Opinião
O impacto da desidratação em idosos no verão
Opinião
O verão traz dias longos, agendas mais flexíveis e um estímulo para aproveitar a vida ao ar livre. No entanto, para idosos e pessoas com condições clínicas sensíveis, esse período também representa um risco silencioso: a desidratação. A desidratação não avisa com antecedência, não provoca sintomas evidentes de imediato e, muitas vezes, só é percebida quando já compromete a saúde de forma significativa.
Com o avanço da idade, o organismo perde parte da capacidade de identificar a sede. Isso significa que muitos idosos não percebem que precisam repor líquidos e, quando o calor chega, o corpo sofre de maneira mais intensamente. A desidratação pode causar tonturas, confusão mental, queda da pressão arterial, piora de doenças crônicas e até levar a internações que poderiam ser evitadas com medidas simples.
No atendimento domiciliar, vemos de perto como o calor impacta o bem-estar de quem já convive com limitações físicas ou condições crônicas como hipertensão, diabetes e insuficiência cardíaca. Pequenas mudanças na rotina, como deixar de beber água por algumas horas ou permanecer por muito tempo em ambientes quentes, podem desencadear quadros que exigem intervenção rápida.
No entanto, prevenir não é complicado. Isso envolve atenção, organização e acolhimento. Incentivar o consumo de água ao longo do dia, oferecer frutas ricas em líquido, manter a casa arejada e evitar a exposição ao sol nos horários de maior intensidade são atitudes que fazem diferença. Para quem utiliza medicações diuréticas ou tem doenças crônicas, o acompanhamento profissional é ainda mais importante, já que o risco de desidratação é maior.
Outro cuidado essencial é observar mudanças sutis. Quando o idoso apresenta sonolência incomum, boca seca, urina escura, fraqueza, confusão ou ritmo cardíaco, o corpo está sinalizando que algo não vai bem. São alertas que pedem resposta rápida. Muitas famílias interpretam esses sinais como “cansaço do calor”, mas, na prática, são indícios de que o organismo já está sofrendo.
É nesse ponto que o atendimento domiciliar faz a diferença. Ter uma equipe preparada, que possa avaliar o paciente no conforto da casa, evita deslocamentos desnecessários e permite intervenções precoces, impedindo que um quadro simples evolua para uma emergência. O cuidado no lar reduz a ansiedade da família, amplia a segurança e reforça aquilo que defendemos todos os dias: que a saúde também é proximidade, escuta e presença.
*Ana Flávia Nasrala é Diretora Técnica da Help Vida e médica cardiologista.
Opinião
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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