner Moura também participaram da entrevista os atores Gabriel Leone, Alice Carvalho e Tânia Maria.

O filme ‘O Agente Secreto’ está em exibição dentro da programação da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.


Fonte: EBC Cultura

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Tom Zé: o descobridor de sons completa 90 anos criando e compondo

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A curiosidade parece guiar Tom Zé pelo mundo: da leitura de Os Sertões, de Euclides da Cunha, na adolescência, ao ofício de jardineiro no prédio onde mora em São Paulo, o baiano mais paulistano que existe tem um talento nato para transformar o cotidiano em música, como em “Aviso aos Passageiros”. A letra da canção reproduz a mensagem de segurança dos elevadores:  “antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar.”


São Paulo (SP), 07/10/2026 - Caixa Cultural celebra os 90 Anos de Tom Zé com exposição interativa. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil
São Paulo (SP), 07/10/2026 - Caixa Cultural celebra os 90 Anos de Tom Zé com exposição interativa. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Caixa Cultural celebra os 90 Anos de Tom Zé com exposição interativa. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil 

Celebrado na exposição gratuita “Tom Zé – 90 anos do Inquieto Jardineiro de Sons”, na Caixa Cultural em São Paulo, até o dia 13 de dezembro, o músico comenta o segredo para seguir compondo, criando e fazendo shows aos 90 anos.

“O seguinte: de manhã, se eu não fizer as coisas orientais que eu aprendi aqui em São Paulo e que prolongam a vida, a ginástica para o estômago, para cabeça, para intestino, para vista, para ouvido… Eu de manhã faço práticas que têm a ver com todos os funcionamentos humanos. E enquanto eu fizer isso, eu vou tá vivo aí, se Deus quiser”. 

Tropicalismo

Nascido em 11 de outubro de 1936 em Irará, no sertão da Bahia, Antônio José Santana Martins passou em primeiro lugar no vestibular da Escola de Música em Salvador. Foi na capital baiana que conheceu Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa. Se juntou aos tropicalistas em São Paulo e participou do disco “Tropicália ou Panis et Circencis” de 68, mesmo ano em que lançou o disco de estreia “Grande Liquidação”, e venceu o 4º Festival de Música Popular Brasileira com a canção“São, São Paulo”.  

A cidade de São Paulo se tornou tema recorrente em composições como “Augusta, Angélica e Consolação” e “A Briga do Edifício Itália com o Hilton Hotel”. O trabalho do músico é marcado pela experimentação, do som feito numa enceradeira quebrada ao “buzinório” – instrumento que conecta várias buzinas e que pode ser visto pelo público na exposição. A curadora da mostra, Neuseli Martins, fala sobre a figura inspiradora de Tom Zé. 

“Eu acho que assim ele inspira pessoas dos 10 aos 100 né? E vendo ele em atividade criando gravando principalmente dialogando com várias gerações eu acho isso uma característica muito incrível dele. Ele é uma pessoa que tá sempre buscando descobrir alguma coisa nova ou ver as coisas de uma forma diferente né?”


São Paulo (SP), 07/10/2026 - Caixa Cultural celebra os 90 Anos de Tom Zé com exposição interativa. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil
São Paulo (SP), 07/10/2026 - Caixa Cultural celebra os 90 Anos de Tom Zé com exposição interativa. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Réplica do buzinório, instrumento musical criado por Tom Zé – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Experimental demais

Em meados dos anos 70, o músico se enveredou por mais experimentações, desconstruindo canções criadas a partir de fragmentos musicais. Visto como experimental demais, Tom Zé foi esquecido pela mídia até os anos 80. Foi redescoberto quando seu disco “Estudando o Samba” foi parar nas mãos do músico David Byrne, ex-líder da banda Talking Heads, que lançou a obra do brasileiro no exterior. Com isso, voltaram as turnês e gravações nos anos 90. Jarbas Mariz, músico que gravou e tocou com Tom Zé por 32 anos, comenta o que aprendeu com ele.

“Por exemplo, dinâmica na música, né? Aquela coisa de de tan dan dan dan, tan dan dan dan, e vai lá pra baixo, vai lá na coisa da dinâmica na música popular. […] Pegar qualquer instrumento, você transformar aquilo ali em som e colocar na sua música, também aprendi isso com ele também. E aquele bandolim maluco que eu tocava com ele, que é um que é um bandolim percussivo, que foi ele que introduziu na minha cabeça”. 

 

O último álbum de estúdio, “Língua Brasileira”, é de 2022. Neste 9 de outubro, foi lançado o álbum ao vivo de um show gravado no Sesc há 30 anos. Em agosto, saiu a música inédita “Futuro Fruto”, uma parceria com Marcelo Segreto e Loretta,  músicos de diferentes gerações, provando que Tom Zé ainda tem muito o que inventar na música brasileira.  

 


Fonte: EBC Cultura

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